~ gente ~






31.3.05
 
Dona Redonda Live
Quem não viu Wilza Carla explodir em Saramandaia poderá apreciar um espetáculo parecido muito em breve. Já há quase duas semanas venho comendo cerca de 400g de chocolate d-i-a-r-i-a-m-e-n-t-e. Hoje, por exemplo, foi ovo de páscoa no café da manhã, mousse depois do almoço, 3 (três) pedaços de bolo agora à tarde e mais duas trufas nesse instante. Chegando em casa, depois da aula, ainda tem um potão de sorvete Chicabon me esperando. Com Ovomaltine por cima, claro.
Não, não é carência. É teNsão, mesmo, aqui (pois é, ainda estou aqui) no trabalho. Muita. E, nessas horas, só chocolate salva.
Enfim: se eu arrotar perto de você, corra.
Depois não vá dizer que não avisei.

 
Fim (?)
Pronto. Acabou-se a novela. Agora, finalmente, essa moça descansa em paz. Os que ficaram, que se digladiem pelos direitos, senões e quetais das suas próprias vidas. E mortes.

 
Libera geral, libera geral, libera geral!
HAHAHAHAHA!
Olha, acho que só no Brasil a gente tem uma mula-sem-cabeça na presidência da Câmara e um deputado como este Sargento discursando em plena Assembléia soteropolitana contra o exame de toque retal. Na matéria, ainda dizem que ele "fez questão de mostrar com gestos e gritos como foi o seu exame" - imagina! Um senhor de 43 anos carregando um botijão de gás debaixo do sovaco e exibindo sua mais alvoroçada pantomima da investigação exploratória, hahaha!
E melhor: o sujeito ainda declarou seu inconformismo por sentir-se "enganado" pelo médico. Tadinho! Foi tão inocente ao exame, nem sonhava com aquela "virulência" toda, o pobre... E um colega mais gaiato ainda perguntou se foi mesmo com o dedo que o doutor fez o exame, hahaha! Fosse no Cearazim de meu Deus, o estrondo do Ieeeeeeeeeei ecoaria por meia cidade!
É por essas e outras que eu adoro esse país, viu?
;-]

30.3.05
 
Les Desaux
Participo de um e-grupo ("lista de discussão", "conclave virtual", "bando de doido", whatever) providencialmente chamado "Os desocupados". Todos amigos queridos, com perfil no Orkut, blogueiros (em alguma medida), que acessam MSN e ICQ - internéticos, enfim. Só gente conhecida.
Muitos dos quais, inclusive, trabalhadores.
Mas é simplesmente incrível a quantidade de ATP gasta por esse pessoal digitando e-mails o dia inteiro. Na última hora, por exemplo, recebi nada menos que 34 (trinta e quatro) mensagens d'os Desô, como apelidei carinhosamente o grupo. Em uma hora, veja bem. No mesmo período, minha pasta de lixo eletrônico acusou o recebimento de 5 spams. Como diria Luiz Caldas: haja amor.
E se eu contar o quanto trabalhei hoje, ninguém acredita.

 
Ora pro nobis
Karol está morrendo.
E agora, como fica? Assim como Zilka estava para o Sítio, JP II está para a Igreja Católica, que nesse momento reza pela saúde de seu pontífice (palavra empolada, hein?) enquanto uns tantos bispos se retorcem coçando as mãos pelo trono de Pedro.
Dizem que o atual papa foi dos mais progressistas, buscando importantes alianças políticas e se propondo a discutir alguns tabus da cristandade. Eu sei lá. Em tempos de Bush, clonagem e Terri Schiavo, só quero ver em que cabeça vai parar aquele santo chapeuzinho.

28.3.05
 
Síndrome de Lassie
Meu horóscopo de hoje me dizia para deixar de ser tão certinho e me dar um momento de lazer, talvez pegando um cineminha ou jantando com a pessoa amada. Mas hoje ainda não vai dar, porque tem aula na faculdade. Duas, aliás, e eu preciso me formar nesse ano.
Acho que ando responsável demais. Até os astros estão notando.


27.3.05
 
Chocolat
Multiplicidade. Incontavelmente, sem rosto, sem tipo, sem ordem, critério, juízo. Um jeans mais azul, um passo apressado: leio livros pela rua enquanto penso se tomo o ônibus ou se me perco pelas vielas escondidas do meu peito.
Simplicity. Uma vez você me recitou um trecho inteiro de um filme que eu adorava. Nunca esqueci. Mas era um filme de medo, susto, suspense, e você me olhava com olhos nervosos e mãos contidas, na esquina da minha rua com a sua, nós dois de pé, você exibindo seu inglês superdotado, eu pensando que humildade não era mesmo nosso forte e anda logo com esse show que eu quero tomar banho, comer tapioca e deitar para ver a novela. Simplicity. Eu tinha o quê? 13 anos?
Infinitude. Aquele girassol italiano morreu, mas seu nome ficou. Desidério, lembra? Eterno, imanente, onipresente. Deus. É a fé que nos move - não a crença no trascendente invisível, mas a cobiça pelo concreto, pelo que está ao alcance, por tudo em que pensamos (ou queremos) acreditar. Construção e destruição são versos alternados, vozes em dueto, são caminhos.
Essa páscoa anuncia uma primavera doce. Girassóis e chocolate. Na minha cômoda, um certo Calça-Quadrada avisa que o momento é de abrir os braços, a boca, os canais. E se esbaldar.

26.3.05
 
Prazeres da carne
Mas é aniversário da Léa e tem churrasco para comemorar! Separei um presentinho para marcar a data (que também é nosso primeiro encontro) e vou já encontrar o Nor e a dona dos gatos para desbravarmos os confins da zona oeste em busca das frugais bodas.
Porque ontem não podia, mas hoje eu vou me es-bal-dar na picanha. Nham!

 
Aleluia
Em compensação, começar o sábado tendo que limpar lambança em cozinha é de lascar.
(...)
Oraite, shit happens.

25.3.05
 
Começando o dia com um indescritível ovo de páscoa de gianduia da Kopenhagen, fica uma certeza: essa sexta-feira só pode ser santa mesmo.

24.3.05
 
Pre
ga
do.

Jura que é feriado amanhã?

 
Nem só de Godard vive o homem

Hero O chamado 2 Sou feia mas tô na moda


De-ses-pe-ra-do para ver esses filmes.
Hero porque faz muito tempo que espero.
The ring 2 porque já vi o primeiro 9 vezes e tô doido para saber o que mais.
Sou feia mas tô na moda... ora, precisa dizer porquê?

22.3.05
 
Recado particular para uns tantos
Eu já disse que te amo hoje?
Então: eu te amo.
(É bom lembrar de vez em quando.)

 
A César o que é de César
Ainda sobre as apropriações escusas. Talvez seja algum tipo de defesa, isso de se fantasiar com as roupas alheias. Aposto que qualquer psicanalista adoraria ter um folião desses no seu divã. Sim, porque só pode ser doido para copiar texto, usar foto falsa, inventar dólares e lamúrias para recriar a realidade e dela fugir (agora já estendo a amplitude da questão - é que a Léa me fez pensar além).
Há muitos anos venho me empenhando arduamente para ser (e parecer) exatamente como sou. Não pretendo, a esta altura da vida, inventar um personagem qualquer e ter que começar tudo de novo.
Dá trabalho demais.

 
Imitação da vida
Passeando pelos meandros orkutianos, deparei com uma descrição de preferências (passions) familiar, mui familiar. Chequei para tirar a dúvida e confirmei: o maroto moçoilo copiou meu texto. E não podia ser coincidência: se eu tivesse escrito algo como "chocolate e sexo", vá lá, mas não é o caso. Linha a linha, mudando só o finalzinho, lá estava o rapaz dizendo-se um homem apaixonado tal qual euzinho, que queimei uns bons dois neurônios para juntar as idéias em um ou dois parágrafos. Aí o sujeito vê, acha que somos almas gêmeas e transcreve tudo, sem a menor cerimônia.
Não foi a primeira vez que isso me aconteceu. D'outra feita, uma amiga de quem eu não sabia há anos apareceu com uma apresentação (about me) - no mesmíssimo Orkut, aliás - que viu no meu perfil. Ok, se aquilo a traduzia tããããão bem assim. Fico até lisonjeado. Mas penso cá com meus descasados botões: o que leva uma pessoa sadia, inteligente e capaz a apropriar-se de uma idéia produzida, com mais ou menos trabalho, por outrem?
Lembrei de alguns blogs que lia, entusiasmado, tempos atrás. Espirituosos, sensíveis, sarcásticos... autores promissores, me pareciam. Até eu descobrir que não passavam de chupinhadores descarados, que plagiavam textos inteiros de gente boa como o Victor ou a sem dar crédito, para mascarar suas incompetências intelectuais.
Eu nunca consegui fazer isso. Nunca pedi para copiar trabalho de escola dos meus colegas para não deixar de entregar porque não tivesse feito. Nunca saí por aí propalando opiniões alheias como se minhas fossem - a não ser, claro, que eu passasse a concordar com elas, mas ainda assim fazia questão de anunciar a fonte. Acho desonesto, mesmo, apoderar-se da originalidade do vizinho para fazer de conta que o seu jardim é mais bonito. Todo mundo tem (e merece) seu autêntico valor, afinal.
Hum... Pensando bem, acho que essa história pode ser um indício positivo. Se há quem me admire a ponto de copiar o que escrevo, talvez seja uma boa eu retomar aquele plano do livro. Nem que seja para nêgo comprar a primeira edição inteira e colar um adesivo com seu nome na capa. Não faço (mais) questão de fama e glória: por quaisquer contos de réis, meu filho, a gente negocia uma belezura de "redação própria", tá?

20.3.05
 
Nota do autor
Há quem diga "hermético", "fechado", "enigmático". Eu digo que não teria graça se tudo fosse tão claro assim, e já deixei faz tempo de querer explicar. Mas a vida anda muito bem, Cariuoca. Muito bem. Meu coração está aquecido, protegido, viçoso. Há ternos oito meses, para ser exato, e contando.
É que, por conta de todos os amores, eu abuso das licenças poéticas.

 
Mermaid
Como se a fantasia a transformasse. Preto nas roupas, nos olhos, nas unhas. Dentro. Preto ao redor, nos cabelos tingidos da turma. Uma luz cinza, muitos flashes, a música estalando, relâmpagos e trovões na noite seca. Mas talvez fosse dia, talvez fosse ontem, não importava. Cubra seus braços, criança, esconda as marcas - você só quer exibir pelas ruas o piercing cintilante em contraste com sua branca pele infantil. Ah, a outra não é sua amiga. Ela te ensina a seduzir os machos viris e indefesos que cruzam seu caminho. Ela passa batom nos seus lábios de menina, ela te ensina a achar dinheiro, traz drogas para o colo da tua mamãezinha, arruina o santuário que um dia você chamou lar. E, quando precisa, te chama bruxa, vadia, covarde. E você chora, pequena sereia, você chora de raiva e medo, porque esse mundo é muito cruel, porque quem é essa vaca que me abraça agora, porque o que faço se não tenho mais boas notas na escola para aquilibrar minhas pequenas transgressões? Você lia Harry Potter há poucas semanas, criança, e agora não usa nada por baixo da roupa.
E agora, o que vem? Com que bonecas você vai brincar quando estiver sozinha?
Mas o tempo, querida, o tempo. Resista. Por você, por nós. Por favor.

 
Igor Reloaded
Vanderlei Cordeiro de Lima fazendo propaganda de Flying Horse.
Pra chorar de rir.

17.3.05
 
Gasolina vai subir de preço
Descrente das pessoas. Não confio mais que posso confiar em mim, tenho medo das implicações de duvidar de duvidar dos outros. Intimidades sedutoras e palavras carameladas povoam meus sonhos despertos e meus pesadelos déja vu, deixando cada hora vivida com um gosto de sabão na boca - onde é que os arco-íris mudam de cor? Lá na frente, um desfile monocromático de mascarados kubrickianos exibindo curvas e volumes que não me interessam mais que uma caipirinha - aliás, eu sempre preferi cerveja. Aqui, ainda festa nenhuma, talvez mais tarde eu me anime com um livro que ando lendo ou com outro por começar: refúgio dos fracos, esquivar-se das próprias histórias no conforto de outras já servias, mastigadas, ruminadas, deglutidas.
O que eu faço com essas imagens tão fortes que me invadem enquanto tomo banhos gelados para afastar o calor? Elas me demandam, me exigem. Me atrevo a dizer que precisam de mim. E eu tento me enganar repetindo que não preciso delas, que vejo luzes se decompondo em espectros diferentes, que não quero nunca mais teu endereço, mas a verdade é que a verdade é uma incógnita, vai sempre ser. Realidade sensível e verdade inteligível - ontem mesmo eu falava disso. Agora, preso na caverna, acorrentado, tomando sombras e ecos por certezas platônicas, me pergunto: será que estou pronto para a luz?
(...)
Vamos mudar de faixa rápido, que essa música já deu.

 
Do mesmo naipe
Coincidência, Acaso, Surpresa, Destino, Susto, Sorriso Amarelo.
Tudo parente. E seu sobrenome, aposto, é Piada.

 
Praga
Esse blog anda às moscas, traças, baratas.
E só Deus sabe do Baygon.

15.3.05
 
Besteirol Sabidol

"O seu futuro depende de seus sonhos.
Então não perca tempo; vá dormir!"

"Todas as pessoas inteligentes são cheias de dúvidas, não são?"

"Crianças no banco dianteiro podem causar acidentes.
Acidentes no banco traseiro podem causar crianças."

"Se você pensa que a melhor forma de agarrar um homem é pelo estômago, se ligue: você está mirando um pouco alto..."

"Se você é capaz de sorrir quando tudo está dando errado, é porque já descobriu em quem pôr a culpa."

"Viva cada dia como se fosse o último.
Uma hora você acerta."

 
The Importance of Being Earnest
Vou fazer um button para mim:
Sim, eu sou preconceituoso!

12.3.05
 
A pessoa está embriagaaaaaaaada...
Morreeeeeeeeendo de sooooono...
A conta foi um momento exótico, e o outro foi o momento brinco, todos de cócoras na porta do Filial procurando a argola da roomate.
E eu tomei Germana com Lena, depois de tantos anos.
E parece que já acharam o tal brinco, misteriosamente enroascado na camiseta da nêga.
E Rochinha emprenhou de vez, haja festa!
Agora bora dormir, que eu simplesmente não tenho mais condição.

 
Polivox*
Chico, cabra errado e bonequeiro, já melado depois de traçar duas meiotas, vinha penso, cambaleando, arrudiando pela rua, quando deu um trupicão: - Diabeísso! - Vai, cu de cana!, mangou a mundiça que estava perto. - Aí dentro!, disse Chico. Chico estava arriado desde ontonti, quando o gaturréi que ele paquerava lá na baxa da égua bateu fofo com ele pra ir engabelar um caboco estribado da Aldeota. - É o que dá pelejar com catiroba, fulerage, pensava ele. - Ganhei uma ponta, mas não tem Zé não, aquela marmota era mesmo só a catinga. Dá é gastura. Chegando em casa, se empriquitou de vez e rebolou no mato todas as catrevage da rapariga: uma alpercata, um gigolete amarelo queimado e uns pé de planta que ela tinha trazido enquanto iam se amancebar. Depois, deu umas gaitada, se empanzinou de sarrabulho e panelada e foi dormir pensando nas comédias...

* Se não conseguir entender, peça a um cearense para traduzir.

 
Plin-plin
* "Invisible Bra: levanta a estima de qualquer mulher."

HAHAHAHAHA! Às vezes eu adoro a sutileza dos publicitários.

10.3.05
 
Te importa "convencer"?
De que vale vencer?

 
Homenagem, ainda que tardia
Alguém aí sabe quando é o "Dia Internacional dos Seres Desprezíveis e Esquecíveis"?
É que eu preciso ignorar exaltar solenemente uma certa editora carente... >;-D

 
Reinações de Peter Pan
Morreu a Dona Benta.
Mal consigo acreditar: não lido bem com a morte, com a finitude (do corpo, da presença, das constâncias).
Parece que a minha infância ficou um pouco mais distante agora.

8.3.05
 
She
Fatoca, Bruxa, Belinha, Minha Tia. Ana, Balla, Chuchu, Clara, Gabby, Teca. Beth, Ivana, Suy, Peitos. Docinho. Samara, Leila, Karlinha. Bel, Bia, Rô, Ju, Clau, Ká. A Nêga. E mais as Paulas, Virgínias, Renatas, Flávias e cândidas Terezas.

Não é por serem mulheres. Mas por me fazerem, a cada dia, um homem melhor.
A vocês, meu respeito, meu carinho. Hoje e sempre.

7.3.05
 
Um segundo em cada canto
Eu estava lá até que em paz, mas queria estar em outro canto. Arrumei outro canto, depois mais outro, tive que escolher, porque era pressa, era urgente, era logo. Então troquei de canto e resolvi esperar para ver no que dava. Não deu ainda, mas pode ser que dê, e enquanto não dá me aparece um outro canto tão atrativo quanto o primeiro canto pareceu à primeira vista e o segundo canto se mostrou no segundo papo. Agora o terceiro papo no segundo canto demora, enquanto o terceiro canto me espera para um primeiro papo que eu queria que fosse logo, urgente, no próximo segundo: pressa, já não estou em paz.
E, por confuso que pareça, era justamente desse rebulício que eu sentia falta...

 
Impressão minha ou alguém anda se divertindo com este blog mais do que de hábito? A gente não pode nem se exaltar um pouco com o calor que os curiosos de plantão já se afoitam... Eu, hein!

6.3.05
 
Faz-de-conta
Acordou cedo, viu as horas, virou para o lado e voltou a dormir. Levantou (bem) mais tarde, trepou, fez amor, gozou. Depois do banho, uma caminhada pelo bairro, pausa para comer quiches (a provençal tão boa quanto a lorraine) na boulangerie de gente bonita. Deu uma volta rápida no shopping, encontrou os amigos e foram comprar ingressos para o show de Bethânia - quase um mês de antecedência, mas valeu a mesa no setor vip. Depois de um certo impasse, optaram por comer coxinhas famosas e outras delícias penosas no Frangó, restaurantezinho pitoresco na praça da Igreja de Nossa Senhora do Ó, aquele jeitão de interior lembrando infância e família. Uma dúzia de cervejas, papo bom, a melhor companhia ao seu lado. Mais um passeio para chegar à sobremesa, brownie com sorvete e a farofa especialíssima do America - é domingo, as calorias estão de folga hoje.
Faz de conta que amanhã não é segunda-feira e ele vai poder fazer tudo isso de novo. Faz de conta que não vai acordar sozinho, faz de conta que vai passar o dia abraçado com seu amor de novo. E, se é para sonhar direito, faz de conta que essa fatura do cartão de crédito nunca vai chegar...

 
The hills are alive with the sound of music.
;-]

4.3.05
 
R.M.B.J.
Não lembro se era tarde ou noite quando sentamos com uma cerveja e dois copos na mesa quadrada de cimento pela primeira vez. Na faculdade, ainda, talvez vinte e poucos anos, talvez nem isso. Sei lá do que falamos, com quem estávamos, se fazia frio ou que aula sem graça acontecia no prédio vizinho, enquanto brindávamos nossas estrangeiras peculiaridades. Você da ilha, eu da praia: nós, dois imundos imensos, mal nos imaginávamos então. Lembro do teu olhar desconfiado, do papo econômico nos primeiros brindes, da verborragia afiada seis garrafas depois.
Como suportei tanto tempo sem a tua companhia? Me explica? Não, eu sei que não.
Mas não esqueço quando te reencontrei. Era uma terça-feira e o sol estava se pondo quando li aquele nome de blog mais que sugestivo, quando reconheci dois chegados nossos no teu relato, quando confirmei a surpresa vendo as iniciais assinando o texto: só podia ser você. E era, pra minha alegria.
Quantas noites em claro nesses últimos anos? Quantos porres sem medida, quantas milhas de palavras, quanta (in)sanidade a gente compartilhou, hein? E as dores, e as cores, e as dúvidas?
Meu AMIGO, tua risada é um tesouro para poucos. Obrigado por me deixar merecê-la.
Nesse teu dia de anos, vou encher a cara contigo mais uma vez. Até já.

 
Acordando
Você chega meio sem fôlego, a roupa amarrotada, semblante faminto: o dia não foi fácil. Eu estou com saudade, faz tempo que falta tempo, a gente burla compromissos e inventa carências para ficar mais junto, nem que seja um pouquinho de cada vez - o que importa é combater a agonia do vazio que o outro deixa quando vai embora. Te aperto bem perto, te afago a nuca, o beijo demora, delícia: falamos de luxúria sem dizer palavra, que nessas horas a boca precisa é de se ocupar com saliva trocada e pronto, ora. Então nos empurramos marotos para o quarto, conversamos sobre o dia, o trabalho, o carro novo e como faz frio lá fora, apagamos a luz branca fluorescente para brincarmos com as sombras que se infiltram pela janela, tomando lugar à luz pouca que vem do poste na praça.
Eu já disse que teus olhos me acendem ainda mais nesse semi-escuro?
Admiro teu corpo macio, me perco no silêncio do teu cheiro mesclado de perfume e hormônio, deixo você me morder do jeito que te conforta, estamos indo e voltando num tabuleiro íngreme. Tiro a tua roupa, a minha já descansa no chão, deleito-me no prazer de passear pelas curvas tuas com minhas mãos pequenas, tortas, impacientes (dissimuladas, quando necessário). Agora brincamos com os volumes, as formas, as texturas, estimulamos nossos tatos, experimentamos limites nervosos, rimos incertezas, trincamos desejos. E devagar, bem devagar, você puxa meu cabelo e lambe meu pescoço, e eu ouço Elis cantando. Afasto seu peso, exploro nossas fronteiras, me cubro da tua sombra e espero o apogeu dessa dança: que encaixe perfeito, já reparou? Nos alternamos, côncavo e convexo, nos preenchemos. Nos respeitamos, nos abusamos: nus, explodimos.
E agora somos dois sem fôlego, amarrotados, famintos. Rindo, deixamos o tempo descansar uns minutos. Pensamos em nada, porque nada importa.
Não me permita querer menos do que tudo isso. É o apelo que reitero - e o compromisso que ofereço.

2.3.05
 
A saga da janta
Outback.
O nome é legal. Vejamos.
(será que eles servem filé de canguru?)

 
Emimesmando-me
Tenho estado muito comigo, aproveitado mais minha companhia. Não se trata de isolamento social ou solidão voluntária, mas de um momento para reflexão: o início de uma nova fase profissional trouxe questões estranhas (a mim), como desenvolvimento de carreira, ambição financeira e processos estratégicos-estrangeiros-estrambóticos do tipo empowerment, networking e, sei lá, um penis enlargement metafórico, considerando o ambiente falocêntrico onde vim me instalar.
Sou de falar, de sorrir (quase) sempre, sou de bastante interação. Mas ando quieto, observando os entornos, as pessoas, suas relações. Alguém me disse para reparar nos personagens, mas acho que me falta malícia para isso agora. Gosto da verdade, por mais previsível ou surreal que ela pareça, e é a verdade que ora me interessa.
Mas ela custa. Tempo, neurônios e um bocado de paz espiritual.
Aos poucos, em contidas prestações, vou pagando.

 
Que dia com gosto de cinzeiro lavado, hein?




~ Cada um escolhe a verdade
em que quer acreditar.
~