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31.10.02
Atendendo a pedidos da minha leitora mais assídua, fui brincar de auto-retrato no Ultimate Flash Face (esse nome parece coisa do 1406, né?), e olha aí eu: Nada a ver comigo, pois é, mas foi o máximo que a minha ridícula capacidade artística permitiu. Então, vai uma foto gaiata, que eu ando humorista todo nesses dias: ![]() Vermelho de praia, fazendo marmota, passando vergonha com sushi e enchendo a cara de saquê. Eu, eu demais! Que eu A-DO-RO comer, todo mundo sabe. Era muito enjoado quando minha vó morava com a gente e me tratava como principezinho, atendendo os caprichos mais absurdos: lembro de só almoçar arroz branco sem qualquer tempero além de sal, bife sem qualquer tempero além de sal, batata frita sem qualq... e farofa. Todo dia. Podia até ter uma coisinha diferente, mas eu fazia bico, um horror. Morar sozinho me fez um bem danado, virei projeto de avestruz. Meu tio sempre disse que não comia merda porque o nariz é perto da boca, mas eu nem tenho essas pretensões: me contento não dando trabalho e traçando o que tem. Peixe cru, carne vermelha, verdura, arroz integral, molhos diversos, doce com salgado, pratos típicos, tudo é bem-vindo, aceito de muito bom grado! Mas tem coisa que não dá. Chuchu, por exemplo. Adoro a palavra, trato muitas pessoas queridas por Chuchu (né, Chuchu?), mas o 5º estado da água (os outros? sólido, líquido, gasoso, pepino e melancia) que resolveram convencionar como a infeliz cucurbitácea não desce. O problema é a consistência – quem agüenta a sensação indescritível de morder um chuchu cozido? Me dá ânsia só de pensar, juro! Fora que não tem gosto, então não tem pra quê comer. Outra coisa ("coisa" é bastante apropriado) que passa longe do meu cardápio são aqueles pratos regionais a base de vísceras, tipo sarapatel, buchada e panelada, lá da minha terra. Minha avó, como boa nordestina, adorava preparar aquilo para os meus tios e primos, lá em casa. Nem bem começava, eu corria léguas. Só de ver o monte de pedaços ensebados, meu estômago revirava como minhoca em asfalto quente! E quando começava a cozedura, então? O cheiro, meu Deus, o cheiro! Eu queria morrer. O único jeito era me refugiar na casa da vizinha – do outro lado da rua –, que, solícita, me dava um pacote de Cream Cracker. Quiabo, nem preciso falar: olha esse nome! Quiabo. E com aquela baba, ainda mais, ARGH! De frutos do mar eu gosto, mas tenho alergia, preciso evitar. Carne de porco, também não como. Muita gordura, já tenho o suficiente. Agora, ruim mesmo, incomparável, insuportável, asqueroso é aquele troço medonho, que fede a vômito e que parece um celenterado alienígena leproso... a jaca. Jaca é a pior invenção divina, vamos combinar. Além de ser difícil de comer, ter um aspecto assustador e cheirar como as entranhas de Cérbero, jaca mata, sabia? Mata, eu sei! Quando tinha uns 12, 13 anos, eu era Gen-3. Sim, já prestei, em algum momento da minha vida. Em um dos acampamentos, havia uma trilha programada, e, no caminho, uma jaqueira imensa, a maior árvore que eu já vi. Íamos passando ao largo, admirados com o esplendor da dita cuja e com aquelas frutas enormes penduradas, lá no alto, quando, de repente, uma jaca madura se desprendeu do galho e caiu. Devagar primeiro, ganhando velocidade com o peso do aríete, espatifando-se em milhões de partículas no chão. Todo mundo parou para admirar o espetáculo, certos de que uma cratera tinha-se formado ali. Mas ninguém chegava perto, com medo da iminência de bombardeio. Até hoje penso que, se estivesse no local onde aquela jaca caiu, não estaria aqui hoje. E teria morrido da forma mais degradante possível: com jaca entrando e escapando por todos os poros do meu ser. Ai, que nojo! Só de pensar, o mundo perde a cor! É por isso que eu me acabo no chocolate. E eu preciso escrever sobre fotografias, mas estou mais a fim das coisas fáceis, sabe? Hoje, pelo menos, quero pão e circo mesmo. E, por falar em pão, acho que prefiro o assunto comida! Minha verve gulosa está em alta. ![]() À meia-noite, velas, travessuras e gostosuras... Melhor não sair de casa: a bruxa está solta, e pode te pegar. Hummmm... >;-] 30.10.02
Pra sorrir um pouquinho, aliviando a tensão nas costas, olha que texto mais fofo me mandaram de presente! Lá no Pólo Norte tem muita neve no inverno. E, quando a noite cai, o frio paralisa o céu. Antes do homem esquadrinhar as cidades de ângulos e arestas duras, um povo habitava as terras geladas do Pólo Norte. Eram os priks, uma gente pacífica e peluda. Eles se alimentavam basicamente de aurora boreal e da claridade do luar. Seu passatempo favorito era brincar de esconde-esconde com as focas e coçar a barriga dos ursos, até caírem na gargalhada. Os priks não tinham casa e dormiam agarradinhos uns nos outros, formando um tapete felpudão na terra gelada. Um dia desses você vai lá no Pólo Norte. Quem sabe você não acaba vendo algum prik surfando no lombo de um leão-marinho? Ninguém sabe ao certo quando eles surgiram na Terra. Existem várias teses. No entanto, o Doutor Von Schultz da Universidade de Berlim e renomado estudioso da civilização Priskiana, defende a mais provável e singela das hipóteses. Segundo Schultz, os priks são o resultado de um processo de cristalização particular do gelo. Em dadas condições climáticas raras, ainda sem explicação aceitável, o gelo toma vida e fica peludo. Na primeira noite após o processo de catalisação adiposo do congelamento das camadas superficiais do mar, quando a lua lambe aquela penugem rara, salta para o alto uma infinidade de bolas brancas dando gritinhos de alegria. Assim nascem os priks. Dizem que tem gente que conseguiu reproduzir o evento em casa. Basta arrastar a geladeira para o jardim, encher o congelador com água do Oceano Ártico e esperar que a lua esteja de bom humor naquele dia. A única coisa que os priks não suportam é dormir com os pés molhados. Quando resfriados, eles roncam e acordam todo mundo. Uma vez, um prik começou a namorar uma foca. Ele resolveu morar com ela. Todo mundo sabe que as focas dormem com os pés submersos, e o pequeno prik passou a noite toda fazendo carinho no seu amor, com o dedão do pé debaixo d'água. O resultado foi triste. A foca não conseguiu dormir e largou o prik, sem cerimônia. Se algum dia você cruzar com um prik apaixonado, não deixe de secar seus pés antes de levá-lo para a cama. Caso contrário, vai ser difícil você dormir e sonhar. Com o Pólo Norte, as focas, os ursos polares e aquele monte de prik sorvendo o luar e arrotando aurora boreal. Adorei! E quer saber? Eu sou um PRIK! Estou falando sozinho e esbravejando com o computador. Já chutei meu celular e comi - por engano, juro! - um pedaço de caneta. Acho que, em vez da promoção, é melhor pedir um tranquilizante. Acordei numa versão Clotilde Business: resolvi fazer um 5S na pilha de pendências da direita, detonar a da esquerda, arrumar o arquivo, apagar e-mails antigos, revisar cartas pendentes, um furacão de produtividade! Ao fim do dia, o que restar de mim vai tentar negociar uma promoção. Ou, pelo menos, dar um sorrisinho amarelo pra chefe e pedir misericórdia pelas mancadas dos últimos dias... De uma noite de sono e prazeres bobos Um chopp com amigo sumido, por acaso. Embalo colorido na rede gaiata. Omelete que aprendi a fazer - fica bom! Bethânia declamando Pessoa. Papo. Maiakóvski, Khlébnikov e os contemporâneos. Ventilador de teto. "E tudo faz sentido quando se deixa de tentar enfiar o mundo dentro de gavetas e escaninhos, e simplesmente se abre pensamento e desejo, para voar." (Lya Luft) 29.10.02
E vou embora cedo pra casa, que hoje eu fui só sombra e água fresca. Quero deitar na rede, ouvir pianos e violinos, talvez uma mulher gorda cantando, incenso de canela, meia-luz. Um livro fácil, poesia?, pés nas meias, lua pela janela. E a boca entupida de chocolate, que eu bem mereço... Quando a década de 70 acabava, eu tinha três lindos anos e cabelos louros refulgindo ao sol, uma cuia silvícola ao melhor estilo Beatles Iê-iê-iê. Nos anos 80 se deu a transformação: deve ter sido efeito do xampu Halo Ovo que a minha mamãe me obrigava a usar – e eu gostava! -, meus cabelos se transformaram gradativamente de penugem angelical para pelúcia acastanhada e, por fim, estopa de bombril. De todo jeito eu tentava arrumar, mas não tinha saco e ia deixando de qualquer jeito e pronto. Nos anos 90, a cabeleira estava defasadíssima. Meus ícones de beleza masculina ainda eram Lauro Corona e Ronnie Von (Queeeima, gataraaaaal!!!), e nada me demovia da obsessão por cabelos de cinema: esvoaçantes, macios, Dimension total. Todo mundo com os cortes mais diferentes (surfistas, raspados, espetados...) e eu lá, brigando com o gel pra parecer um Menudo revisitado. Quando vejo fotos daquela época, me inunda uma vontade mista de rir e chorar. A versão Século XXI é uma coisa meio camaleônica, todo dia eu mudo: partido de lado, pro outro lado, pra cima, topete, ao natural (?)... ainda pinto de branco, uma hora dessas. Hoje, especificamente, tá uma belezura só! Aproveitei uma brecha e fui aliviar a bexiga. Lavando as mãos, dei uma olhada no espelho pra conferir a cara e... UI! Um ninho de rato na minha cabeça! Meu Deus, se eu visse alguém assim na rua, chamava a Vigilância Sanitária! É por isso que o pessoal estava falando comigo olhando pra cima e sorrindo... mas custava me avisar, pô? Mais gente, mais links, mais eu aí do lado. E mais eu aqui, de fato, o que é muito melhor. (A)crescendo. 28.10.02
A grande complicação é uma salada mista de antítese e desencontro: Eu desejo; você, parece. Eu agora; você, só Deus. Eu pressa; você, cadê? Eu nem tô; você, presentes. Você saudade; eu, dúvida. Você cuidado; eu, desdém (querendo comprar). Você de volta; eu, indo. Você nem nota; eu, todo possibilidades. Minha cabeça é fértil demais, acho. São tantas as histórias a serem contadas, tantos os sonhos guardados, tantos dramas comédias terrores romances musicais... Ficção. Enquanto não dou vazão à Carochinha aqui, me consumo. E vou comendo a vida, ora pelas rebarbas, ora mordendo bem no meio. Aliás, que noite deliciosa! Assisiti a Singin' in the rain, pela primeira vez na vida, e quase senti remorso pelo tempo perdido sem conhecer este filme tão... belo! Indispensável para quem gosta de musicais - e eu ADORO! A história é simples, leve, secundária: o que enche os olhos, não tem como negar, são as coreografias e o charme de Gene Kelly, a graça de Donald O'Connor, Debbie Reynolds (en)cantando e as caras e bocas de Jean Hagen. E basta, não precisa de mais para um fim de domingo. The End, abri o guarda-chuva e dancei pela sala, com minha bailarina, cheio de vontade de brincar daquilo ali. Would you? ![]() 26.10.02
Morto. O sábado foi uma segunda. Fui lá dar uma força pra Mole (vulgo minha amiga de trabalho) com o Projeto de Conclusão de Curso dela: ficamos eu mais seis pessoas avaliando, discutindo, refazendo, produzindo. Apesar do esgotamento de agora, foi muito bom. Me senti inteligente, pertinente, competente, como há muito não sentia. Possível. Vi que minha faculdade não foi em vão - de jeito nenhum! Que aquela capacidade de armazenamento de informação, tão privilegiada na infância, ainda existe, sim; que, mesmo querendo vender cachaça numa praia de nudismo, dou conta de um planejamento estratégico. Confio no meu taco, sou muito seguro para algumas coisas, mas não tinha idéia do quanto precisava dessa confirmação de hoje. Prazer besta, mas sincero. Quem sabe, se eu bater a cabeça, boto minha fantasia de vendedor de enciclopédia e levo a sério essa história de executivo. Mas só se eu bater a cabeça. Mesmo. Levanto antes das oito (olha que determinação! nem nos dias "úteis" eu consigo isso!), duas mensagens bêbadas no celular me informando que o que importa é que o Banespa sei lá o quê e que "o cara mais pandeiro da night ficou sabe com queeeeeeeem???" - eita, eita! E um comentário no blog dizendo que eu esqueci a carteira na mesa do bar. O juízo provavelmente também, mas, esse, ninguém achou. E lá vou eu andar 970 km em busca da carteira perdida. Uma peregrinação ótima para começar um sábado de sol, morrendo de sono e prestes a guerrear com seis mulheres à beira de um ataque de nervos para fazer um certo trabalho de conclusão de curso (que nem meu é). É, o dia promete. 25.10.02
Argh! Sem reclamações, porque hoje tem cerveja com gente querida, um sujo chegando, amor no ar, papo mais tarde e sono de beleza, que eu mereço também. Pra aguentar o tronco, digo, tranco de amanhã - vai ser tranquilo: planejamento estratégico, plano de mídia, criação de campanha... o que não se faz pelos amigos, não é? Ê, la-iá. ;-) Franqueza. Dói, esclarece, faz sorrir de novo. Resolve. Mãos dadas, como sempre. Não o tempo todo, mas sim. Tem coisas que merecem ser ditas e repetidas. Cristalizar. 24.10.02
Dizem que o trabalho dignifica o homem. O meu, de uns tempos pra cá, só me machuca. Hoje foi feio: patada de todo lado, algumas merecidas, outras gratuitas, como sempre é. Estou cansado. Sempre me vangloriei por conseguir desligar a cabeça quando passo da porta do escritório, e ainda é assim. O problema é que, da porta pra dentro, está cada vez mais difícil. Meu trabalho me exige, intelectual e emocionalmente, e eu não estou dando conta, mais. Sei que tem coisa muito pior - uma Bolsa de Valores deve ser o inferno na terra! -, não estou comparando. Só desabafo, num suspiro, que o sonho está longe. E a vontade de ir buscar, cada vez mais perto. Para descobrir, por ora, o que é sonho, realidade ou déja vu. "Afinal, as maiores revoluções sempre são as pessoais." (foi a Mel quem disse - e eu só posso concordar) 23.10.02
Acho que nem você mesmo... Isso faz diferença? Ninguém sabe a reação que tu pode ter diante de tal ato... normalmente temos a capacidade de surpreender... porque conhecer tudo é fastio... É justamente por sermos "um saco sem fundo", termos todas as possibilidades implícitas em nós que faz da vida mágica, imprevisível. Todo mundo me conhece. Uns mais, outros menos, seja pelas palavras, pelo convívio, pelo beijo, por tudo que há em mim, que não se manifesta o tempo todo, mas está sempre aqui. Se mais perto, provavelmente mais exposto, dentro do que eu permito. A menor partícula do macrocosmo que sou eu também me denuncia, caracteriza, compõe. Mas não encerra. Eu me contradigo? Pois, muito bem, eu me contradigo! Sou imenso, contenho multidões, aprendi de Whitman na boca de alguém que (pensa que) me conheceu um bocado. Eu me dou a conhecer: pouco, muito, nunca todo. Não existe esse todo, o nirvana não é isso. Nem eu sei de mim o que parece tão óbvio por aí, e eu garanto que ninguém pode me conhecer mais se não eu mesmo. Sou óbvio? Talvez. Está claro, transparente? Espero que sim. Mas nunca sempre (entendeu?). Eu posso ser tudo e nada, mas aviso que estou além dos formulários, como qualquer outra pessoa, acredito. Não quero ser enquadrado, rotulado, subentendido, postulado, referido, assimilado, associado, confundido, captado. Quero ser, em paz. Sem ter que explicar, sem obrigação de coerência, que eu também sou anarquista. Sou possível, talvez provável, jamais imutável. Então é isso. Abro meu mundo, deixo participar. Mas não tolero julgamento e condenação – vou sempre rebater, com o ímpeto natural de refutação, mesmo que haja pertinência. Sou cabeçudo também, preciso das minhas quedas. E, para mais espaço comigo, é sempre melhor questionar que definir. 22.10.02
Samba de uma nota só, música para você ouvir. Há os coros e os solos e muitas formações, mas eu falo do dueto. A música do corpo é múltipla. Todo mundo tem seu ritmo, o registro mais fácil, a impostação que dá mais segurança. No chuveiro, quem quer canta como lhe apraz – e pronto. No grupo, em função da harmonia, a inevitável necessidade de adequação exige, em alguma medida, o resguardo das individualidades. No duo, não: se a sintonia é mister, está lá o espaço de cada um, a chance do vôo avulso, do deleite próprio - compartilhado. Libreto liberto. Se a associação não é clara, explico: estou falando de sexo. Meu canto é difícil. A quem gosta da música, a quem busca conhecer, a experiência envolve muito mais do que articulações: é entrega, e a entrega nem sempre acontece. A música – e não falo do efeito físico, mas do enlevo - do dueto flui quando ambos se dão, encontrando aquele ponto mágico de equilíbrio quando toda nota está no lugar certo: a partitura se desenha além do previsto, assumindo caráter especial, virtuosístico. Também gosto de preliminares e pós limiares. O jogo se estende: Tantra. Tesão. "Longos amassos e beijos, acariciando, apertando, olhando". Eu gosto de ver, saber por onde correr as mãos, procuro os olhos. Reflexo. Melhor, o dia todo, uma longa sinfonia: Maestoso, Presto, Allegro, Andante, Adagio... Largo. Uma suíte para cravo de Bach. E tem a respiração – ah, se tem... Dizem que ela faz toda a diferença, e nunca seria eu a contrariar quem conhece do assunto, enquanto mal passo de aprendiz. Devagar, divagar, sentindo o ar preenchendo os pulmões, esquentando a traquéia, percorrendo pelo sangue, alimentando. Ar parado, dentro, ponteiros inertes, nada mais importa... até sua fuga, nossa fuga informal e (in)dependente, o caminho de volta, ainda mais quente, tão urgente sopro de vida. O encontro da minha respiração com a sua, até a perda de ambas. Gozo, Nirvana, Requiem. Ao fim, tambores, prenúncio de mais música. Violinos? Sim, mas estes exigem preparo de ouvidos e coração para se deixarem ouvir. Sobre o seqüestro de ontem, minimalista: delirei, vivi um sonho, foi bom. Nunca esquecerei Barbara: ma plus belle histoire... Na televisão do dia, música: Ney Matogrosso cantando "Carinhoso"; Lucina cantando; Zizi Pozzi, tudo aquilo; Des'ree no filme, e o aquário, que coisa linda!; Chico César todo, adoro; Marisa no replay; Rita Lee conversando, confessando; Madonna linda, na berlinda... Program 19.10.02
Marasmo. Chuva me deixa insuportável. Na televisão, nada que preste. Sem vontade de ouvir música. Nem de ler. Nem de escrever ou dar notícia. Vontade de nada, na verdade. Mas nada com alguém que fosse tudo seria muito melhor. Me obriguei a dormir além do sono para acordar sorrindo. Calor. Amigos. Artista. Princesa. Estrela. Casa arrumada, coração tranquilo, retorno, saudade, desejo. Hoje estou pros outros. E isso é estar pra mim. 18.10.02
ELA - Ai! Perdi TUDO! (um relatório que estava digitando) EU - Agradeça a Deus - você podia ter hemorróidas. ELA - Cala a sua bocaaaaaaa! EU - Tu me ama? ELA - Preciso peidar. EU - HAHAHAHAHAHAHA!!! Eu reclamo, mas trabalhar aqui tem compensações... Quem a este blog chega por curiosidade ou acidente é bem-vindo. Minha vida está aqui, eu estou aqui, me expondo, falando dos dias, da loucura, dos medos e sonhos e de toda a contradição e busca que sou eu. É público, torno público porque quero, porque gosto da exposição que permito. Claro, não tenho como controlar a repercussão de qualquer coisa que registro aqui – ah! se pudesse... mas prefiro assim, faço como me convém, deixo as mensagens nas entrelinhas para quem tiver que entender. E, na maioria das vezes, só quem precisa entender alguma coisa sou eu. Quando divulgo a alguém ou peço que visitem meu blog, é um pedido de troca. Um convite. Mais que a vaidade (e ela é muita, assumo), é o desejo de dividir, de me deixar conhecer além do que é fácil e agradável. Não é porque escrevo bonito ou por causa das meiguices e bonitezas que espero a conquista – pelo contrário! Se parece maquiagem, eu entendo como destilação: meus defeitos e fraquezas estão TODOS aqui, basta perceber. Se não parece, aviso que tudo merece olhar mais cuidadoso: sou muito sutil quando quero, e gosto dos bons entendedores, a quem meia palavra não basta, mas estimula ou esgota. Não vai sobrar ninguém. Eu e Teca, pelo menos, já atestamos nossas loucuras. Da outra, eu nem falo, que ela é uma bailarina, mas também é uma coqueteleira e uma tremelga alvoroçada mais adorável do mundo. Doente, doente. Agora eu... ai, ai. Quando digo que sou doido, o povo ri, dá uma piscada, desdenha, ninguém leva mais a sério. Mas É sério, eu pirei. Ontem, por exemplo, estava lá, dançando na tal festa com a Dani, quando vi aquela coisa enorme. Grande, pendente, fazendo uma curva... foi só a silhueta, primeiro, contra a luz, e tinha a fumaça e o estrobo e o barulho, informação demais para mim. Mas eu vi e fui hipnotizado, não consegui prestar atenção a mais nada. Tomei coragem, me encostei no balcão do bar, pedi uma caneta, peguei um guardanapo e escrevi um bilhetinho – uma mania feia que eu arrumei de uns tempos pra cá, e nunca funciona, pelo visto... Bom, pra encurtar a história, comecei logo assim: Seu nariz é enlouquecedor! (...) E só me dei conta do absurdo hoje, o que é pior! Pois é. Podem me internar. 17.10.02
![]() Isso é um desbunde para quem, como eu, gosta de ilusões de ótica! É velho, eu sei, mas não resisti quando vi no Spark's Café... É, a participação da Regina Duarte no programa eleitoral do Serra deu o que falar... Coitada. Se fez por dinheiro, prostituiu-se e pisou na bola, sem prever a repercussão da palhaçada. Se previu e, mesmo assim, topou, pior: pela exposição, seria melhor colocar meio litro de silicone nos peitos ou na bunda – o espetáculo seria menos desagradável. Agora, se ela emprestou seus olhos de Malu Mulher, o sorriso de Rainha da Sucata e a pachorra da Viúva Porcina ao desplante de recitar aquele texto ridículo por crença política, aí a coisa tá feia mesmo. Como atriz, a tal namoradinha fez história e marcou a teledramaturgia, acho que isso é unânime... não vejo novela há anos, mas sei que ela vem escolhendo papéis chinfrins e é cada vez mais criticada. Com essa, conseguiu avolumar as vaias que parecia vir buscando. Se quiser continuar, que se prepare para os ovos e tomates. Eu jogo, prometo. Olha o e-mail que recebi hoje de manhã: Quando uma manada de búfalos é caçada, são os búfalos mais fracos e lentos, em geral doentes, que estão atrás do rebanho, e são mortos primeiro. Essa seleção natural é boa para a manada como um todo, porque aumenta a velocidade média e a saúde de todo o rebanho pela matança regular dos seus membros mais fracos. De um jeito muito parecido, o cérebro humano pode operar apenas tão depressa quanto seus neurônios mais lentos. Beber álcool em excesso, como nós sabemos, mata neurônios, mas naturalmente, ele ataca os neurônios mais fracos e lentos primeiro. Neste caso, o consumo regular de cerveja, elimina os neurônios mais lentos, tornando seu cérebro uma máquina mais rápida e eficiente... E ainda tem mais: 23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo consumo de álcool, isto significa que 77% dos acidentes são causados por pessoas que bebem água. Não existem coincidências, eu sempre digo. Ainda vou descobrir como é que, mesmo àààààààs quedas, ainda acerto o endereço do Blogger e consigo clicar no Post & Publish... Da próxima vez que eu estiver bebendo, tirem o celular da minha mão, pelamordedeus! Fui checar agora as últimas ligações feitas e já tô me preparando pra conta: Rio de Janeiro, Blumenau, Fortaleza... e, pela duração das chamadas, era assunto que não acabava mais. Ou o povo rindo loucamente das minhas marmotas de bêbo, pode ser também. EsPerdi tudo, caralho! Esdtou bêbado, não bou tentar recuperar,. Só pr dizer que estaá tudobem, que estuou bem e que a essa porra tudo e uma futilidadde escrota. Vão se foder! Estou bêbado e nem to! Fodam-se!@ 16.10.02
UFA! Voltou! Rô, valeu, gata! Não sei o que seria de mim sem você (eita, o drama!)... Casa arrumada, sempre bom! Agora... é incrível a profusão de coisas em que pensei de ontem pra hoje, da hora em que isso aqui deu pau até a normalização. Conversei com três pessoas (Ana, Teca, Balla, OBRIGADO!) a respeito do blog e ainda não estou certo de querer continuar com a brincadeira. Eu disse que era afoito, não disse? Pois é, sou mesmo. Mas vou desenvolver o tema, vou explicar, confundir, endoidar, me contradizer, meter os pés pelas mãos, seja como for. Vou ser eu e pronto. Parece que esqueci de ser eu de uns tempos pra cá, nesse blog, e não tô feliz com isso. O blog é reflexo, não tem jeito: EU andei diferente mesmo: hermético, perturbado, perdido, vaidoso, carente de um monte de coisa... Mas essa "fase" já me encheu o saco: quero voltar à liberdade e à autenticidade que eu tinha no Eu no meio do mundo - aquilo, sim, tem a minha cara. Mas depois eu continuo, que agora tenho que sair correndo pra um treinamento (ai, inferno...)! Enfim, voltei! E isso é muito mais do que pode parecer. ;-) 15.10.02
Ok, fodeu. O Blogger resolveu sumir com meu template e não há Cristo nem blogueira profissional que dê jeito. Estou suando frio e com dor no pescoço. Preciso de sal. (...) Isso não pode me preocupar tanto assim. Tem coisa mais importante na vida, não tem. Pois é. (...) Ai. Hoje é Dia dos Professores, a Joyce lembrou. Vontade prematura de comemorar. Quando tinha 13 anos, abriu o Laboratório de Língua na escola onde eu estudava inglês. Apesar da idade, fui escolhido para ser o monitor. Fiquei com 60% dos horários, mesmo minha colega de função estando no último semestre de curso. Passava o dia inteiro no FISK, adorava aquilo! Estudava todos os exercícios, sabia todas as atividades, conhecia todo mundo. Era uma sensação louca de poder, quando marmanjos do último estágio vinham tirar dúvidas comigo. Conhecimento, essa arma sempre me enfeitiçou. Tinha também o lado social, a camaradagem, a fama. Holofotes. Narciso, sempre gostei. Depois de entrar na faculdade, comecei a trabalhar na "minha" área. Reforço as aspas, que nunca fui publicitário de fato. A área que chamo de "minha" são as Relações Públicas, que, hoje, percebo apenas afinidade, identificação, nunca projeto. Mas assim foi, engrenei. Aprendi, ralei, tenho lá meu reconhecimento. Sei ser bom no que faço, mas descobri que isso cansa: não nasci para ser executivo. Durante a faculdade, tive a chance de ensinar redação a estudantes de baixa renda, em um projeto de (possível) extensão universitária. Naquela época, muitas vezes, as aulas foram a motivação da semana, o único alento em meio ao marasmo ou à turbulência dos dias. Às vezes, chegava esgotado aos nossos encontros: entrava na sala, afrouxava a gravata, pegava o giz... e a transformação se dava. Minha voz preenchia o ambiente, as palavras fluíam, os olhares fixavam. Atenção, troca, resposta. Deus, como era bom! Prazer indescritível ao perceber a evolução dos meus alunos, ou quando, tanto melhor!, eles se sentiam mais seguros, escreviam com mais facilidade, estruturavam suas idéias... Nosso curso não era só normas gramaticais ou coesão textual: íamos além, com a proposta de formar cidadãos através da discussão constante e contínua. Ímpar. Cada vez mais, tenho consciência de que esse é me destino: estudar, aprender, ensinar. Este tem sido o motivo da confusão mental e emocional dos últimos tempos, razão das palavras herméticas, dos recolhimentos, da mudez ou da desconversa. Ainda estou processando, analisando, escolhendo, e os passos são todos meus nessa estrada. Hora de fazer meus caminhos. Quanto à data, meus parabéns a quem já está nessa. Professar, tarefa árdua, é para poucos. Se tudo der certo, em breve eu me junto ao clube. Alguém mais está enfrentando problemas com o template e com as configurações no Blogger? Ou é o meu blog que está expirando? As coisas estão entrando nos eixos. Meus pensamentos, clareando. O futuro não parece mais tão incerto, e, se o período vai ser de mudança, sei que muita gente vai estar do meu lado. Meu patrimônio são meus amigos; meu sutento, suas presenças. Obrigado pela força. Vocês sabem que são. ![]() Cansado, enjoado, querendo falar, mas o silêncio grita mais. Estou introspectivo, arredio. É melhor me deixar quieto nessas horas. Pode não parecer, mas eu mordo. E dói. 14.10.02
A única garantia de ganhar alguém é perder. Pra vida, pra sorte, pra morte. Certo como faca. Ainda assim, sempre se quer mais dessa dor anunciada. E da marca que fica, indelével. Sintonia. E a pergunta do dia me encontrou enquanto eu vasculhava a abarrotada carteira, nas costas de um antigo extrato bancário. Minha caligrafia corrida, só para anuviar ainda mais a memória... e a verdade de sempre, em forma de dúvida: every dance with the same fortunate man?" Bom dia, meu Pai. Quero agradecer pela boa noite de sono, pelas coisas boas que vivi ontem, pelo que aprendi, por ter acordado disposto e bem, por estar saindo em tempo. Obrigado pelos amigos que tenho, por todo o amor que recebo e dou. Peço perdão pelas minhas falhas e te peço que eu consiga compreender para ser uma pessoa melhor. Agradeço, também, pelo alimento, pela minha casa, por estar com saúde e por ter um trabalho. Quero pedir que hoje seja um dia legal pra mim e para todas as pessoas que eu amo. Que o Senhor cuide da minha mãe, do meu pai, dos meus irmãos, primos, amigos e todos os meus entes queridos. Quero pedir, também, que o meu dia seja produtivo, que dê conta de tudo o que tenho pra fazer e que eu possa descansar tranquilo à noite. Peço, ainda, saúde, paz, proteção e a tua bênção. Obrigado por tudo, meu Pai. Então eu rezo um Pai Nosso, uma Ave, Maria, rezo pro meu anjo da guarda e uma oração que minha mãe ensinou. Deixei, faz tempo, o Credo e o Ato de Contrição. Salve, Rainha, nunca consegui decorar tudo. Assim começam todos os meus dias, logo que saio de casa. Um ritual simples, verdadeiro, necessário. Essencial. 13.10.02
O ego amanheceu nas nuvens: não tem jeito de segurar o sorriso à lembrança de outro sorriso me dizendo tanta coisa bonita, dengando, mimando. Preciso ouvir (para me sentir) "uma graça" de vez em quando. Elogio, elegia. Dormi quatro horas de hoje para hoje - ontem, caí na noite. E no papo. E na real. Dar uma volta no meio dos pardos pode ser bom. 12.10.02
Não fui trabalhar ainda - isso pode esperar, sabe? Preferi o sono, que tanto mais valor me tem. Desperto, risos, convite, tempo para arrumar a casa. Guardando uma caixa, descubro muitas outras, no armário em que, por descuido ou displicência, melhor achei não mexer até hoje. Abri essas caixas. Nem eu aguento mais minhas lamúrias de saudade, as memórias do coração, relembrar o quanto me marcou aquela história. Enche o saco, cansa, esgota. Dói. Porra, eu preciso viver um outro grande amor para poder dar a dimensão real que isso tem, porque não pode ser tanto assim, não dá pra acreditar que aquela cumplicidade toda seja banal, fácil. Não, eu sei que não é. Tenho amigos de muitos anos, minha mãe me conhece pela forma como pisco os olhos, sempre fui muito aberto e sincero. Mas com ele era diferente. Não posso explicar, porque só cabia a nós entender - e a gente brincava, porque era leve, não tinha razão, não tinha pra quê. Era só amor. Isso é um desabafo, estou bem. Sei que a roda gira, sei dos motivos, das causas e dos desejos angústias dúvidas palavras lágrimas, sei de tudo. Passou, passou. Mas ficou, dá pra entender? Se dá, alguém me explique, por favor. Até ia falar do saldo da festa, mas um certo e-mail recebido às 04:17h da madrugada (quinze minutos depois de termos deixado a tremelga-mais-tremelga-que-nunca em casa) traduz, como eu jamais conseguiria, o que foi esta noite: querido, eu nao sei pq nao entra capre. blog´spt. p,;;´pot wur ´r que eu estou aqui no omutador? acho que eu preciso dpr,os abe ´pr qie? ´rp qie ei spi uma bilarina, svc j[a saboa? claro que sim, pq v é bailarino tambem que eu sei. muito ais do que o victor do muitgars. p´romete que eu na vou aes rever nenhum emaol hpje? cp,mbinsado, acho que estou i, ´pouqinh alcoolizada, ne? uma coqueteleria, .emebra? te amo muito, chuhu! Tecolina, achoqeu veou dormir. ombinado? Ei vc é o "carpe", no é? tomara eus qie sim. se nao fro, finge que eu nem exiisto, combinado? foi engano, tutututututututut Ainda não consegui parar de rir! O meu mal pega, viu, sua doente? HAHAHAHAHAHA!!! 11.10.02
Prometo tentar me acalmar. Prometo me esforçar para não ser grosso com ninguém. Prometo, mesmo exaurido, não reclamar pelo dia escroto que tive. Prometo diminuir o ritmo, falar mais devagar, ser mais paciente. Prometo ir pra casa e deitar no escuro, ouvindo música de elevador. Prometo não dormir tão tarde, para aguentar o tranco deste sábado. Prometo não praguejar (muito) por ter que trabalhar no fim de semana. Prometo encher a cara e cair na bagaceira quando sair desse escritório amanhã. Prometo respirar mais devagar, que não quero enfarto hoje. Prometo que vou dar um jeito nisso. Em breve. A gente vê. Eu estava meio bêbado (que o perfume da rosa vermelha inebrie os teus dias!), caindo de sono, mas não teria escrito nada disso se essa oportunista não inventasse de me hipnotizar com aquela voz doce, meiga e cheia de más intenções, HAHAHAHAHA!!! Por favor, ignorem e-mails, papo no icq, eventuais comentários e qualquer diálogo telefônico comigo após a meia-noite de ontem. E, da próxima vez, obriguem-me a dormir! Eu obedeço... ;-] Estou bebado, nao devia etsar escrevendo... é o v´vio, éo vício... Sei l´sa mas acho que a Teca está falndo comigo, nreh? Ela esta´pedindo pra postar que é pra gente rir depois da maemota... Vouy ho9jgar águsaa mac ara .... Promete pra teca... Eus pou doido..d oente,,, eadoto alejsnfroSnasaz o mrlhor de todosd que vaui vcasar com atca ,masv foi elsa quwem diusse! Vou dormir! 10.10.02
Porque nosso tempo é o gerúndio... É, né? Sempre fui fanático pelas nuances da Língua: brincava de conjugar verbos defectivos e anômalos, testava os tempos, os modos, as inflexões compostas... lembro de passar as tardes às voltas com dicionário e gramática, buscando, confrontando, assimilando, tentando entender. Hoje, perifrástico, contrariando a tendência mercadológica e a inteligibilidade atilada dos sábios (sou tolo, que dúvida?), enovelo-me nos pretéritos e futuros sem dar conta do presente – indicativo, subjuntivo, subjetivo –, do presente mais-que-presente correndo na minha frente, sem que eu acompanhe porque parece mais simples fincar o pé na falsa segurança do que já foi ou tirá-lo do chão no sonho delírio alado incerto porvir. Manter o ritmo, dar um passo seguido do outro, escolher o caminho sem ceder à tentação cômoda de parar à pedra, isso não é tão fácil e natural quanto parece. Mas não pode ser tanto estorvo, não posso deixar parecer tão complicado assim. É quando os olhos precisam de horizonte, e o coração, de pouso. Quando a angústia invasora deve-se curvar ao equilíbrio - incerto, que seja, mas apaziguador. Este mar aqui dentro quer virar lago sereno, para que outras ondas possam dançar a música dos novos ventos. Até hoje vê-se a marca da sunga: dois meses passados, ainda não perdi a cor das férias. Nem pretendo voltar àquele verde-escritório típico, que não combina comigo. Tenho conversado com as mulheres que quero: acho que vou-me embora pra Pasárgada. 9.10.02
RECADOS: - Não tenho lido blogs. - Não tenho lido. - Vejo os e-mails todo dia, mas não respondo a maioria há muito tempo. Sem saco, me perdoem. - Não escrevo cartas, a última tem anos. Uma pena, preciso rever isso. - Se não ligo - e eu sei que não ligo - é porque não gosto de telefone, todo mundo sabe. E meus horários são estranhos, não quero incomodar. Não me exime, assumo. Não me obrigo, desculpe. - Tenho pensado muito. Muito. Por isso, ando calado, soturno, quase arredio. "Nebuloso", como me disseram. Necessidade. - A quem não me encontra, meu perdão. Detesto ser "difícil", mas, às vezes, preciso sumir. Para descomplicar, estou de celular (de) novo. Mesmo número. Liguem-me a qualquer hora, vou adorar - ou não atendo, simplesmente. Câmbio, desligo. Tô me sentindo! Hoje já elogiaram minha camisa (várias vezes, como se eu nunca tivesse usado), o sapato (é o de sempre, pô! meus sapatos são todos iguais: pretos, bico quadrado, sem cadarço...), os óculos (também adoro! ), o cheiro (Monsieur, da farmácia, bem baratinho!) e o cabelo (F-X Studio Line, da L'Oréal, duro como concreto). Deve ter sido a combinação. Acho que só vou usar esse modelito daqui pra frente. Se o gel acabar, não tomo mais banho e seguro no perfume de deirreau. Mudei aí do lado: gente nova, mais um filme, outro livro, amiga no peito. Aliás, hoje é dia de anos dela! E, pra não perder a piada, que é sempre bom rir (e com a Rô, inevitável e tanto melhor), deixo meu IMENSO beijo e vontade absurda de ver essa coroa feliz!!!! ![]() Feliz aniversário, minha jóia! ("minha jóia" é brega como tu, HAHAHAHAHA!!!) E bora bebemorar! 8.10.02
E acabei de descobrir que nO Livro dos Gatos tem um poema dos meus preferidos! Baudelaire, aqui. Bastante oportuno, por sinal. Mais um dia suadouro: a temperatura continua nas nuvens - ou no inferno, dependendo de como se lê a metáfora -, apesar da chuva que caiu. Vou me jogar no chuveiro, que banho de água fria é só mais um. O calor aqui dentro não dá trégua, mesmo assim. Quente, quente, um calor seco, cortante, parado. Deito, não consigo dormir. Só consigo pensar naquele filme. E no gelo, ah, o gelo... I don't know you. You really don't know me... (...) Will you take off your dress? Does this excite you? Vontade de água. Aliás, vontade de apagar o fogo.
7.10.02
Fora do escritório por dois dias seguidos, parece outra vida. Hoje só trabalho até as seis da tarde, olha que maravilha! E ainda vou aproveitar para passear pelo centro de São Paulo, programa que eu ADORO e há muito tempo não me dou. Amanhã, treinamento de novo - mas sem gravata, libertação bem-vinda! A cabeça arejando, as idéias encaixando, os rumos se ajustando. Uma segunda-feira de respirar, e a semana começa nos eixos. Muito bom. Ontem à noite, na tv, Moulin Rouge: Come what may. Agora, Romeo and Juliet: enquanto Des'ree canta, a troca de olhares através do aquário. I'm kissing you. Essas mensagens me apertam o peito, enchendo minha cabeça de imagens e músicas outras, ainda não mostradas, ainda não tocadas, sempre as mesmas, todas repetidas, como não seria diferente: as histórias de amor já foram contadas. Comedidas, exageradas, desejadas. Ridículas, todas elas. Necessárias. "Como esse monstro, o amor, brinca comigo..." Eu, querendo brincar também. Mas, se parece Paciência ou Campo Minado, na verdade é xadrez: não posso jogar sozinho. 6.10.02
Vou lá votar. Pela primeira vez na minha vida, vou exercer meu direito e dever cívico de indicar um representante político. Sem me alongar, que a discussão não se esgota e merece, pelo menos, uma cervejinha para relaxar um pouco, o que digo é: Seja o que Deus quiser. E essa não é, definitivamente, uma sensação confortável ou sensata. Preciso me concentrar no hoje para pensar no futuro, mas não tem jeito: ando reminiscente. A carência - é, eu tô carente, sim - me faz lembrar de beijos, camas, cheiros, risos, brigas, lágrimas… e de palavras, claro, que são elas as juras inesquecíveis, as mágoas, os perdões, o alicerce visível e mensurável das emoções. Elas são, também, memória. A vida seria mais fácil com um interruptor de esquecimento ali, atrás da orelha direita, ajustável para momentos, pessoas e lugares específicos - não digo que fosse melhor, pois as marcas têm papel fundamental no nosso crescimento; mas acredito que, com um botão assim, pelo menos certos fantasmas deixariam de assombrar quando julgássemos conveniente. Ouvi palavras muito duras quando alguns relacionamentos meus terminaram, algumas delas até hoje ecoam na minha cabeça. Por muito tempo carreguei a culpa: baixei a cabeça e aceitei as acusações, visualizando minhas falhas (em muito decorrentes de pura ignorância - o que não lhes atenua, infelizmente) e me afligindo com o pesar da condenação pelos delitos assumidos, mesmo que eu não tivesse a clareza da justiça nessa sentença. Simplesmente assumia os "pecados" e cumpria a penitência que me davam. Cansei disso. Não quero mais me sentir o mau, o escroto, o imaturo, o perdido, o insensível. Revendo esses relacionamentos, enxergo meus erros: pisei na bola muitas vezes, nem me passa pela cabeça qualquer tipo de isenção. Mas fiz a minha parte, sim, e o que ocorreu que conduzisse à separação, isso nunca estaria nas minhas mãos, ou sob o meu controle exclusivamente. Não quero mais pensar que eu poderia ter "salvo" a relação: mesmo que o desconforto e a insatisfação partissem de mim, motivação sempre houve, por mais particular que fosse, e a verdadeira "injustiça" estaria em manter aparências se meu coração dizia de outro jeito. Fantasmas, vão embora! Agora, só me deixo perturbar se eu concordar com o veredicto. 4.10.02
Hora de ir pra casa, lá-lalá-lalá! Vou-me embora, nem quero saber. Estou com vontade de andar pela rua, ver movimento (é um saco ver o comércio de Pinheiros todo fechado quando saio daqui às dez da noite), passar na Fnac, comer umas castanhas, ouvir Xangai e Elomar, cantar com Virgínia Rodrigues, tomar um banho gelado, deitar na rede da sala e ler gibi... E o melhor: vou fazer tudo isso! Um ótimo final de semana pra minha mãe, pro meu pai, pra você e pra mim também! :-D E olha o que os astros estão me dizendo hoje: "O momento é favorável para realizar algumas pequenas modificações em sua vida social. (...) Sentimentalmente, você está mais sensível. O mau humor pode interferir em sua maneira racional e prática de pensar. Procure evitar que assuntos de menor importância possam atrapalhá-lo. Hoje é um dia excelente para você parar e meditar, portanto, aproveite para fazer um balanço completo de toda a sua vida. Este sextil coloca muita energia e impulsividade em sua vida emocional e o torna ansioso por novas amizades e ocupações. Este é um bom momento para fazer alguma coisa diferente e inusitada. (...) é melhor realizar trabalhos que exijam a aplicação de pouco dinheiro ou preferencialmente de nenhum *. Procure não se arriscar financeiramente, pois este aspecto não favorece nenhuma aplicação." * Quanto a isso, nem opção eu tenho: dia 04 do mês e já estou no vermelho... De resto, sou suspeito para falar: eu acredito em horóscopo, nunca neguei. Mas queria saber de gente que entende do assunto se é por aí mesmo... Sei uma meia dúzia de palavras difíceis e conheço algumas regras gramaticais, nada além disso. Se fico me fazendo de filósofo da vida, é resquício de uma necessidade infantil de chamar atenção pra minha inteligência, em busca do reconhecimento e da estrela dourada no meu peito, com o recado da "Tia" - figura máxima do julgo intelectual - no caderno à mamãe, endossando meu brilhantismo e competência. Grande coisa: esse tempo já passou, não preciso mais disso. Hoje eu só quero fazer graça e rir da vida. Deixo as grandes questões para quem nelas encontrar sentido. (esse é um bilhete para mim mesmo, para pregar no espelho e na geladeira) 3.10.02
Eu não ia escrever sobre ontem à noite... Aliás, não vou: a outra lá já fez isso. Tudo o que tenho a dizer é que ela é um ho-Rô! (...) E ainda teve o descaramento de colocar isso no ar! Pode, uma coisa dessas? Bom... como eu não posso amarrar essa mulher, o negócio é aumentar o som e entrar na dança! ;-D Pra descontrair um pouco, que essa preocupação toda, só eu vou conseguir dissipar. Descobri que, fazendo se uma pesquisa no Google por "Carpe Diem", nas páginas em português, o primogênito aparece como primeira referência da lista! E este blog é o terceiro. A gente vê que eu ainda escrevo demais... E olha que eu melhorei um bocado do vício, hein? ;-) Preciso parar. Sou muito instintivo, impetuoso. Se não me controlo, meto os pés pelas mãos. No meio da confusão, virar a mesa parece que vai resolver. Não vai. Estou buscando outra saída. A saída. 2.10.02
Acabei de fazer o exame de proficiência em língua, pré-requisito para a inscrição no Mestrado. Foi fácil. Bem fácil. Como fácil seria montar um projeto. Como, por trabalhoso que fosse, não me exigiria tanto ler a bibliografia indicada para a prova no prazo. Como, querendo, eu poderia me esforçar e convencer a Academia de que estou pronto para ela. Querendo... O problema é justamente não saber o que eu quero: investir nesse projeto? mudar de área? de emprego? voltar pra "casa"? Não quero a esperança de óculos, mal enxergando. Não quero mais esperar: quero, preciso, vou apostar de novo. E ganhar o bolão ou quebrar a cara, como sempre. E aposto, como sempre, que vai ser melhor do que ficar assim, esperando. Eu quero o bolão. Chega a ser ridículo, mas às vezes eu penso que já escrevi o que precisava. Relendo o Eu no meio do mundo - faço isso sempre -, achei um post que traduz bem como estou me sentindo agora com essa história do ser gay de que falei ontem. Eu sei o que não. Não sou de boates, não mais. Já brinquei muito disso, me encheu. Não sou de sexo fácil, não tanto. A facilidade me cansou, preciso de outros estímulos. Não sou da noite, ela me cansa. Prefiro as cores do dia. Não sou de muitos, já fui. Muito energia dispersa, mais fácil concentrar. Não sou efêmero, não gosto da sensação. Me estimula o desafio de desvendar, o embate, o além disso. Não sou comedido, esbarro nos extremos. Apesar do raciocínio matemático e prático, sou passional, essencialmente. Não sou óbvio. Duvidem de mim: eu mereço e espero. Não sou um número. Letra, um nome, todos os nomes. Talvez, gente. Não sou o tempo todo. Sou aos pedaços, aos cortes, cenas de capítulos que nem sempre formam um enredo coerente. Não sou primavera. Por dentro, furacão que leva a Oz. Por fora, depende. Não sou pouca coisa. Nem muita. nem na medida certa. Sou isso daqui, e pronto. E chega. Estou remoendo esse assunto porque ando às voltas com um site de encontros novamente. Topei com um "perfil", quis conhecer o fulano, fiz um cadastro. E daqui fui para ali, de lá voltei para cá, nos descaminhos encontrei a futilidade que tanto me incomoda no "meio". Detesto a generalização, luto contra os meus próprios preconceitos. Não me dou à apologia ou a demagogismos, só não quero ser rotulado. Não faço parte de uma "classe antropológica", meu Deus! Alguém faz? Eu sou um indivíduo, complexo por natureza, talvez passível de alguns enquadramentos sociais, mas nunca restrito a isso. Como todo mundo. O discurso pode parecer paradoxal e contraditório em si mesmo, mas é justamente o oposto: é um protesto, um chamado à não-sujeição. Ou, pelo menos, a minha proclamação de liberdade ao modus vivendi gay instituído ou apregoado ou imaginado. Isso não existe, essa malha ficcional em torno da plurissexualidade é apenas um aspecto ou uma face do prisma tão maior que é o gostar - porque não acredito que a questão seja apenas animal, limitada ao coito ou ao cio. É mais, é muito maior. Se é físico, químico, holístico, não sei nem pretendo descobrir. Só quero viver, do jeito que melhor me convier, dividindo toda essa inquietação - ou simplesmente esquecendo dela - com quem, não necessariamente concordando, pelo menos se esforce em entender meu ponto de vista, assim como eu exercito minha compreensão ouvindo e assimilando as divergências. Estou pedindo muito? Quero eco, ressonância ou, na falta, um espaço para a voz não ter que calar. Pronto. 1.10.02
Joyce fala de rugir, e é isso. Eu quero rugir como o leão também. Eu quero fazer barulho, porque ele é o passo para o silêncio, a calma e a paz que eu mereço. Assim me parece, assim se me apresenta, não sei se tem que ser assim, mas não sei outro jeito. Quero rugir, quero gritar, quero sumir. Eu quero o tempo de fazer do meu jeito. Se o labor dignifica o homem, ninguém duvide do meu caráter. Nem todo o tempo que fico no escritório é de produção: tomo água, leio, escrevo no blog, brinco também. Mas não faço corpo mole: ralo muito, quem já trabalhou comigo sabe disso. Só que a coisa tá ficando preta por aqui. Ontem, por exemplo, saí antes das oito – ultimamente, o normal é às dez da noite – por pura falta de capacidade mental para continuar. Foi tão corrido que cheguei em casa, tomei banho, comi e dormi. Antes das dez, vale dizer, e eu costumo deitar depois das três todo dia. Acordei no meio da madrugada e corri pro banheiro, achando que era hora de me arrumar. Vi o escuro, me acalmei, li um pouco, demorei a pegar no sono. Sonhei muito até o dia clarear. Muito, e isso é bem estranho. Um espetáculo de dança, praia, um labirinto, rostos conhecidos, ambientes nem tanto, muito céu, muito céu. Preciso voar, deve ser esse o recado. Não nasci para isso. Paraíso (aproveitando a eufonia): quero construir o meu. Cheguei tão exaurido em casa que dormi com a colher do sorvete na mão. Acordei na madrugada, bexiga cheia, aproveito para ver os e-mails. Ia escrever, estou precisando. Mas bateu o sono agora, e falta ânimo para o denso ou reflexivo. Sim, eu estou tão cansado. O peso dos anos, deve ser, que os tenho muitos às vezes. Isso faz toda a diferença. ~ início ~ |
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