~ gente ~






28.2.05
 
Não basta a carência, não basta o processo, não basta o delírio.
O que basta, afinal, é o prazer.

 
Mulherão II
Não basta ser Elizabeth I, a rainha virgem da Inglaterra.
Não basta ser Galadriel, rainha das fadas de Tolkien.
Não basta ser a eterna diva Katherine Hepburn.
Tem que ser Cate Blanchett.

 
Mulherão I
Não basta ser linda, sexy e rica.
Não basta ter um vozeirão, tocar piano como Wayne Marshall e ainda compor.
Tem que ser Alicia Keys.

27.2.05
 
Em cima da hora
Ainda não vi tudo e estou mais que atrasado, considerando que dois prêmios já foram entregues... mesmo assim, vou enumerar minhas apostas para o Oscar e destacar meus favoritos em cada categoria, indicados ou não. Afinal, a graça toda da coisa é brincar de Rubens Ewald Filho e ver se a gente acerta o que vai pela cabeça da Academia, né não?

Filme
Aposto: O aviador
Eu escolheria: Mar adentro

Diretor
Aposto: Clint Eastwood
Eu escolheria: Clint Eastwood

Ator
Aposto: Jamie Foxx
Eu escolheria: Javier Bardem

Atriz
Aposto: Hilary Swank
Eu escolheria: Mirella Pascual, por "Whisky"

Roteiro original
Aposto: O aviador
Eu escolheria: Brilho eterno de uma mente sem lembranças (Michel Gondry)

Roteiro adaptado
Aposto: Sideways
Eu escolheria: Antes do pôr-do-sol

Atriz coadjuvante
Aposto: Cate Blanchett
Eu escolheria: Regina King, por "Ray"

Ator coadjuvante
Aposto: Morgan Freeman
Eu escolheria: Rodrigo de la Serna, por "Diários de motocicleta"

Filme estrangeiro
Aposto: Mar adentro
Eu escolheria: Clã das adagas voadoras (considerando que "Mar adentro" seria o melhor filme)

Longa-metragem de animação
Aposto: Os incríveis
Eu escolheria: Os incríveis

Fotografia
Aposto: O aviador
Eu escolheria: Clã das adagas voadoras

Montagem
Aposto: O aviador
Eu escolheria: Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Direção de artes & cenários
Aposto: Desventuras em série
Eu escolheria: Desventuras em série

Figurino
Aposto: O aviador
Eu escolheria: Desventuras em série

Maquiagem
Aposto: Desventuras em série
Eu escolheria: Desventuras em série

Documentário
Aposto: Super size me
Eu escolheria: Ser e ter (é francês, nem concorreria, eu sei - mas é sensacional)

Trilha sonora
Aposto: John Williams, por "Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban"
Eu escolheria: John Williams

Canção
Aposto: Accidentally in love, de "Shek II"
Eu escolheria: Vois sur ton chemin, de "Les choristes"

Efeitos especiais
Aposto: Homem-Aranha 2
Eu escolheria: Eu, robô

Edição de som
Aposto: Homem-Aranha 2
Eu escolheria: Homem-Aranha 2

Som
Aposto: O aviador
Eu escolheria: Homem-Aranha 2

Para todos os prêmios de curta-metragem, não tenho como votar porque não conheço os indicados e nunca acompanho mesmo.
Agora alguém me explica, por favor, que intérprete foi essa que a TNT arrumou para fazer a tradução simultânea do Oscar, hein? A gente se divertiu um bocado aqui em casa, msa chegou a um ponto em que tivemos que apelar ppara a gambiarra das duas tvs ligadas e improvisar um sap para podermos assistir ao programa sem engasgarmos de tanto rir...
E, depois de ver o Chris Rock, deu saudade até do Billy Cristal.

 
Finding dustland
Em busca da carteira de trabalho perdida, terminei arrumando uns documentos guardados há eras em um baú de vime ao lado da minha cama. Claro que encontrei a tal carteira em menos de dez minutos, mas, como já havia tirado tudo do lugar, resolvi empreender uma arrumação na papelada - e achei, além de umas pérolas guardadas em meio a extratos bancários com mais de 10 anos, umas duas toneladas de pó que me fizeram espirrar a tarde inteira: já não aguënto mais esse nariz escorrendo e os olhos lacrimejando.
Agora, pelo amor de Deus, cadê aquele anti-alérgico?

25.2.05
 
Er... alguém aí viu uma carteira de trabalho foragida?
Pois é, a minha fugiu de casa.

 
Aqui jaz um cartão de ponto
Ufa! Tô pregado!
Eu adiantei todas as pendências, corri para arrematar o que faltava, me preparei mesmo para que esse derradeiro dia de trabalho fosse mais tranqüilo, que desse tempo de me despedir direito das pessoas, passar a bola pra minha assistente e ainda aproveitar o final de tarde tomando uma cervejinha com a galera por ali.
ÓBVIO que (quase) nada saiu como planejado: desabou um dilúvio lá fora, estourou uma bomba H aqui dentro, surgiram mil "coisinhas" de última hora, não consegui dar tchau para ninguém e, passando das 19h, ainda estou na frente do computador escrevendo um e-mail de despedida, rezando para São Pedro segurar essa incontinência pelo menos até eu chegar em casa e poder desmaiar na rede...
Mas, no final, deu tudo certo. Encerrei ou encaminhei todos os projetos, dei as respostas necessárias, até fechei uma negociação e outra. Tarefas compridas, mas cumpridas. Do jeito que eu gosto.
Agora é esticar as pernas (ops!), aproveitar o final de semana - e a segunda-feira, que eu mereço - para descansar e esquentar os motores, que março chga com desafio novo e um rojão dos bons. Torçam por mim: saindo o primeiro salário do emprego novo, eu banco a cachaçada de comemoração.

 
Minha terra tem coqueiros
Orgulho. Numa parceria com a Universidade de Fortaleza, os pacientes do Instituto do Rim e do Instituto de Doenças Renais são afalbetizados e têm aulas de matemática, português e conhecimentos gerais enquanto recebem o tratamento de hemodiálise (li aqui). Não conheço o projeto, mas a iniciativa é, no mínimo, louvável.
De cá do exílio, este retirante estufa o peito e aplaude.

 
No dial
E aí chupa toda.

24.2.05
 
Beauty lies in lovers' eyes
Há vinte minutos estou fazendo caretas ridículas para o computador, depois de ler uma matéria aí sobre ginástica facial. Houvesse mais alguém na sala, ou fosse eu um coitado BBB, acho que seria motivo de umas boas risadas.
A sessão marmotosa só foi interrompida depois de ler a tal frase, meu querido. Adivinha? Pois é, não contive o sorrisão, que me saiu maior que a cara dessa vez e não quer partir.
Aliás, ando só razões para estar feliz. Aquele papo da madrugada foi um alento, um alívio. E haja pés de galinha para emoldurar essa minha boca esticada cheia de dentes...
Êta, vida besta, meu Deus.

Alegria, alegria!

 
Câmara apressa aumento de salários
Nem sei mais o que dizer.
"O presidente Severino Cavalcanti prometeu cortar as despesas desnecessárias da Câmara." - será que ele vai exonerar metade dos deputados e entregar o cargo em seguida?

23.2.05
 
Relax
Vamos com calma, que o momento é de encaixes. Fluido e fácil.
Se a coisa tá querendo engrossar, basta abrir uma cerveja e brindar sem pressa, que tudo se ajeita. Tudo sempre se ajeita.
Belê?

 
É hoje que eu ganho. O dinheiro, com sorte, sai até sexta.
No sábado, au revoir: as Galápagos me esperam.

 
Play me
Depois de alguma discussão sobre programa, horário e local, fomos eu e um certo mocinho de 22 anos ver Jogos mortais. Nem tanto para um vinho no cinema, mas eu queria mesmo era entretenimento fácil, uma meia dúzia de sustos e, quem sabe, dar umas risadas das besteiras que escapassem.
Pois bem. Há muito tempo eu não via um filme como o de ontem: tenso, cruel, instigante e inesperadamente bem amarrado. Não é Hitchcock, nem tem essa pretensão: está mais para um misto de Crimson Room e Se7en, com direito a som, fotografia e montagem caprichados. Não há muito o que teorizar sobre Jogos mortais, não é uma obra-prima que vá mudar a história do cinema. Mas, se você é fã de suspense e thrillers como eu, deixe a cara de conteúdo em casa e corra para o cinema. Eu saí da sala embasbacado, assustado e com os dedos doendo de tanto apertar a poltrona.
Uma dica só: esqueça a pipoca. Você não vai conseguir (ou querer) comer.

22.2.05
 
Sabedoria popular II
"Por maior que seja o buraco em que você se encontra, sorria: por enquanto, ainda não há terra em cima."

(Auto-homenagem: chegou a hora de tirar o pé da cova.)

 
Conga conga conga reloaded
Fui criança e adolescente nos anos 80. Tinha um Pogobol laranja com amarelo e passava New Wave no cabelo para imitar o então rebolativo John Travolta das noites de sábado. Era apaixonado pela Simony, sabia as coreografias do Menudo (e do Dominó também) e cantava o Ursinho BlauBlau de cor - como todo mundo, aliás, naquela época.
Confesso que já dei umas boas risadas com aqueles e-mails (que circulam há eras) com fotos, slogans e jingles de produtos, artistas e programas que fizeram sucesso há duas décadas: Ritchie, Aquaplay, ombreiras, Genius, Chacrinha, Atari, Playmobil, Lupu Limpim etc., Ronnie Von, Gilliard etc. etc. Até me diverti nos primórdios da Trash, um projeto despretensioso que começou há uns bons três anos e pouco, lá no Cambridge: era uma festa diferente, com gente doida brincando de fazer som e beijar na boca.
Mas essa onda de nostalgia, para usar a palavra-catástrofe da vez, já está virando tsunami. Cada canto da cidade agora tem sua balada super original que toca Pluct-Plact-Zum. Nas bancas, pode-se optar entre duas ou três edições especiais com cd/dvd explicativo, comemorativo, regenerativo etc. com "tudo que marcou a sua vida nos saudosos anos 80" e por aí vai. Até reviveram o pavor das calças clochard na última SPFWGLBTX3PO...
É inegável que essas referências culturais e estéticas marcaram e definiram uma geração. Viraram "cult", dizem. Mas, para mim, já passou faz tempo. A nostalgia, inclusive. Enjoei dos anos 80, do Ploc e do Bubaloo.

(Se bem que estão reprisando Armação Ilimitada em algum desses canais pagos, né? Hummm...)

 
Sabedoria popular I
"Chefes são como nuvens: quando desaparecem, o dia fica lindo!"

 
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARGH!!!
EU DEIXEI O VÍDEO PROGRAMADO PARA GRAVAR O AMERICAN IDOL E #&@%*$ DA FITA ACABOU ANTES DE O PROGRAMA TERMINAR! AAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRR%#$@&*%*#$*&@RRRRRRGH!!!

Agora é o seguinte caso: criança doente, pagamos resgate, São Longuinho São Longuinho, Deus te dê em dobro etc. etc. Mas pela luz da Eletropaulo, pelo sorriso do Pedro de Lara, pelas pulgas amestradas de Peggy Sunshine, por tudo o que existe de mais sagrado e precioso no universo conhecido... alguém aí gravou?

20.2.05
 
O amor vicia.
E abstinência é uma sensação absurdamente desconfortável.

 
Café na Deli Paris, voltinha pela Fnac, almoço oferecido pela amiga vizinha e filminho na Sala Uol para arrematar o domingão na Vila.
Sou bairrista mesmo, e com muito orgulho.

 
Acabou-se o horário de verão.
E o sábado cresceu, e ganhamos uma horinha de sono.
Na segunda, volto a levantar com o dia raiando.
Delícia total.

18.2.05
 
Sem tirar de dentro
A grande questão sobre o sexo - a dois, a três ou a mil - está no(s) desejo(s) que ele pretende saciar. Nesse campo não existe estatuto, regulamento, indicação: há a pulsão, o instinto (esse, honestamente, eu mal conheço ou pouco identifico), como há as convenções sociais que permeiam desde muito cedo nossa compreensão sobre os afetos, moldando, conduzindo e transformando o que acreditamos ser "natural".
Claro que é possível transar sem estar envolvido. Possível, aliás, é quase tudo. Assim como é possível (e bem comum, aposto) só ir pra cama quando existe amor, paixão, carinho ou o que o valha. Tesão é mais que suficiente para uns, enquanto para outros(as) bastam 500 ou 20 pilas. E tem gente que não dá sem um chamego, sem beijo na boca e amanhã-tem-mais. Aliás, acho bem normal que essas vontades por um jeito ou por outro se alternem: hoje eu quero sexo selvagem/alucinante com qualquer sem-nome por aí; amanhã é dia de sonhar com alianças e vida a dois (ou três, ou mil, vai ao gosto de cada um).
Não acredito em "vale-tudo" e desconfio dos contos-de-fadas. Mas penso que todo mundo pode se divertir como bem quiser: a dois, a três, até sozinho. A pergunta que precisa de respostas é uma só: tá feliz, nêgo?
Então pronto.

 
Eu costumo ser bem paciente, quem me conhece sabe. Mas, quando fico ansioso, viro um psicótico de primeiro time. Tipo a Biute. E agora eu tenho motivo de sobra para estar apreensivo, eufórico, agoniado, disperso etc. etc. - nem dormi direito, passei a noite sonhando variações sobre o mesmo tema.
Algo me diz que esse final de semana vai ser insuportável.

16.2.05
 
Threesome
Tem dias em que é tanto silêncio e solidão na casa e no mundo que a gente precisa ceder à companhia insípida e infalível da televisão. Hoje, por exemplo. Cheguei, constatei o escuro quieto no cafofo e fui logo caçando o controle remoto, que precisava não pensar um pouco.
Aí estava passando Sex and the city, que eu pouco vi mas a roomate gostava tanto que caiu nas minhas graças.
Pois bem. Nesse episódio, as quatro marias-bonitas se embatiam com suas curiosidades, rejeições e necessidades de experiências sexuais a três.
Assuntinho caviloso, né?
Confesso que admiro a desenvoltura da Samantha, no seriado, mas, na hora do vamos-ver, sou Carrie total. Para rolar um threesome, acho que só com muita cachaça na cabeça. E nunca com alguém por quem eu estivesse apaixonado - sou egoísta e egocêntrico demais para um desprendimento assim. Para mim, sexo é um jogo bom de brincar a dois.
E você, hein? Já fez? Faria? O que pensa do assunto?

 
Aí o Severino...
Tchan! O sujeito nem esquentou o assento de presidente da Câmara e já amealhou um aumentinho de 37% no salário da galera - e no seu próprio, claro. Mas, calma lá, a piada está só começando: se um tal projeto de lei for aprovado (pelos próprios beneficiários, diga-se), o acréscimo poderá chegar a incríveis 68% sobre os atuais vencimentos - que, sem considerar as incontáveis bonificações, créditos, auxílios etc., já são de envergonhar qualquer trabalhador assalariado.
Ah, a sabedoria que só tempo traz... Aos 74 anos, Severinho (ops!) mostra que aprendeu bem como fazer dinheiro.
Que ganhar na Mega Sena, que nada! Meu sonho agora é virar deputado!

 
Rosemarys e seus bebês
"Rainha do Castelo", é? Eu chamo de "Barracuda Barraqueira", ora! E se Carla Bunda Peres e Xandy conseguiram gerar um descendente (em princípio) fértil (Darwin, lembra?), sabe Deus o que vai sair do cruzamento entre a Noiva de Chucky e o Cascão das Chuteiras...
Mas eu tenho medo MESMO é do rebento da Loira do Banheiro (aquela da pinta, que até hoje vai de táxi) e do Chupa-cabras.

 
Se eu finalmente te escrevesse, assim de repente, você morreria de susto?

 
Ele chegou levemente bêbado em casa.
Está achando que consegue escrever um post acertando tudo.
Ele é um monstro.

15.2.05
 
HAHAHAHAHA!



Coelhinhos suicidas. Um melhor que o outro.
Valeu pela dica, Edu!

 
Breve esclarecimento
Escrevo sobre minhas memórias, fantasmas, sonhos.
Meus personagens são, quando muito, inspirados em pessoas que não lêem esse blog - até porque eu sou sincero demais para não dizer o que quero ou penso diretamente a quem interessa.
Não sou (mais) de mandar recado ou entrelinhar ao acaso.

 
Independente, Severino Cavalcanti se elege presidente da Câmara
"Com 300 votos dos 498 deputados presentes, foi eleito nesta manhã novo presidente da Casa o candidato independente Severino Cavalcanti (PP-PE), que construiu sua candidatura com a promessa de elevar salários e de melhorar as condições de atuação dos colegas congressistas.
(...)
Foi a primeira vez que um candidato independente, que pouco contou com o suporte de seu próprio partido, venceu a eleição para a presidência da Câmara. Também foi inédito o fato de o maior partido da Câmara não ter feito o presidente da Casa.
(...)
Sozinho, Severino poderá inclusive determinar reajustes salariais para os funcionários por meio de decreto."

Há joio e trigo no PT, como em qualquer grupo organizado. E acredito na democracia, mesmo quando distorcida e reduzida a uma votação dessa ordem.
Mas, considerando a 'pedra de campanha' do presidente eleito da Câmara, algo me diz que precisamos urgentemente de um novo Robespierre por aqui.
Ou do Chapolin Colorado, já que a nossa realidade política parece mais um programa humorístico fuleiro do SBT.

14.2.05
 
Barbie pinta o rosto de um jeito diferente a cada vez que sai de casa. Usa véu sobre a cabeça, mini-saia e carrega sempre um cachorrinho fofo pela coleira ou nos braços. Ela nem sabe o nome do bicho, não está nem aí pra ele, só quer que lhe parem a cada meia dúzia de passos para dizer "ei, que gracinha", referindo-se ao cão, mas Barbie toma o elogio para si e sorri um sorriso pontual, agradecida por ser tão meiga, divertida, sexy. E sai abanando seu rabo, até que outro alguém brinque com o totó, repare no quanto é esquisita, enlouqueça instantaneamente de amor por ela.
Barbie troca de roupas, de óculos e de homens. Se as datas têm nomes e números diferentes, por que viver dia após dia a mesma vida de emoções uniformes e gosto pasteurizado? Cada sorriso é um flash com hora marcada, o Big Brother está por toda parte e é melhor não descuidar. Barbie é ambiciosa, decidida: she's got it. Pisa firme em seus saltos altos, seu caminho não tem pedra - nem fim. Ela segue, maquiada e intocável, resoluta, inabalável. Bárbara. O poder de seus lábios, a infalibilidade de sua língua, a competência dos neurônios que julga tão superiores, pois sim.

Mas por trás desses lindos cílios, Barbie, do que você se esconde?

 
Let's get unconscious, honey.

 
Um prato cheio de mal traçadas linhas
Pareça confuso. Invente um amor. Assuma uma dor. Inverta a cronologia, esqueça a sintaxe, subverta (intencionalmente ou não: poucos vão notar a diferença mesmo). Esbarre nos clichês, de leve. Use aspas, use o itálico, cite: comece sem parcimônia, abuse mesmo, até se acostumar. Lembre de Sartre, dos irmãos Marx, de Kant, Fante, Fellini, Wilde, Tiziano e do Manoel Carlos, não o deixe de lado - referências à cultura pop são super in. Inglês, você sabe falar inglês, mostre. E francês, que é chic. Alemão, não: que palavra em alemão combina com a universalidade fragmentada expressa na captura do sagrado subjetivo comum (Hein? Geheimnis). Ah! Respeite a receita e garanta o banquete investindo nos melhores ingredientes: uma xícara de bucolismo árcade, três colheres da crueza dos realistas, transcendência ultra-romântica a gosto, uma pitada do rigor parnasiano e concretismo do bom para polvilhar. Bata tudo no liqüidificador e leve ao forno por 2, 3 minutos, é suficiente (já vem quase pronto, besta). Rende quantas necessárias porções e uma recomendação na Veja. Aprecie com moderação, que o Ministério da Saúde ainda não adverte.
Nas gôndolas, 214 pratos congelados se renovam a cada semana.
E eu sigo sonhando com Vatel.

12.2.05
 
O ano da graça de 1602 poderia ter sido muito mais interessante...
(Tem horas em que só Neil Gaiman salva.)

 
Hey, dude... where's my car?
Era para ser mais um jantarzinho gostoso, depois de nos debulharmos vendo aquele filme de chorar. Mas o acaso teve uma semana difícil e resolver descontar na gente: saindo do restaurante, cansados e de barriga cheia... cadê o carro? Pois é, ele não estava mais onde deveria estar. Foi roubado. Com o celular dele junto. E minha jaqueta preferida também.
Estacionamos na Alameda Lorena, em frente a um prédio bem iluminado. Quase na esquina com a Melo Alves, no coração dos Jardins. Nunca pensamos que poderia acontecer conosco, ali, hoje. Mas Murphy deu plantão nessa sexta, e assim terminamos a noite, chorando de novo, calados, contidos, de raiva e tristeza.
Não vou especular sobre o quanto poderia ter sido pior etc. - essa cartilha eu sei de cor. De qualquer forma, se perder coisas já é chato, tê-las tomadas (à força ou na surdina) é revoltante.
Que merda, que merda.

11.2.05
 
Finalmente os scrapbooks do Orkut foram liberados.
Voltemos ao vício.

10.2.05
 
A última do carnaval
Chegou, ô, ô, ô!
A roomate chegou!
*

Arre! Eu já tava roxo de saudade.

* Referência ao clássico "Exaltação à Mangueira", de Enéas Brites e Aluísio Augusto da Silva. Porque este blog também é cultura.

 
Três coisas que me assustam:
* mãos geladas
* violência nas ruas
* pit bulls e seus donos

Três pessoas que me fazem rir:
* a Fenólio
* Cybele, minha amiga há mais de 15 anos, de quem vou ser padrinho de casamento já, já
* o

Três coisas que eu amo fazer:
* ir ao cinema
* arrumar, organizar qualquer coisa
* encontrar os de sempre num bar com cerveja gelada

Três coisas que eu odeio:
* jaca
* ficar com fome
* grosseria

Três coisas que eu não entendo:
* informática (codificações binárias e decodificações, por exemplo)
* a fixação de algumas mulheres por aquele perfume horrível da Giovanna Baby
* romances virtuais

Três coisas em cima da minha mesa:
* calendário
* agenda
* material de escritório

Três coisas que eu estou fazendo agora:
* atualizando uma planilha chatinha
* conversando com um amigo querido
* me controlando para não acabar com o pacote de biscoitos sabor "chocolate e avelã"

Três coisas que eu quero fazer antes de morrer:
* escrever um livro
* casar
* ganhar na Mega Sena

Três coisas que eu sei fazer:
* lavar, passar, limpar casa
* dançar forró
* dirigir, apesar das declarações de alguns amigos gaiatos

Três maneiras de descrever minha personalidade:
* sincero
* íntegro
* amigo

Três coisas que eu não consigo fazer:
* consertar carro (não sei nem levantar o capô)
* comer buchada, panelada, sarapatel, sarrabulho, dobradinha e congêneres
* responder "tudo ótimo" se as coisas estão uma merda

Três bandas/cantores que eu acho que você deveria ouvir:
* Leny Eversong
* Fela Kuti
* The Theatre of Voices (cantando Byrd, de preferência)

Três bandas/cantores que eu acho que você NUNCA deveria ouvir:
* Road Monsters (ou Motorhead, algo assim)
* Kleiton & Kledir
* Rappers (a maioria)

Três coisas que eu digo freqüentemente:
* "Nunca assinei nenhum papel dizendo que eu prestava."
* "Só se for agora!"
* "Eu te amo tanto quanto as estrelas que brilham no céu..."

Três das minhas comidas favoritas:
* pizza
* chocolate
* macarrão com feijão (e farofa, nham!)

Três coisas que eu gostaria de aprender:
* francês
* a cantar
* a ganhar dinheiro

Três coisas que eu bebo regularmente:
* água (muita, uns 4 litros por dia)
* cachaça
* leite com Nescau (ainda prefiro gelado, mas quente até rola)

Três programas de TV que eu assistia quando era pequeno:
* Sessão Aventura (McGyver, Manimal, Mulher Biônica...)
* Cassino do Chacrinha
* Armação Ilimitada

(Vi aqui, que viu ali.)

 
Se você não agüenta a Caras e morre de vontade de acompanhar o The Sun, não pode deixar de ler a Ooops!, coluna semanal do jornalista Ricardo Feltrin. É besta, fútil, parcial... e simplesmente deliciosa!
Eu não perco uma.

9.2.05
 
TRI-CAMPEÃÃÃÃÃÃ!
TRI-CAMPEÃÃÃÃÃÃ!
TRI-CAMPEÃÃÃÃÃÃ!


Ufa! Apertadíssimo, mas deu: 1 mísero décimo de ponto fez a diferença, e a Beija-Flor confirmou sua majestade!
Como a minha Mangueira é hors-concours, comemoro feliz com a escola de Nilópolis, minha outra do coração. Aliás, adorei o pódio: a Tijuca estava linda, e a Grande Rio, com a globalidade em peso, deixou a insossa Imperatriz (blargh!) em quarto lugar - mais um motivo pra festa, ê-ba!
Meu sonho era estar naquele barracão da Baixada agora...

 
"Big Brother" com castigos corporais estréia na TV mexicana
Louvado seja Deus! Finalmente alguém teve uma boa idéia para um reality show! Não falo dos castigos corporais (por mais que me agrade a idéia de ver alguns participantes do BBB levando uns cascudos), mas das tarefas que eles terão que realizar enquanto estiverem, hum, confinados: se no Brasil é eleito o concorrente que melhor imitar a Lacraia depois de comer 422 olhos de cabra, no México eles vão aprender artesanato para assistir instituições carentes - olha que maravilha!
Se vai funcionar assim mesmo, só Deus. Mas o conceito, pelo menos, é uma belezura*. E o México, que já chamou minha atenção com a megalomania safada, agora ganha mais uns pontinhos pela iniciativa contra a imbecilização midiática - será que o segredo cucaracha é a tequila?
Hum... Acho que vou dar umas férias pra cachaça.

* A parte dos "castigos", vou fazer de conta que foi mero sensacionalismo. Pode até ser ingenuidade minha, mas prefiro não acreditar que exista público interessado em uma snuff soap opera ou algo do gênero.

 
Flashes!
Só agora que eu reparei: dois amigos muitos queridos estão lá no Blogs of Note do Blogger brazuca!
Viraram celebridades! Merecidamente, claro: a Deia é uma fofa, e o Guiu... bom, ele é meu irmão, qualquer coisa que eu diga vai parecer confete (e é, óbvio).
Vou já pegar uns autógrafos e anunciar no Mercado Livre, hehe...

 
Mais de 28 milhões de votos* pela eliminação do tal médico Rogério no último "paredão" do BBB.
Carismático, o rapaz, hein?

* Segundo a Globo, vale ressaltar. Impossível não lembrar do Você decide e pensar se tanta gente assim está de fato interessada na franja da Natália, na bunda mixuruca da miss ou no bote que o Jean vai dar no Sammy...

8.2.05
 
Chega, por hoje. Nem eu me agüento mais.


 
Confesso: eu queria ter dado uns pulinhos nesse carnaval.
Aliás, eu queria qualquer coisa, menos trabalhar.
Hunf.

(Sei que ando monotemático, mas é porque esse golpe foi foda...)

7.2.05
 
A cartilha
Se você não sabe, Brôu, preste atenção que o titio vai explicar. O negócio é ter muitas fotos em Veneza, Berlim, Fort Lauderdale e Praga. Paris resolve, se o jeans for Diesel. O sorriso precisa reluzir feito a Via Láctea, e bíceps de 42cm são sempre bíceps de 42cm, né? Flw, vlw, blz. Em São Paulo elas parecem cariocas, todas bronzeadas e boazudas. No carnaval da Band, uma interminável propaganda da Sadia, de tanto chester desfilando pra lá e pra cá. Silicone, démodé? Magiiiina, você que está por fora, com essas tetinhas mixurucas tamanho 42. O grito da moda momesca saiu da boca da vovó, chocada com os 16g de glitter com que a netinha "cobria" o corpo, exultante, exibindo-se para o repórter babão com cara de tarado e voz de viado, a câmera focando a intimidade escancarada da moça. Close, primeiro plano: subjetividade às favas, o que dá ibope é o entretenimento ginecológico. E viva o BBB. Enquanto isso, na sala de injustiça, uma certa TV Senac mingua em silêncio. Isquindô.
Aquele mundo da literatura é um sonho doce, meu amor. E eu não quero despertar para assistir a mais um extreme makeover.

4.2.05
 
F(er)iado
Nesse Carnaval eu vou pedir ao Papai Noel um ovo de Páscoa recheado de dinheiro. E que na Semana Santa, pelo menos, eu não precise trabalhar, porque puta-que-pariu, viu?

 
Xi...
Ufa, consegui ir ao banheiro.
Do jeito que foi corrido hoje, eu achei que faria nas calças mesmo.

 
A whole new world
Ontem fui passear na ZL. Na verdade, era uma reunião de trabalho bem ali, em (ou "na"?) Cidade Tiradentes. Como diria o Djoh, foi leeeeeeeeee-gaaaaaaaal, principalmente por que descobri toda uma realidade paralela muito distante do meu dia-a-dia.
Vi muitas, muitas oficinas de carros.
Vi mulheres sentadas nas calçadas de suas casas, como lá no interior do Cearazim de meu Deus.
Vi mais prédios da COHAB e construções em mutirão do que eu sequer imaginava que existissem.
Vi anúncios de sanduíches "Apartir de R$0,80" (sic).
Vi a bodega onde Judas perdeu as botas, as polainas e o juízo.
Vi um misto de Luzia Homem e Granamir gritando os menos gentis impropérios.
Vi 26 jabutis ensaiando uma cena tórrida de Eyes wide shut (tirei fotos, não me contive... mas esse blog tem leitores sensíveis, é melhor evitar os sustos).
Vi guerreiras nuas e loiras montando imensos cavalos alados (ok, eu já devia estar delirando de fome a essa hora).
(...)
Marida, te digo uma coisa: depois dessa incursão pelo fantástico mundo de São Paulo Oriental, meu conceito de "Outros Bairros" mudou vertiginosamente...

3.2.05
 
Macambuziando
No caos do calor da mesa, um compasso mínimo quando todos calam para respirar ao mesmo tempo: a sintonia que nos une está no ritmo. Decibéis ecoando em euforia, mãos correndo em letras, estapeando o ar - um gato ali perto exigindo dengo.
A modéstia não cabe, quanto menos as idéias: cinema demais, muita leitura, o estigma das novelas. Uma intimidade mapeada para descontrair; outras, obscuras, para rir e corar - por que você não bebe conosco? Sussurros. Gargalhadas. Pares de vaso e futebol. Um personagem no balcão, cinco em suas casas, mil nas cabeças - para que servem os roteiros se eles serão inevitavelmente subvertidos, transmutados, ignorados. Isso não foi uma pergunta, right.
Ana C. é uma nuvem lá fora. Uma nuvem cinza e esguia de óculos. Uma quase chuva sentada na poltrona, tragando e baforando tão distraidamente. Fogs saxões, oh yeah. É um livro que não sai da cabeça, é o chavão da dor e delícia: vamos anacristinar o que há de bom. Diga-me uma palavra única e serei salvo, oh yeah.
De volta à mesa, Delpy na roda. Deveria ser canadense, ela. Paris é linda como uma faca nova. Julie é linda. Angelina é linda. E essa imagem refletida no tampo de vidro, o que é? Pimenta. Precisamos de mais pimenta. Cortázar sabia das coisas, mas ele sabia em espanhol - agora o hit é a África, baby. Moçambique, Coetzee e tal. Onde fica Pasárgada, hein? Não era para ser aqui dentro, aqui fácil? No dos outros, nêgo, no dos outros é que é refresco.
Já faz sol lá fora. Não, passou. Voltou, mostrou-se, sumiu de novo. Tímido, ele, né? Astuto, prefiro acreditar. Como os gatos. Como as francesas - como todas as mulheres de lábios carnudos, aliás. E alguns homens de lábios nem tanto.
Ontem era um conchavo prazenteiro enquanto aquela chuva incrível aguava tudo. Hoje estou meio blue, meio mono, meio assim.
Queria comer lã, como diria Rachel.

2.2.05
 
Acabei de saber que vou trabalhar normalmente no Carnaval.
Nenhum dia de folga. Nem um.
Minha agenda marca os dias 08 e 09 de fevereiro como feriados nacionais. Eu não sei o que pensar, juro. Tinha planos, meu Deus: queria descansar, namorar, dormir até tarde... foi como se o barulho do cartão de ponto me despertasse de um sonho bom.
Alguém me ajude: titio Getúlio comeu mesmo essa bola quando editou a CLT?

 
Os anos são como bálsamo para uns.
Para outros, não há veneno pior.

1.2.05
 
Urucum
Esse gosto de colorau na boca. Mas falta aquela cor.

 
"Algumas coisas não podem ser ditas", eu mesmo disse esses dias para repreender quem falou o que queria e deixou sem palavras alguém que amava. É proibido dizer: é cruel, é doloroso, é uma demonstração fácil e violenta de poder quando, dispondo dos recursos e percebendo a oportunidade, cutucamos feridas e expomos fraquezas que o outro pode, por deliberação exclusivamente sua, manter guardadas ou distantes para se proteger do mundo, da verdade, de si, oras. A confrontação e o enfrentamento são necessários, ok, mas nem sempre há força suficiente que os permita naquele momento, às vezes é mais auto-preservação do que fuga esquivar-se de certo assunto, idéia, desejo - e assim é que, com tempo (incerto) e consciência (obtusa), um dia se chega a fronteiras que enfim serão vencidas ou demarcadas como intransponíveis limites... Mas só então.
Mais uma vez a urgência, agora transcendendo os nossos particulares e exigindo que o umwelt esteja em ordem - na nossa ordem -, espelhando toda a individualidade dentro do mais subjetivo código que pode haver, como se fosse possível estender uma meia dúzia de similaridades à classificação de nicho, à interpretação de padrões, à convenção.
Talvez sejamos todos convencionados, se não convencionais. Eis uma questão. Não cabem júbilos ou opróbrio sem que se diga "E para você, como é?" - todo diálogo é uma cadeia infinita de associações, e nunca será estanque esse processo de interpretar, julgar, reagir. Só acho injusto esquecer do outro (e de si, até) para repetir discursos prontos como se fossem manuais de instruções para a vida: Faça-o-que-eu-digo-não-faça-o-que-eu-faço é uma leviandade.
Diga-se o que se quer, mas pague-se o que se deve.




~ Cada um escolhe a verdade
em que quer acreditar.
~