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30.4.03
AAAAAAAAAAAAAAAAAAHH!!! estresse. tô cansado, não aguento mais abril - que mês escroto! amanhã vou acordar tarde, passear pela rua sem celular e - quero nem saber - equilibrar os hormônios legal. vou aproveitar para fazer uma limpa no guarda-roupa, separar também uns sapatos que já não uso e, quem sabe, arrumar um tanto de apostilas e xerox da faculdade. cortar as unhas, fazer a barba, cuidar de mim, que tô precisado. e começar maio de um jeito bom, porque abril, minha gente, foi de lascar. Você estará em evidência nesta semana. Será que isso é bom? Você que preserva tanto a vida íntima pode encontrar pessoas amigas que queiram, aparentemente, invadir sua privacidade. Não se incomode. São seus amigos que curtem tanto você que se preocupam com seu bem estar. eu aposto que qualquer outro virginiano checando as previsões do gaia astral vai ler um texto diferente disso, porque esse daí, eu juro, foi só pra mim. e tomara que esteja certo - se bem que tem jeito melhor de meus "amigos" demonstrarem seu cuidado ou carinho, né? ;-] eu nunca entendo como é que esse blog vai parar lá. 29.4.03
estou puto, pra você saber. se tem alguma coisa pra falar, diga na minha cara, não com esses recados idiotas. eu sou homem suficiente para sustentar o que escrevo. e você? tudo que já se leu nesse blog ou no outro seria dito (se não o foi) às pessoas a quem ou por quem escrevi, tenha certeza. eu sei com quem falo, diferentemente de você - que tal me conhecer? se não interessa, por que vem ler? tá faltando trabalho? falta preocupação ou alegria na sua vida? na minha sobra, deve ser por isso. cresça, tá na hora. aliás, cresça e desapareça, como naquela música que você, aposto, nunca ouviu. tenho dormido mais que de hábito, mas parece que o cansaço é muito, e acordo em prestações, desde as sete, ao tocar o despertador, até as oito e tanto, quando efetivamente levanto da cama. nesses hiatos entre o mundo desperto e o dos sonhos, me vêm imagens, diálogos, cenas da novela da vida, sei lá se são déja vus ou trailers do destino, só sei que acordo com uns pensamentos esquisitos de vez em quando. hoje, por exemplo, era eu tomando banho e matutando sobre processos seletivos (???). trabalho há anos na mesma empresa e só participo de entrevistas e dinâmicas de grupo quando tenho que recrutar alguém - faz tempo que não enfrento a agonia de me expor ao julgo alheio quanto a minha capacidade profissional (ou quanto à qualidade dos meus sapatos, a depender do critério adotado, vai saber). mas fiquei lembrando de quando eu procurava por emprego (estágio, na época) e daquelas perguntas default medonhas que sempre fazem nessas situações e para as quais toda "revista especializada" recomenda um par de respostas cabíveis, obviamente emendadas a um sorriso colgate para garantir que ao recrutador só vai restar escolher pelo sapato, já que todos os candidatos terão lido as mesmas dicas nas mesmas revistas e bombardearão as mesmas respostas default medonhas com desconcertante naturalidade silviosantista. é assim mesmo, eu lembro, todo mundo com terno ou taileur discreto, azul-marinho, de preferência (segundo a chic Gloria Kalil), barba feita, maquiagem leve, gestos medidos, segurança decorada, ai, ai. mas eu pensava mesmo era em uma pergunta específica, tão constante quanto ardilosa, sobre como você se vê daqui a cinco anos. aí, o pobre pleiteante tem que sair com uma pérola que denote toda sua ambição, garra e, uau!, vontade de virar um mega executivo e fazer a empresa crescer como nunca antes se imaginou. quando eu participar de um processo seletivo (argh, essa denominação parece técnica de tortura - ou fantasia de carnaval) e tiver o desprazer de ser inquirido sobre meus próximos cinco anos, vou ter que controlar muito a língua. bem francamente, eu mal imagino o que vai ser de mim daqui até o final da semana! sendo sincero, falo que pretendo continuar ouvindo música e tomando cerveja com meus amigos, talvez fazer ioga, ir à praia no domingo e dar um beijo de boa noite na testa da minha mãe antes de deitar. gosto de trabalhar, sou até meio workaholic, mas nunca tive talento para predizer o futuro, então não me perguntem se vou ser o próximo CEO da companhia ou se me esperam as latrinas. quero mais é comprar minhas flores na feira e ler meus gibis. me dá uma ajudinha: o que você responderia? o que vai ser da sua vida em 2008? Fale menos, reclame nada e sorria sempre, diz o horóscopo. como assim "reclame nada"? que conformismo alienado é esse? desculpa aí, mas eu é que não baixo cabeça. adoro manter o bom humor, mas isso não significa fechar os olhos nem calar ante o que incomoda ou prejudica. vou meter a boca quando quiser e ficar quieto se considerar valer a pena. por arbítrio meu, fique claro, digam - os astros ou os homens - o que disserem. 28.4.03
hoje dei de ler os primórdios do meu primeiro blog. impressionante o quanto a gente pode mudar em um ano e pouco. e algumas fichas, finalmente, caem. o mundo dá voltas, o ambiente se transforma, nós o transformamos ou nos deixamos adaptar a ele com mais e mais consciência, me parece agora. consegui perceber onde eu errava, o quanto era ingênuo, tanto que insistia, tanto que queria as coisas, pessoas, tudo do meu jeito. bom é que a gente cresce. nem que seja para encafifar na dúvida: daqui a um ano ou dez, o que vou ver de mim hoje? serviço de utilidade pública livro novo na área! pelo que li em "Cada homem é uma raça" e nas "Estórias abensonhadas" (olha que nome fantástico!), não perco por nada esse mais recente romance do moçambicano mia couto. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra Companhia das Letras, R$ 35, 264 págs. 27.4.03
acabamos de ver uma reportagem no fantástico sobre o skol beats, então ficou absurdamente claro porque a gente não pisa num 'evento' desses: o que se escolheu mostrar para apresentar a essência da festa foi um bando de auto-denominados clubbers super descolados que se vestem de maneira fashion e com meias coloridas da hora, exibindo maneirismos muderrrrnos e tentando chegar a um acordo sobre como pronunciar 'clôber', o brilho da teen age nos seus olhos e piercings, e aquele barulho a que um maroto dj patife atribuía o estigma da liberdade irrestrita e redentora. uau. ela diz que, depois de receber uma iluminação divina de alá, vai à edição do ano que vem munida de 130 toneladas de dinamite. eu, que sou zen, me contento com uma noitada, digamos, alternativa. ou com meu quarto em brumas de incenso e muito sexo tântrico ao som de mantras exóticos. no grito da moda, by the way. tá, eu adooooooro dançar e a noite foi ótima! mas deitar com o dia claro e acordar a essa hora é ruim demais. o bom foi sentir que, mesmo com tantas possibilidades, eu já tinha feito uma opção (por alguém, digo). e que me bastava, preenchia, confortava. e hoje tem almoção com parte da turma! e sessão de vídeo em casa - bem acompanhado, se o convite for aceito... 26.4.03
dia corrido, como esperado, e eu aqui, morreeeeendo de sono, às beiras de uma festa e mais outra, esperando me juntar a uma turma do papoco pra investida pela noite (seja ela o que for) e pensando se faço a barba ou acendo um incenso. tô meio de bode porque não vai ter beijo hoje, e eu já tava me acostumando, saco. mas amanhã será um novo dia, da mais louca alegria, ou... bom, deixa pra lá, que esse blog ainda é (mais ou menos) de respeito. BOM DIA, SOL! BOM DIA, CÉU! BOM DIA, MINHA GENTE! manheci cedinho, manheci contente! a garganta dói um pouco, que dormi sem me cobrir, tão cansado tava, mas o peito, uma beleza, leve e confortável, sabe? ontem a gente (tô parecendo adolescente que lê capricho e escreve num diário rosa da hello kitty, mas a vontade é bem essa mesmo) desistiu do cinema - perigava eu dormir -, e fomos tomar uma cervejinha e papear na nati, meu bom e velho reduto, para saber mais um do outro, que me faz falta conhecer e ter assunto. aí, o de sempre: falei feito a mulher da cobra, aqueles meus assuntos esquisitos (me dei conta de que, normalmente, parece que se costuma começar por trivialidades como cinema, música, histórias de escola, não é assim? se é, entendi porque assusto, às vezes, de cara), sinceridade muita, olhos nos olhos nos olhos nos olhos, que eu quero ver o que você diz... aí, a gente veio pra casa, foto de cá, beijo de lá, beijo de tchau, precisava dormir. nem pra festa fui, por mais que quisesse encontrar minhamigadoce e consorte, e eu queria muito, mas não deu. agora vou fazer deliciosos hambúrgueres para almoçar, depois banhinho, trabalho de faculdade no harém (faz tempo que sou eu bendito entre as mulheres), lançamento de livro talvez e, lá quando o sol deitar e a lua brilhar (brega, brega, brega!), aproveito para uns beijinhos e carinhos sem ter fim, la la la la la la... pois é. esse final de semana vai ser bom! 25.4.03
arre! foi dia de falar e correr tanto que a rouquidão só piora! briguei com dois advogados (sem titubear um segundo, um poço de auto-controle e segurança), dobrei cliente histérico, dei treinamento, arrumei legal as duas pilhas imeeeensas de papelada sobre a mesa e, de quebra, ainda resolvi uns três problemas grandes que me atormentaram a semana inteira. ufa! super profissional total, merecia um aumentão! agora é a noite: cinema aqui, aniversário ali, uns beijinhos talvez, só não imagino de onde vou tirar energia pro tranco. e olha que o final de semana promete mais e mais e mais agito, ai... se tivesse nascido menina, eu seria isabel, que minha outra avó tinha um nome meio esquisito. preferiria algo mais diferente, tipo atena - se bem que meus pais jamais escolheriam um nome assim. quer dizer, acho que não, apesar de. eles nem colocaram lino no meu nome, pô! tanto que eu queria... já que é para esse blog ficar beeeem pesado e demorar horrores a abrir, mais uma foto feliz: eu e a nêga, palhaços como nós só, no ponto de vista de outro que não vale nada. e, por isso mesmo, vale tanto. brigadão, rô! adorei, te adoramos! 24.4.03
eita, finalmente a beth publicou as mil fotos do final de semana com a psicopata aqui no sumpaulo. eu só tenho uma coisa a dizer: é TUDO montagem, tudinho, tudinho. e as escabrosidades que andam dizendo por aí, vixe!, não passam de CALÚNIAS DESCABIDAS E EXAGERADAS, hahahaha! olhaí o que é felicidade: ![]() e tem também uns clicks no lançamento do livro (beeem mais comportadas, diga-se...)! 23.4.03
nada de aula, com essa gripe não dava. chego em casa, banho demorado, meia garrafa de vinho com queijo metido, ainda fome e um cachorro quente, ligo para uma amiga, depois outro, mais ela e aquela: muitas saudades. no som, michael nyman, trilha sonora de "o piano". nem todo meu léxico permite, nem toda minha sensibilidade é suficiente para descrever o que sinto por esse filme. lembro da primeira vez, naquele cinema velho de veludo vermelho no centro da cidade quente, com minha mãe, eu era menino. lembro da segunda vez, dias depois, eu precisava ver de novo. e foram várias outras sessões, sempre o mesmo arrepio, sempre nova emoção com a fotografia de pouca matiz e muita sombra, tanto dito, tudo ali, pra quê cor? e ada, hol(l)y ada, sua filha dançando na praia, o piano sozinho na praia, as composições e enquadramentos mais lindos que já vi na tela grande, dedos tocando, almas tocando, ela tocando o homem bruto que a tocava - deus, a força de um toque! the heart asks pleasure first, música, música, música… the promisse, lembro de quando escrevi sobre essa trilha, momento de dor, um filme vivido, eu queria tocar piano para não precisar falar, às vezes. "since ada doesn't speak the piano music doesn't have the usual expressive role, but becomes a substitute for her voice. the sound of the piano becomes her character, her mood, her expressions, her unspoken dialogue, her body language" para quem gosta de olhos, para quem vê através deles, cada personagem (ada, a filha, o marido, baines) é uma experiência, cada olhar explica, instiga, convida. ouvindo a música agora, mal consigo me concentrar no que escrevo: the fling, claro, meu juízo perturbado. é que eu queria carregar uma placa no peito dizendo o quanto essa história me é preciosa, muito que me comove, pés sem chão, chão pra quê? ouve a música! dreams of a journey, viajemos sonhando. porque sim. estava vendo uma foto, era bem bonita: dois se beijando, parecidos. lembrei de anteontem, quando fomos ao café vermont, e não consegui desviar a atenção de um par de lindos vasos se amassando junto a uma coluna. vasos grandes, torneados, quase idênticos em forma e conteúdo, a julgar pela rapidez com que partiram da abordagem à ação e pelo silêncio em favor do calor dos corpos que se seguiu (eis o grito lancinante do meu preconceito). pensei agora no quanto nos deixamos iludir pelo espelho. ou fascinar. me parece que, buscando o encontro, não raro confundimos afinidade e coincidência, eco e reflexo. momento de refletir sobre até que ponto me engano com sonhos de complemento ou, narciso, condiciono minha chance de felicidade a uma projeção do meu egocentrismo. Você é demais, mas não exagere. Mesmo sem querer você poderá passar a idéia de que é pretensioso e fazer com que as pessoas o olhem como um cara pedante. Mesmo que realmente você seja o melhor abaixe um pouco sua bola e conviva bem com todos. pôu, pôu, pôu! os astros resolveram dar na minha cara com vontade. 22.4.03
e se não tivesse o amor? e se não tivesse essa dor? é que, nessa de deixar de ser tão fácil, acho que fiquei difícil por demais. posso apagar as barras de ferro que me protegem (aprisionam?) com borracha ou algodão, mas não são elas, por que me engano? a felicidade pode ser tola e leve, leviana, o que eu confundiria, sem pesar, com simplicidade, enquanto me questiono se o enlevo profundo com que sonho não pode - olha! - ser igualmente simples, sem esses tão grandes questionamentos, sem toda a enigmática rede de causas e efeitos que quero porque quero aplicar ao sentimento. e ele, o sentimento, ri da minha cara. me mostra o quanto sou bobo, minha paspalhice quando brinco de entender tudo e definir o indefinível, inexplicável. como enquadrar o mundo, se me julgo (ou sei) tão diferente, avesso, único? é nessas horas que tanto queria meu fôlego roubado e minha boca calada com um beijo, para que nada mais fizesse sentido. porque nem precisaria fazer. pois então eu liguei, deixei recado, tive retorno e promessa de cuidados. estou dodói, fico dengoso que só, faço bico e, sim, quero mais é mimo. o que me espanta nesse momento é que, dessa vez, estou (me) permitindo. meu nariz vermelho dói, arde, e meus olhos choram em resposta. e as idéias, e as palavras em profusão, e a cabeça que reclama, e o coração que pede... hoje é dia de pegar o telefone e ligar. e aí que eu gostei desse negócio de escrever sem maiúsculas, sem muito nexo ou verso, logo eu que sempre fui tão purista, tão cheio das regras (gosto de regras, sou virginiano, elas me pautam), então me deu vontade de mandar as regras, as causas e as consequências todas pro espaço. vontade de não fazer nada hoje e só limpar meu nariz que não cansa de escorrer, deitado na rede da sala, ah, se fosse possível, lá eu ficaria só lendo uma pilha de gibis e Zumthor (que eu tô enrolando faz tempo), ou até televisão, hoje eu veria tv, só não queria "ter que" qualquer coisa. é, hoje eu queria um nariz 100% e que a noite fosse pra gente. Passou a Páscoa. Comi, bebi, beijei, ri, caí, dancei, gripei. O saldo foi bom. E entendi que um pedaço do meu coração tava lá no Mulungu. 21.4.03
"Te amo mesmo que por causa das tuas mãos eu não saiba o que fazer com as minhas", dizia Bethânia às cinco da manhã enquanto eu pensava no quanto sou idiota, no quanto me defendo sem que haja ataque nenhum. Aquele medo, será? De ser feliz? Sim, quem disse que não dá para ser feliz se me incomodam o comprimento da calça, o estilo meio grunge, o apreço por noitadas e mais um sem-fim de coisinhas que ainda vou descobrir? Lembro de que, na noite anterior, eu estava bêbado e com a língua solta, solta, sincero como o álcool permite e obriga, prevenindo sobre o meu complexo de superioridade, alertando das inúmeras sanções que invento para justificar minha insegurança e, pior de tudo, transpirando uma libido que me envergonhou na manhã seguinte, mas que, claro, não deixa de ser o que há de mais cru e puro em mim também… Mesmo com tudo isso, nenhum dos dois desistiu. (…) Então, para que lado pende a balança dos prós e contras? Ontem já foi o quarto encontro e eu ainda quis, e ainda quero, e tô pagando pra ver aonde podemos chegar. Que seja ao quinto, que seja aos quintos, eu topo. 20.4.03
Teve uma festa aqui em casa ontem, eu lembro. Ana se estabacou no chão - comigo por cima, que a gente sempre se dá uns abraços de cair. Quebrou-se o filtro, jorrou água na cozinha. O casal magáiver consertou, e eu nem vi. Só sei que a bagaça foi até as três da manhã, quando a dona da casa botou ordem na farra e mandou os últimos foliões para a cama. E diz que uma hora eu saí do quarto com a calça aberta... medo! 18.4.03
um feriado que passa, e eu, que estava sem saco para nada e nem ia escrever nada que prestasse, de repente me bateu, sabe, de repente me bateu uma vontade de cuspir um monte de coisa, como essa vontade louca de sexo, mas não só sexo, não essa coisa banal (banal? banal é caetano cantando que um tapinha não dói, como agora aqui em casa, e nem isso é tão banal como os dias que passam como mais esse feriado que passa e eu na mesma, na mesma, sem maiúsculas porque elas não servem pra nada às vezes, enfim, como eu), não essa coisa banal que tanta gente tem e faz quando bem quer ou dá - eu não mais, eu não com tanta frequência quanto já outrora, eu não transo há quatro meses amanhã, porque eu não quero, porque não tem graça se é só sexo, porque depois passa e fica o vazio, a falta da mão, e mão até a minha cansa (auto-sexo entra na lista de exemplos do princípio da utilidade marginal decrescente que aprendi lá no primeiro ano de faculdade) quando não tem outra mão para segurar. quero cuspir mais, como a porra do e-mail que nunca chega, nenhum e-mail chega, então nenhum vai também, não por orgulho, que besteira, mais por falta de fé no que possa ou poderia ser que por auto-controle. auto-crítica. não sou feio, não sou estúpido, não sou chato, não sou fútil, não sou nada demais nem de menos. gosto de cerveja que não bebo tem tempo porque minha companhia preferida da cerveja está longe. a outra, também. a outra, não pode beber. o outro tá lá, faz tempo que a gente não bebe junto daquele jeito que a gente bebia nas festas da usp, daquele jeito feliz que ele sacodia a cabeça e eu entornava a cachaça e depois a gente caía na praça do relógio e ria ria ria hahahaha, como era bom! faz tempo que não vejo minha mãe também, e como sinto saudade dela, como queria que sua mão - na falta da outra - me afagasse os cabelos e dissesse com os olhos o quanto me ama, ao que eu retribuiria esfregando minha cara na sua barriga e soprando, para ela rir muito, alto, e pronto, não precisaria de mais nada pra gente ser feliz. e vou escrevendo, tirando o cabelo da cara, enchendo as mãos no meu cabelo cheio enquanto não tem outras mãos para esse trabalho por mim, pensando que daqui a pouco ana chega e a gente vai rir muito, vamos ao cinema, depois à festa do boi, talvez, e se sim ou se não, a gente vai beber daquele jeito, vai beber cerveja e rir muito, porque a gente se ama, olha que maravilha! penso ainda nos blogs que não quero ler, que já sei o que dizem, que são sempre a mesma coisa, umbigos, muitos umbigos, e eu já tenho meu aqui, peludo, imenso, profundo,cheio de sonhos e sonos, penso na falta que me faz ter menos medo, ousar, tentar. encontrei teca, conversamos, comemos no habib's (odeio o habib's), andei um pouco, comprei soja, enchi a boca de chocolate - mas eu queria enchê-la de delírio -, deitei na rede, um gibi, outro, três bocejos, um edredon macio, caetano cantando o menino vadio, eu pensando se sou menino-vacilo, descubro um blog bonito, outro besta, outro igual, outro antigo, tão bom, ah, os blogs. vontade de nada, mas vontade de falar com a amiga que está longe, ou com o moço que não sei quem é, ou com aquele fantasma que tanto me atormentou (foi bom, foi bom demais) e com as flores que comprava na feira aos sábados, amanhã é sábado, tem flores, não tenho grana, não tenho saco, tenho irmãos, sobrinhos, páscoa e aquela coisa toda, hunf... existirmos, a que será que se destina? estivera em fortaleza e seria o sol, as ondas, o silêncio de gente para ouvir o mar, não esse barulho de carros, dinheiro, relógios que é são paulo, cidade que me acolheu e que eu amo, sim, amo são paulo, cresci aqui, aprendi muita coisa, cuspi muita coisa, fui cuspido também, porrada e mimo, vou me virando, aprendendo, sendo gente dinheiro relógio e onda. me entrego, fui. e o telefone toca, enfim, o passado chama, querendo ser futuro ou só brincando de presente, não importa, o que importa é que eu não sei distinguir o tempo, não sei o que foi, o que é, o que vai ou pode ser - ou o que quero que seja, se é que me cabe qualquer guideline, deadline, qualquer linha, eu me enovelo. parece que estou sempre me enredando e me enrolando, alguém me tira disso? cansei de esperar pela música que você escreveu naquele dia. 17.4.03
Tô carente pra caralho. Quero beijar, abraçar, pegar na mão, encostar na parede, agarrar debaixo do cobertor, roçar as pernas, olhar nos olhos, morder os lábios, todas essas coisas boas de carinho e mais. Pronto. Já disse. E o tempo ainda. Parece que esse assunto não passa. Ontem consegui responder e-mails. Três. Faltam uns cem na minha caixa de entrada, alguns fazendo aniversário. Mais outros 500 (510 agora, para ser mais exato) de trabalho, que precisam ser checados, guardados, apagados, mas não dá tempo. Como não dá tempo de visitar todos os blogs que eu queria, ou de comentar tanta coisa incrível que leio por aí, ou de trocar mais. Não dá, eu não sei administrar meu tempo para caber tudo o que preciso fazer em um dia. Dia desses um professor falou que nós precisávamos instituir um espaço de leitura em nossas vidas e dedicar, pelo menos, duas horas diárias ao estudo sério e profundo. Tentei contabilizar: - trabalho 10 horas por dia; - na aula, fico mais três horas e meia; - gasto duas horas e meia me locomovendo de casa pro escritório, daqui pra faculdade, de lá pra casa; - mais umas três horas para comer, tomar banho, ir ao banheiro, me arrumar, coisas assim; - e outra meia hora, em média, para atividades diversas, como supermercado, lavanderia, compras e o que for preciso resolver; - o resto do tempo (quatro horas e meia, variando um pouquinho) são o que me sobra para dormir feito pedra e recuperar as forças pra jornada do dia seguinte. Lazer é quando falto aula, ou quando invento tempo abrindo mão da obrigação. Mas, via de regra, me sobram coisas para o deadline diário que Deus me deu. Eu, que sou tão organizado, não sei como melhor aproveitar meu tempo e encaixar tudo, então peço desculpas e vou levando, bolando, tentando. Uma hora (ah, uma hora...) eu aprendo, descubro o segredo das pessoas altamente eficazes ou invento um jeito de parar tudo. Espero. Espero, espero, espero...
Gui, Chuchu, namorada do Jeff e o próprio, eu, Rô, Marcos, Dani, Gabby e (ufa!) Beth. Foto do lançamento do livro da Dani. Pois é: quem perdeu, perdeu. 16.4.03
BESTEIRAS (Adriana Falcão) Tirar noves fora dos números das placas dos carros. Dedilhar no ar o ritmo das sílabas das palavras. Pisar só uma vez em cada quadradinho da calçada. Ir pelo branco. Ou pelo preto. Pé direito no branco, pé esquerdo no preto. Agora ao contrário. No ritmo. Um, dois, um, dois e se eu parar de respirar de repente? Pronto. Parei. Ai, pra que eu fui pensar nisso? Bem feito. Eu estou cansada de saber que toda vez que eu penso em parar de respirar eu paro mesmo e não respiro mais. Respiro, sim. Senão, eu já tinha morrido. Agora, por exemplo, eu estou respirando perfeitamente. Não estou? Não estou. Mas, se eu pensar em outra coisa, eu respiro. Qualquer besteira serve. Vamos lá. Uma besteira... Inventar uma vida pras pessoas que passam. Esse é casado... Mas nunca esqueceu uma antiga namorada. Médico? Veterinário! Aquela ali, está loucamente apaixonada. Trabalha numa locadora, tão sonhadora, coitada... Pronto! Agora eu vou ficar com pena de uma mulher que nem conheço. Melhor pensar em outra coisa. Outra coisa, outra coisa, outra coisa, qualquer uma. Dunga, Zangado, Soneca, Atchim, Mestre, Dengoso, e agora? Alguém sabe recitar os sete anões de primeira, sem faltar nenhum, pelo amor de Deus???? Calma. É uma situação delicada, mas também não é caso de vida-ou-morte. Eu vou lembrar. Será que todo mundo esquece sempre o mesmo anão? Será que é psicológico? Será que existe alguma relação entre o anão esquecido e a personalidade de quem esqueceu? Talvez alguém já tenha feito um estudo sobre isso. É claro que ninguém ia pensar nessa besteira. Outra... Se o próximo carro que passar for verde, ele gosta de mim. Foi branco. Não valeu. Eu esqueci de avisar pro mundo. Atenção, mundo, valendo a partir de agora. Se o próximo carro que passar for verde... Vermelho. LCC 1846. Oito e um, nove, mais quatro, treze, mais seis, dezenove, noves fora, um. LCC? Luis Carlos Campelo. Não conheço. Lá vem um verde! Dobrou a esquina. Será que isso é um aviso? Besteira. Outra. Será que o verde que eu vejo é igual ao que os outros vêem? Isso faz alguma diferença pra mim? Não, ainda bem. Já posso pensar em outra coisa. Outra coisa, outra coisa, outra coisa. Se o sinal abrir enquanto eu conto até dez, eu vou ser feliz a vida inteira. Feliz!! Era Feliz o anão que faltava! 1,2,3,4,5,6,7,8,9,10, o sinal não abriu. Será que é um sinal? Besteira! 15.4.03
Ontem, pela primeira vez, acho que a conclusão me veio de uma forma tão clara e simples: quero conhecer alguém que me leve. Só isso. È a melhor forma de explicar (e não justificar) a minha declarada e sustentada preferência por me envolver com gente de mais idade – e não que isso determine ou condicione, mas é sintomático: a troca que experimentei com pessoas dez, quinze anos mais velhas que eu tem sido justamente o que procuro em um relacionamento, desde o que possa parecer mais banal quanto ao que eu considero fundamental. Respeito, ritmo, interesses, perspectivas, opiniões e atitudes, em (quase) tudo a minha sintonia se afina mais com quem já passou por algumas experiências. Não que isso tenha, necessariamente, relação intrínseca com cronologia. Não que eu seja mais maduro que a média da minha geração, muito pelo contrário: é exatamente por precisar de referências que me vejo mais encantado por quem me ensina ou me diz, com propriedade, "você pensa assim porque (ainda) tem 25 anos". E é isso mesmo! Eu ainda tenho 25 anos, não sei nada da vida, não entendo as grandes questões (elas são mesmo GRANDES?). Às vezes tenho a impressão de sempre ter conduzido, como se o fardo dos caminhos estivesse pesando nas minhas costas e coubesse apenas a mim definir o quê, quando, como, onde, por quê... Não quero desse jeito! Acredito na troca, no acordo, na comutação; defendo o crescimento conjunto, do par, e o conseqüente desenvolvimento individual que advém desse encontro, ora! Mas faz tempo que eu quero, sim, ser tutelado, doutrinado, destruído no que acredito para me reconstruir com outros olhos. E não que isso dependa de uns cabelos brancos, eu sei. Mas a associação é quase inevitável, tanto mais se, querendo "trocar uma idéia, tipo assim", deparo com o esperado e confirmo meu (justo? espero que a vida me prove o contrário) pré-conceito. Mulheres da minha vida Ver Teca seguindo, dando conta. Jantar com Gabby. Estar com ela. Chegar em casa e rolar de rir (telefone, por enquanto) com Balla. Saudade que não cabe no peito. Conversar madrugada adentro (afora, agora, além) com Renata. ;-] Ser surpreendido com ligação da Ana, primeira do dia, logo que chego ao escritório. Chances de um abraço em breve. Minha mãe, com quem falo mais tarde. Sempre do meu lado. E mais tantas mulheres muitas, muito mulheres, com quem aprendi, cresci, que me ensinam dia a dia o árduo exercício de viver. Minha babá, minhas avós, todas as amigas, ex-namoradas, primas, tias, professoras, colegas de trabalho, vizinhas... a vocês, também, meu carinho. A voz da mulher Me embala Me alegra Me faz chorar Me arrepia os cabelos Me faz dançar Me cala ressentimentos Me ensina a amar (...) Eu quero ouvir por toda a minha vida Uma mulher cantando para mim Prefeitura de Bagdá vira cadeia de saqueadores; EUA "miram" a Síria O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Jack Straw, disse hoje que as tropas da coalizão anglo-americanas estavam surpresas com a rapidez com que conseguiram assumir o controle das principais cidades no Iraque, impondo vitória sobre o regime de Saddam Hussein. "As ações militares terminaram muito mais rápido do que nós prevíamos porque o regime de Saddam era muito mais frágil do que imaginávamos", disse. Então agora, que o Iraque já foi, começa a tomada do resto do mundo? Deus nos proteja. Mas não esse mesmo Deus que "abençoa e guia" o presidente americano, por favor. 14.4.03
Eis que começa mais uma semana cheia de aventuras, monstros horripilantes a combater, sacrifícios indescritíveis, dores imensuráveis, legiões de oprimidos a serem salvos e um rimbombar de clarins anunciando os duelos nossos de cada dia. É chegado o momento de revolver o passado e desbravar o desconhecido em busca de Excalibur, há tanto perdida. Sem motivo aparente, o Blogger sumiu com o meu template e agora só permite a visualização do último post publicado. Aconteceu o mesmo com minha homemate, e já tentamos resolver o problema de diversas formas, todas sem sucesso. Estou muito triste. Mesmo. Se não tiver jeito, lá vou eu terminar outro blog. E, porra, como eu gosto desse! 12.4.03
Cansado. [pausa] Voltando pra casa, susto: esbarrei em uma menina do passado, anos atrás, quando dançávamos naquele grupo do nome bonito. Agora ela é mãe de dois filhos, trancou a faculdade, cortou o cabelo. Não dança mais. Eu? Eu passei por três namoros, mudei de casa, não de trabalho, continuo na pindaíba e não danço mais. Conversamos trivialidades, olhos de reencontro. Brilho. Acho que - cada um do seu jeito, cada um a seu tempo - vamos voltar a dançar. [pausa, suspiro] Andreas canta Vivaldi - arrepio. Jane, Tom Jobim. Nem falo. Muito pouco e eu me apaixonaria por qualquer um dos dois: Um, alemão, 35, óculos, olhos pequenos. E aquela voz. A outra, a boca, os cachos, o jazz. E aquela voz. Bastava um (improvável) encontro. ![]() [bed time, good dreams] Oi. É, esse post foi só pra dar um "oi" rapidinho, que hoje, só amanhã. Beijos, crianças. Divirtam-se! E tenham juízo, mas só usem se valer a pena. 11.4.03
Apresentação, auditoria, treinamento, ajuste de sistema e uma jornada de DOZE HORAS (é, aumentou) de trabalho me esperando amanhã. Tô fudidim, em português bom. Então, deixa eu rir um pouquinho, que hoje é sexta-feira, dia de CERVEJA! Bom fim de semana! (a quem tiver essa regalia, claro) LEMBRETE URGENTE! Hoje tem sessão de autógrafos marcando o lançamento do livro de estréia da Dani, a partir das 19h, na Livraria Siciliano do Shopping Higienópolis, com direito a pocket show (diz que ela vai imitar a Lacraia) e tudo mais! Eu já me sinto na fila! Vamos? ![]() Mas chega desse papo carentoso, que remoer assim só faz piorar. Voltando da faculdade, entendi um coisa que me atormentava há tempos: o que mais me incomoda em pegar ônibus ou metrô não é o desconforto, a demora nem a falta do que fazer. O que me deixa doido é o barulho, aquele barulho insuportável de corrida de Fórmula 1 que, pode reparar, é muito parecido tanto no ôins quanto no bicho que corre subterrâneo e sobre-humano, se a gente não prestar atenção. Hoje me deu vontade de gritar por silêncio quando tive que atender o celular e mal consegui ouvir quem estava falando, tendo que quase berrar para ouvir minha própria voz em meio ao rugido do motor e das rodas. ARGH! Cheguei em casa, me deixei ouvir o nada por um bom quarto de hora para, só então, colocar Buxtehude no som, baixinho, um bálsamo para restaurar as faculdades mentais e o equilíbrio emocional. Se eu comprar um walkman para quando não tiver como fugir dos "coletivos", será que ajuda? É como eu disse nos comentários ali embaixo, respondendo ao Sérgio: a questão não é o medo de levar um fora, que isso se resolve com terapia, amigos ou duas doses e pronto. No meu caso, pelo menos, é o sentimento de incapacidade que invade depois, a sensação de não estar à altura do meus desejos. Pode parecer uma simplificação parcial e exagerada, mas é assim mesmo. É como se cada pequena conquista representasse uma batalha pelo passaporte de acesso ao mundo (e permanência nele). E - lição que a vida ainda há de me ensinar - preciso aprender a lidar com o fracasso, que não estou acostumado a perder. 10.4.03
Alguém aí tem telefone de qualquer serviço de disk-massagem em domicílio, cafuné e chocolate inclusos, mais uns beijinhos e uma linda história de amor de bônus? Tô precisando taaanto... eu quero a sorte de um amor tranqüilo com sabor de fruta mordida nós na batida, no embalo da rede matando a sede na saliva ser teu pão, ser tua comida todo amor que houver nessa vida e algum trocado pra dar garantia (Cazuza) - Vim dar tchau. - Já? Podia ter vindo dar oi antes... - É que eu não sabia se você estava interessado. - ?!?!? Mas eu estava te olhando desde lá fora! - Não, eu estava te olhando, e você nem aí... Pois é. Eu falo pelos cotovelos, sou extrovertido, pavão, gosto de atenção. Sou Relações Públicas, meu negócio é comunicação, gestão de pessoas, fluxo de informação. Mas, quando se trata daquele outro tipo de interação, aquele das segundas, terceiras ou múltiplas intenções, o papo é outro – aliás, o papo não é: parece que um arroubo de timidez me invade e eu simplesmente não sei o que ou como fazer. Não sei, ponto. Já me deram dicas, aulas, empurrões, nada adianta. Minha auto-estima murcha ao primeiro sinal de flerte – "Não pode ser comigo!" –, como se fosse natural e justificável que ninguém me achasse interessante (e eu sei que não é assim). Sei lá. Nesses tempos de carência, eu vivo tão facinho! Bom, pelo menos eu estou disponível, e cheio de amor para dar! Então faço charme, dou umas olhadas, coisa e tal, só que não funciona! Começa que eu não tomo iniciativa: sou inseguro demais para essa cara-de-pau toda. Não acho que seja medo de levar fora: tenho impressão de que é um bloqueio mesmo, uma defesa, sei lá (tô confuso, esse assunto me deixa agoniado). Eu simplesmente não consigo "chegar junto", puxar conversa, sorrir primeiro. E, se alguém me encara, por exemplo, eu desmonto! Desvio o olhar, mudo de canto, perco o rebolado na hora. Parece bobagem, mas eu fico tão – ah, deixa pra lá. O fato é que eu dou os sinais, sim. Do meu jeito, mas dou. Como digo sempre, gosto dos bons entendedores e sou muito sutil quando quero. Pena que as minhas entrelinhas, além de já herméticas, ainda tremem feito as pernas ante a possibilidade de um beijo ou mais (sim, eu sonho como esse "mais" o tempo todo). 9.4.03
Sempre gostei de histórias em quadrinhos, desde muito pequeno, ainda antes de aprender a ler. Tive muitos, muitos gibis: Disney, Mauricio de Souza, Turma do Alegria... mas os meus preferidos eram os quadrinhos de ação, cheios de super heróis e vilões em trajes coloridos, disparando raios, voando, salvando o mundo com inabalável bravura e dignidade. Sabe Heróis da TV? Superaventuras Marvel? O Incrível Hulk, Capitão América, Liga da Justiça... eu tinha todos. Os títulos morriam e nasciam, e minhas pilhas iam aumentando dentro do guarda-roupa, do criado-mudo, no canto do quarto. Ainda lembro quando vi os Novos Titãs pela primeira vez: um grupo de pós-adolescentes juntos por motivações diferentes, com superpoderes os mais diversos, aprendendo a lidar com seu amadurecimento enquanto combatiam o Mal e protegiam o mundo do alto da Torre T. De todos eu gostava, se é que ainda não me trai a memória: * Eu queria ser admirado e respeitado como o Robin (que viria a se tornar o Asa Noturna). E ele era acrobata! * Achava lindo quando a Estelar (Koriander, princesa de Tamaran, irmã de Komander, olha como eu lembro!) disparava feito foguete, a propulsão na farta cabeleira daquele mulherão cor de cenoura. * Donna Troy, a Moça Maravilha, meu ícone de beleza feminina... pegava o caderno de desenho e ficava cobrindo os traços, e ainda escrevia "minha namorada" do lado, olha! * Quem não sonhava em se transformar num rinoceronte verde, igual ao Mutano? Ele era o melhor amigo do Vic, o Cyborg, atleta que teve o corpo reconstituído pelo pai para sobreviver, após um acidente. * E o Kid Flash? Eu saía correndo pela casa, derrubando tudo, doido para quebrar a barreira do som, só por causa dele! Outros foram se juntando e se apartando do grupo com o tempo: Aqualad, Ricardito, Dana Markov (a Terra), Jericó... A minha preferida, no entanto, sempre foi Ravena. Ela era empata, podia perceber a verdade dentro das pessoas e, quando preciso, absorver sua dor. Eu ficava maravilhado com o desprendimento dela, sua serenidade, o altruísmo no ato de abrir mão do próprio conforto para ajudar quem disso dependesse. Eu me esforço para ajudar. Não quero posar de bom moço, longe de mim: sou relapso e ignorante, faço minhas merdas tanto sem querer quanto sabendo, às vezes. Mas eu acho, sim, que a vida vale mais a pena se a gente se doa, que é muito gratificante arrancar um sorriso de quem parece só ter lágrimas. Tento servir de corrimão para quem perde o piso, de bengala quando as pernas fraquejam. Tento, de coração, estar junto, segurar as pontas, mostrar que ainda vem a calmaria - sempre vem -, que a gente pode contornar ou conviver com a situação que se apresenta. Mas tem horas que eu queria ser como a Ravena, a heroína superpoderosa, a redentora, a que salva com um toque, sem precisar de palavras, que são meu único recurso às vezes, além do abraço, e as palavras não bastam para algumas dores, como nem o tempo parece bastar se não se consegue enxergar perspectiva porque dói, e eu sei que dói, mas fico de mãos atadas observando, segurando a mão, rezando para Deus ou para Azur que a paz apareça de supetão e tudo se esclareça, limpo e óbvio como água, porque todo problema devia ser assim: fácil. Ontem eu queria ser Ravena, para entrar na tua alma e tirar essa porra de tristeza. Como não sou, vou segurando tua mão e tentando contigo, baby. A gente consegue, tu vai ver. 8.4.03
INFORME DE UTILIDADE PÚBLICA Peço desculpas a todos os amigos e pessoas que me mandam e-mails e, pacientemente, ainda esperam por qualquer sinal de vida ou já desistiram depois de seis meses sem resposta. Não sou insensível nem displicente - longe de mim! É que falta tempo para escrever do jeito que gosto. Mesmo. Até aqui no blog tem sido difícil desenvolver qualquer idéia, então me privo, talvez erroneamente (mas eu nunca disse que sabia fazer as coisas), do protocolo de responder "por educação", sem a disponibilidade de ser tão prolixo ou curioso como de hábito. Isso me desanima. E me envergonha. Vou dando jeito, caso a caso, uma hora eu acabo, tomara que ainda dê tempo. Tomara. Selvagem é bom de vez em quando, como lagosta flambada. Mas meu feijão com arroz é amorzinho, não tem jeito. Intrincada rede Minha ruína é Gabby, que queria falar de qualquer jeito com Chico, que mora com Guiu, conhecido de blog do Ronaldo, que fez faculdade comigo e já é o mais novo amigo de infância de Gabby, que inventou de levar a gente na despedida do Chico, a quem eu dei um gibi, pouco depois de ser derrubado por Gabby na pista de dança, enquanto Ronaldo ria, achando que nada mais seria possível, para ainda nos acabarmos T-O-D-O-S numa noitada inesquecível em plena segunda-feira! Ufa! Chico, que a jornada seja feliz como foi essa despedida, meu caro! Gente... bah! Parece que meu e-mail fez greve no final de semana. Se alguém me escreveu, por favor, retransmita. Ou ligue, ou mande um pombo-correio. Ou esqueça, ora. Quer saber? Acho que eu vou hoje, sim, gata. Mas amanheci de pá virada, vamos ver como estará meu humor até a noite. As roupas denunciavam e a balança confirmou: perdi quase três quilos nos últimos dois meses. Muito trabalho, muita correira, mais um esforcinho controlando a boca e voilá!: Abacate mode off, até que enfim. Então descobri de onde vinha meu imenso desejo de que as coincidências fossem sinal de mais - signos são signos por definição, não é? Mas eu tenho um problema, talvez uma arma que uso como defesa: me deixo empolgar com a mesma facilidade com que canso, desisto, privo de mim. Fruto daquela mesma auto-estima tão positiva que impina meu nariz ou me baixa os olhos, essa cara de metido, tão máscara quanto verdade, a depender do ânimo e da intenção. É que eu tenho aprendido a me conhecer mais e melhor, a me aceitar os defeitos e qualidades, e, grande triunfo, a dar o valor exato que as coisas, pessoas, sentimentos têm ou merecem. Estou conhecendo o meu valor, principalmente, e digo, convicto: não é pouco. Se essa consciência me leva ao pedestal, agradeço pela chance do novo desafio, mas não declino essa dor e delícia: meu coração é passarinho doido para descansar, mas voa ligeiro, arisco, não se deixa prender por qualquer alpiste ou malogro. Ok, vou me fazer mais claro: gosto de ser conquistado a cada dia, constantemente, e já foi o tempo quando bastava um olhar ou uma carta para me arrebatar daquele jeito que eu subo as paredes, já foi o tempo. Passei por coisas, pessoas passaram por mim, não vou mais ouvir qualquer música nem sonhar acordado até doer, entendeu? Que me arranquem o chão aos pés e que eu caia de cabeça, mas que seja logo, porque paciência é virtude a desenvolver, se não me envolvo, senão me envolvo. Percebe as nuanças? Vê a armadilha? A armadura? O meu afã? Baixei minha guarda e, para não perder o costume, soltei minhas (muitas) rédeas, querendo correr. Mas preciso dos freios se a estrada não é partilhada. Ou vou embora. 5.4.03
Cinco horas de sono garantiram meu humor para esta noite. Benedito, não deu, mas o segundo B (viu, Sérgio?) nos aguarda. Vou até fazer a barba, que esse estilo Ewok só fazia sucesso no Neolítico. E, pelo visto, esse blog chegou ao número médio de visitas que o primogênito costumava receber, muito graças aos buscadores, tanto em parte aos amigos que vêm sempre dar um oi e saber das novas. Quem gata seu tempo vindo até aqui é bem-vindo, claro, que o espaço é público (mais publicado, é verdade) e as portas, deixo-as abertas. Mas, muito sinceramente, me incomoda de novo a superexposição. Não ter controle sobre quem tem acesso à minha vida (contradição doida, né? se eu não quisesse isso, escreveria só no caderno e guardava debaixo do traveseiro) dá uma sensação pouco confortável de desproteção, sabe? Já fui surpreendido, mais de uma vez, com pessoas me reconhecendo na rua ou com e-mails íntimos, personalíssimos, de gente que se identifica com o que escrevo - e isso é maravilhoso! - e resolve se aproximar mais um pouquinho. Não estou reclamando, só desabafo: às vezes, essa coisa toda me assusta. Depois de uma hora e meia de sono, três horas e meia de explanações (em pé, diga-se), cem dinheiros gastos numa sandália - no grito da moda, tá? - e uma sobra de janta aproveitada para almoço, só quero cama. Sair mais tarde, só se for programinha light: a esbórnia que a outra estava planejando fica para depois - a não ser que eu seja sumeriamente arrastado, o que não é, de todo, impossível. Para qualquer urgência, estou ali na rede. Mas já aviso que só respondo em caso de guerra. Ou se a Lacraia estiver em algum programa na TV (eu preciso ver aquela, hum, performance de novo!). Quase seis da manhã, acabei de montar a apresentação e separar o material do treinamento. Estou um caco, mas ficou bom e sei que os objetivos serão atingidos (capacitação da equipe, comprometimento e motivação). Agora, uma horinha de descanso, porque depois do labor vai ter muita farra na Benedito para selar o primeiro encontro - bombástico, digo - desses dois - e seja o que Deus quiser (e o mundo suportar), ai. 4.4.03
Ó, quando me ouvirem (ou lerem) reclamar da loucura no escritório, me lembrem do período em que estive nesse projeto fora daqui. Eu reclamava do inferno sem conhecê-lo, juro: hoje, é tanta empolgação e alegria na minha cara (por estar de volta ao meu posto) que todo mundo pergunta se a noite foi boa! Nem foi, pelo menos não pelo motivo que pensam (ainda). Bom mesmo está sendo o dia, minha gente! E, mesmo trabalhando o sábado inteiro (treinamento pra equipe - vou fazer o quê se nasci para ser professor?), mais tarde comemoro abrindo um vinho e dançando pela sala, lá-lá-ri-lá-rá... Não fique criando inimigos imaginários só porque ainda algumas pessoas deixaram de reconhecer seu valor e perceber o quanto você é útil. Daqui a diante tudo estará caminhando para um maior reconhecimento de seu trabalho, até mesmo por conta de você não ter desanimado nos momentos mais críticos. (Robson Papaleo) A magia não é algo irreal, é um fato comprovado por todas as pessoas que a ela se atrevem. Naqueles momentos em que você decide superar as limitações da lógica, você também penetra no domínio da magia. (Quiroga) Poucas vezes o horóscopo me pareceu tão apropriado. As últimas duas semanas foram críticas, pensei que não ia dar conta. Ontem viria o golpe de misericórdia, mas, com a ajuda de uma certa amiga bruxa, consegui virar o jogo em meu favor e me saí melhor do que esperava. Agora as coisas devem entrar nos eixos, e volto a minha rotina normal. Não aguentava mais trabalhar no limite. Bom, eu cheguei tão cansado que, quer saber?, resolvi beber uma taça de vinho para relaxar, antes de dormir. Tomei duas, estou alegrinho, agora aproveito a desculpa para dividir um momento especial no meu dia: uma descoberta. Nunca tinha percebido, juro. Até observo, gosto de reparar nos detalhes, mas sou lesado, deixo passar umas coisas bem importantes. Hoje, na pausa forçada para o xixi, tirei toda minha roupa no banheiro e olhei meu corpo no espelho. Foi um momento super zen, transcedência total, um auto-flerte, tipo um estalo pra vida, saca? Pois bem. Lá estava eu, admirando minha barriga peluda e meu umbigo quase sujo, quando, de repente, vestindo a cueca, me dei conta de uma coisa incrível: meu ovo esquerdo é mais caído que o direito! Não sei se é uma anomalia genética - só me faltava essa, tirar a sorte pouca na seleção natural do tio Darwin - ou se foi o tanto de puxada que meu pobre saco teve de suportar, sei lá. Como estou dormindo no teclado, pergunto aos meu leitores de plantão: é normal ter um testículo de chumbo e outro de pena? HAHAHAHAHAHA! 3.4.03
Enquanto a chinchila não chega, eu bem me contentaria com pó de pirlimpimpim: sumir daqui, de tudo, não seria nada mal, viu? Na falta dele, uma sessão de massagem operaria milagres. Talvez até me arrancasse um sorriso ou aliviasse o senho. Minhas costas ardem das chibatadas, acho que mereciam um carinho... (é, eu tô dengoso...) Em uma de suas cartas, o Guiu fala de caixas guardadas. Desfaz laços, sorri com as memórias e considera. Lembrei dos meus sonhos naquele tempo em que eu era metade. Sem caixas, abri as minhas latas. A gente ia morar numa floresta. Criando um cachorro, uma gata e uma coruja. E um coala e um panda. E uma chinchila, que eu adoro. E nada mais importaria, só a subsistência (financeira) e a transcendência do amor. Fazíamos poesia a dois, no ônibus, alternando as estrofes. E a gente ria. O último pedaço sempre era dividido. Dinheiro não era problema: ninguém tinha, mesmo. Estudantes, mas dava-se um jeito. E todo mês, um jantar em restaurante novo, velas, se possível, para a fantasia. E todo mês, comemoração de aniversário, com carinhos e declarações. E aquela florzinha amarela que fazia a gente piscar um olho: nosso código (um, entre muitos). Uma casa de madeira no meio do nada, sem relógio nem extintor: manter o fogo. As pedras no nosso caminho, elas eram coloridas, lúdicas, dávamo-nos de presente. E os símbolos, todos eles, todos guardados nas latas, no peito. Ainda quero uma chinchila. Ainda quero abarrotar novas latas ou caixas. Quero (de)mais. 2.4.03
A depender do surto, minha auto-estima atinge uns picos inexplicáveis, e de repente eu me sinto inteligente, capaz, atraente, resolutor (inventei, que a sensação não admite apropriações), como se não houvesse obstáculo intransponível, como se uma súbita onipotência tomasse presença e eu pudesse. Ponto. Simplesmente pudesse. Admito que esses são dos meus momentos de maior rendimento profissional, intelectual e emocional, mas preciso de que me baixem a bola de vez em quando. Não precisa de porrada grande, basta um chacoalhão: minha taxa de semancol [ainda] está normal. No mundo das pessoas ansiosas, relógio deveria ser proibido, feito armamento de guerra. E haveria cursos de relaxamento, auto-controle e, quem sabe, uma iniciativa de conscientização geral pelos prazos ditos normais para certas interações. Eu seria o primeiro da fila, juro. 1.4.03
Precisava escrever ainda hoje, para registrar minha alegria! Tive um dia estressante como poucos no escritório: fui duro, ríspido, quase gritei (não sei o que seria preciso para me fazer gritar numa situação de trabalho) e amanhã vou mandar um funcionário embora (é mais fácil do que eu pensava, descobri) por improbidade, depois de quase garantir minha calvície precoce. Saí às pressas e ainda bufava quando cheguei à estação República do metrô, onde desembarcaria para pegar o ônibus até a faculdade. Para minha mui grata surpresa, ouvi ao longe uma música maviosa: violinos! Era um projeto dos sabonetes Vinólia, em que um quarteto de cordas apresentava highlights de música erudita e popular. Passei uns bons dez minutos lá, de pé, ouvindo, vendo as pessoas, pensando nos personagens, contando meu tempo pelas chegadas e partidas dos trens. Mais devagar, me dirigi às escadas rolantes, respirando direito, admirando a arquitetura do Centro da cidade - que lindo! -, até pisquei o olho pra menina que berrava agarrada à saia da mãe. Chegando à aula, saudei e fui saudado por uns coleguinhas da turma (faltei a semana passada inteira, estávamos com saudades), aboletei-me na cadeira e me concentrei no que o professor falava. Com o intervalo, a notícia que viria deflagrar meu bom-humor latente: tirei 9,8 no primeiro exercício para nota de Estatística!!! Nem sei se todo mundo tirou 10 (mas eu duvido), nem me importa: hoje eu sou um monstro dos números, tô me sentindo o próprio fenômeno matemático! Aí, não teve cansaço nem pendência que me tapasse a boca cheia de sorriso! Voltei pra casa cantando tudo o que lembrava da trilha sonora de Dirty Dancing, dançando um pouquinho a cada quarteirão e mandando uns fantasmas às porras, que a vida não é tão escrota assim, afinal. E, mesmo que seja, eu quero mais é rir e dar beijo, sinceramente. Boa noite pra minha mãe, pra você, pras abelhinhas e pro Flipper! Agora cala essa boca e me beija, vai. Quando começa o dia dando tudo errado, o que eu mais queria era um 1º de abril ortodoxo, cheio de mentirinhas leves pra gente achar graça com o chiste. Mas não é assim quando a gente passa dos 18, pelo visto. ~ início ~ |
~ lendo ~ Alê (BGML) Balu (Sim, eu OdeioSopa!) Beth (E-Beth) Camila (Tapetes de Penélope) Clara (The Clara Beauty Journal) Clau (Lettiânia) Djoh (Caminho Dourado) Ematoma (Objetos de desejo) Gabby (Nêga do leite) Guiu (Perto do coração selvagem) Lola (Escreva Lola Escreva) Marie (Je suis Marie) Phelipe (papel pop) Rafaela (Letra e Música) Renata (o livro de areia) Ronaldo (Satyricon) TDUD? (Te dou um dado?) em que quer acreditar. ~ ~ passado ~ agosto-2009 junho-2009 maio-2009 abril-2009 março-2009 agosto-2008 junho-2008 maio-2008 abril-2008 março-2008 fevereiro-2008 janeiro-2008 dezembro-2007 novembro-2007 outubro-2007 setembro-2007 agosto-2007 março-2007 fevereiro-2007 janeiro-2007 dezembro-2006 novembro-2006 outubro-2006 setembro-2006 agosto-2006 julho-2006 junho-2006 maio-2006 abril-2006 março-2006 fevereiro-2006 janeiro-2006 dezembro-2005 novembro-2005 outubro-2005 setembro-2005 agosto-2005 julho-2005 junho-2005 maio-2005 abril-2005 março-2005 fevereiro-2005 janeiro-2005 dezembro-2004 novembro-2004 outubro-2004 setembro-2004 agosto-2004 julho-2004 junho-2004 maio-2004 abril-2004 março-2004 outubro-2003 setembro-2003 junho-2003 maio-2003 abril-2003 março-2003 fevereiro-2003 janeiro-2003 dezembro-2002 novembro-2002 outubro-2002 setembro-2002 agosto-2002 julho-2002 |
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