~ gente ~






13.3.07
 
PA(REN)TÉTICO
Esse blog anda meio empedernido: perdi a mão, perdi o gosto. Não queria mais saber (de) escrever - se é que já soube em algum momento desses cinco, seis anos de (nem tão e cada vez menos) "diário". Cansei. E descansei. E entendi que não me sinto mais à vontade com o personagem autor de blogs que um dia criei (e amei): ele (não de) hoje me incomoda na sua velada presunção, eu me incomodo no meu disfarçado (des)interesse. Não parece mais fazer sentido ficar aqui fazendo tipo, pagando de culturete, comentando as mesmas notícias que todo mundo comenta, rabiscando rascunhos de literatura para impressionar os pouco críticos (ou com menos repertório), espremendo assunto para bater ponto, (me) expondo por muitas razões e sem muita razão. Pensei em mudar o leiaute do blog, mas a questão não era aparência (ou era principalmente essa, mas não dessa), então desisti da idéia - até porque as idéias, se não faltam, parecem não mais precisar de tanta voz, de tanto apelo, de tanta resposta. É como se eu finalmente tivesse percebido (e incorporado) a importância de mais ouvir do que falar. Já não sinto aquela necessidade de ocupar um espaço, de ser (re)conhecido por qualquer motivo, isso deixou de importar. Quero mesmo é outras coisas, quero tratar das minhas (in)constâncias. Gosto do exercício de escrever, mas sei que há outras formas e outras penas e outros ninhos e outros olhos. Se volto um dia? Claro - pode até ser amanhã. Sou suficientemente consciente das minhas multidões, e não me privo de voltar atrás (ou de ir adiante) por orgulho nem nada do gênero. Talvez esse post seja mais pra justificar a ausência dos últimos meses do que pra antecipar mais um intervalo (viu, amore?). Ou não. Ou sim. O fato é que a água corre, o tempo passa, a vida é uma loucura atrás da outra, e eu estou aqui, calado às vezes, gritando às vezes, mas seguindo.
Não, não vou sumir. E continuo, sim, nos lugares e tempos de sempre, daquele jeito de sempre, (me) achando.

10.3.07
 
BÊUDO
Deletério. Linda palavra: deletério. Tão politicamente correta quanto inescrupulosa, porque se mente. É imunda, essa palavra: deletério. Como é imundo seu sorriso, como são deliciosamente pérfidos os seus olhos de ressaca, amore.
E eu quero me manter embriagado, se for pra ficar assim. Ins-pirado.

4.3.07
 
CRISE NAS INFINITAS TERRAS
Eu pertenço a outro mundo. E, no meu mundo, os olhares são pra todos. Os afetos são pra todos. Não há camisas sem cor, música sem dança, beijos sem vontade, caipirinha amarga. No meu mundo, eu posso admitir que não queria outro colo, que talvez tenha me arrependido (se bem que no meu mundo não existe arrependimento), mas esse talvez, como todos os talvezes, pode durar um gole de cerveja, um refrão inteiro ou duas semanas, não importa. Importa é que eu sinto falta, mas tenho medo de essa falta não caber nesse estranho mundo, só no meu. Só no meu outro mundo, onde tudo faz mais sentido (porque nesse aqui, a falta parece não fazer nenhum). No meu outro mundo não há níveis 1 e 2, não há dipirona nem dor nos pés. E o sono é controlável e previsível, por causa das estrelas. E ninguém faz perguntas difíceis, a não ser que elas nem sejam tão difíceis, ou que as respostas estejam bem fáceis (o que me assusta - eu tenho medo do que é muito fácil).
E me sinto frágil, porque o difícil também assusta.




~ Cada um escolhe a verdade
em que quer acreditar.
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