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29.10.07
(...) Não sei se quero contar de fatos recentes como um encadeamento linear de acontecimentos - aliás, tenho preguiça de contar dos fatos. Queria, em algum momento, nem sei se aqui, falar sobre a morte da minha irmã. Queria falar sobre as dores do meu coração e as dúvidas da minha cabeça. Queria publicar fotos, montar álbuns cheios de imagens bonitas de gente querida. Queria deitar numa rede, tomar vinho e ficar olhando as estrelas. Queria uma janela (e um céu) que me permitisse ver estrelas. Queria comentar o discurso de Luciano Huck sobre a violência urbana - ou voltar no tempo e mudar umas coisas. Estou angustiado. Cheguei ontem de casa, com um peso nas costas. Eu, que sou tão objetivo, nem sempre sei lidar com objetividades. Ou sei, racionalmente, como lidar, mas não consigo administrar as emoções envolvidas nessas questões. Em duas ou três semanas, devo estar de volta à minha terra natal. Não definitivamente, mas por conta de situações definitivas. E, confesso, estou com medo. Um medo que, pelo bom andamento das coisas, não posso demonstrar. 21.10.07
NEM DEUS Alguém aí está t-r-a-b-a-l-h-a-n-d-o neste lindo domingo de sol? Pois eu tô. Desde as sete. Praticamente um cobrador de ônibus. Ou um motorista. No sétimo dia, descanso é pra os fracos (como diz eterna roomate). 18.10.07
A PROPÓSITO Você não tem um nome e eu tenho Você é rosto na multidão E eu sou o centro das atenções Mas há mentira na aparência do que eu sou E há mentira na aparência do que você é Porque eu não sou o meu nome E você não é ninguém (Jogo perigoso, Fauzi Arap) 16.10.07
A CORRENTE CORRENTE Recebi do Guiu e gostei da idéia. Funciona assim: 1ª) Pegue um livro próximo (PRÓXIMO, não procure); 2ª) Abra na página 161; 3ª) Procure a 5ª frase completa; 4ª) Poste essa frase em seu blog; 5ª) Não escolha a melhor frase nem o melhor livro; 6ª) Repasse para outros 5 blogueiros. Peguei na bolsa o livro mais próximo: não tinha tantas páginas. Catei um segundo: num aforismo Drummondiano, apenas um desenho de um velho capitão espetando com um tridente a bunda de um fulano qualquer. Recorri à cabeceira, e eis minha frase: Foi necessário que esta palavra dúvida tivesse sido dita aqui uma e duas vezes para que na memória da morte ecoasse finalmente uma certa passagem do regulamento que, por estar escrita em letra pequena e em rodapé, não atraía a atenção do estudioso e muito menos a fixava. (Saramago, As intermitências da morte) Djoh, Clau, Marisa, Paulinha e Junior, aguardo ansioso para ver o que vocês vão 10.10.07
STILL WEDNESDAY O álcool entorpece. Não é descoberta, claro - é constatação. Tanto que não consigo falar sobre o que me propus falar. Nem aqui nem ali. Desde há dias, quando comecei a beber. E é toda noite: umas mais, outras menos. Toda noite: choppe, cachaça, cerveja, caipirinha, gin, uísque. Toda noite. Pra dizer que hoje sim, pra dizer, pra sempre, talvez. Pra dizer, naquelas entrelinhas que me fascinam e conduzem, que não, que perceba, que vamos adiante. E que foda-se - tantas vezes a gente precisa dizer isso (e não diz). Mais uma noite sozinho na cama. E, mesmo bêbado, entendo que, ainda que só por hoje, pode ser melhor assim. 5.10.07
PÊSAME De volta, ainda meio ressaqueado desses últimos dois dias. Mas está "tudo bem", dentro do que a situação permite. Muito sono, que de ontem para hoje foram só duas horinhas de descanso. Então eu conto amanhã. 2.10.07
QUINTA-FEIRA ANTECIPADA Trabalhei até não mais ter o que oferecer. Onze horas, uma de intervalo: jornada que já foi tão mais pesada, mas eu tinha outro pique. E outro nível de exigência, claro. Se antes eu corria feito atendente do McDonald's, agora o aperreio é mais para gerente da Daslu em dia de queima. Ou diplomata bêbado fazendo tradução simultânea. Com esse monte de feriado, eu queria mesmo viajar. E deixar o celular desligado no fundo da gaveta da cômoda. Viajar para um lugar onde tivesse mar calmo e ondas mornas - lugar que eu até sei onde, mas "mas". É que tem muito por fazer aqui: tem churrasco, festinha, família, trampo. Essas coisas. Aí, já viu: postergam-se os planos, atrasa-se a vida. Só que amanhã é sexta-feira, e no balanço das horas tudo pode mudar. Então, contagem regressiva pro findesemanão. 1.10.07
MIANDO, MIANDO Lá estava eu vendo a performance descolada do tio Greenaway no meio da multidão de culturetes e "modernos", com seus tênis tipo Conga, casacos vintage xadrez e mullets. Um vento gelado, e eu ardendo por uma cerveja, mas não tinha um ambulante sequer, nem um único oportunista de última hora especulando com seu isopor imundo cheio de gelo reciclado e latinhas quentes e caras. Enquanto percorria os três quarteirões que me separavam do bar mais próximo (isso num evento de rua em plena Paulista, no coração de São Paulo - cúmulo da novatice), pensei que podia fazer dinheiro com isso e só não levei o projeto adiante porque, outro absurdo, o balconista só tinha oito latas geladas no freezer. Mas o assunto nem era a dificuldade etílica. Lá no meio daquela turba de descolados, era natural pensar que haveria de haver umas gentes interessantes, boas de papear, de trocar uns estímulos outros que, se menos, digamos, fisicamente objetivos, são, para algumas circunstâncias, tanto mais, hum... estimulantes. Pois foi o que pensei, ainda mais que ando cansando da frivolidade (necessária e ego-redentora, às vezes) do carnaval do Aracati ou daquele outro lugar onde não se pode dançar com as mão spra cima, que Deus puxa. Pois bem. Lá estava eu, reparando nos óculos arrojados que desfilavam de um lado pro outro. E pensei, então, por um momento ou dois, uma série de coisas que agora, bem agora, a esta uma e meia e pouco (eu adoro dizer a hora assim) da madrugada de segunda-feira, não merecem mais postergar meu sono ainda tão preterido. Outra hora, invariavelmente, eu retomo o assunto. Só digo uma coisa: nem todos os bichanos são pardos, afinal. E eu quero aprender, o quanto antes, a diferenciar um Angorá de um Persa, um Siamês de um Birmanês. Ir além do "aquele é amarelinho, o outro tem listras escuras". Por ora, tem um aprendizado importante aí. Se vou pegar pra criar um pé-duro sem grife ou um legítimo raça pura, essa é a escolha que fica pra depois. ~ início ~ |
~ lendo ~ Alê (BGML) Balu (Sim, eu OdeioSopa!) Beth (E-Beth) Camila (Tapetes de Penélope) Clara (The Clara Beauty Journal) Clau (Lettiânia) Djoh (Caminho Dourado) Ematoma (Objetos de desejo) Gabby (Nêga do leite) Guiu (Perto do coração selvagem) Lola (Escreva Lola Escreva) Marie (Je suis Marie) Phelipe (papel pop) Rafaela (Letra e Música) Renata (o livro de areia) Ronaldo (Satyricon) TDUD? (Te dou um dado?) em que quer acreditar. ~ ~ passado ~ agosto-2009 junho-2009 maio-2009 abril-2009 março-2009 agosto-2008 junho-2008 maio-2008 abril-2008 março-2008 fevereiro-2008 janeiro-2008 dezembro-2007 novembro-2007 outubro-2007 setembro-2007 agosto-2007 março-2007 fevereiro-2007 janeiro-2007 dezembro-2006 novembro-2006 outubro-2006 setembro-2006 agosto-2006 julho-2006 junho-2006 maio-2006 abril-2006 março-2006 fevereiro-2006 janeiro-2006 dezembro-2005 novembro-2005 outubro-2005 setembro-2005 agosto-2005 julho-2005 junho-2005 maio-2005 abril-2005 março-2005 fevereiro-2005 janeiro-2005 dezembro-2004 novembro-2004 outubro-2004 setembro-2004 agosto-2004 julho-2004 junho-2004 maio-2004 abril-2004 março-2004 outubro-2003 setembro-2003 junho-2003 maio-2003 abril-2003 março-2003 fevereiro-2003 janeiro-2003 dezembro-2002 novembro-2002 outubro-2002 setembro-2002 agosto-2002 julho-2002 |
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