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31.5.04
Se muito frio: pés gelados, medo de só. Se pouco tempo: pressa e pressão. Se dúvida: búzios ou cartas, simpatia ou céu, qualquer corrimão nessa escada sem tapete. Se longe: uma música para imaginar dedos deslizando pelos cabelos. Se angústia, se destempero, se tanto "se": incenso de vetiver, banho de verbena, uma vela amarela. Alguém me diga, por favor, se ainda vamos nos salvar. Eu falava de armários e gavetas e, quase por acaso, achei nos arquivos uma citação de Lya Luft, sempre ela, tão apropriada, tão justa: "E tudo faz sentido quando se deixa de tentar enfiar o mundo dentro de gavetas e escaninhos, e simplesmente se abre pensamento e desejo, para voar." Pois sim. Se me perco no teatro da vida, guardo um tempo para me encontrar no cinema. Hoje, o programa foi conhecer o novo HSBC Belas Artes, que de novo pouco tem, e ver Histórias mínimas, do argentino Carlos Sorin. Lembra ora o Lynch de The straight story, ora um certo Central do Brasil, no que ambas as referências têm de melhor: dramas minimalistas e universais, silêncios perturbadores, muito convite à reflexão, já que poucos (não mais do que os essenciais) elementos são dados sobre os personagens. Excelente, excelente. Boa safra por aqui, nesse primeiro semestre do ano. E faz de conta que sempre tem pipoca e refri gelado, e a música dos créditos é sempre linda e alegre. Eu vejo as estórias acontecerem. Um romance furtivo, outro que se insinua continuar, relaçãos familiares complicadas, namoros em altos e baixos, problemas de saúde, um sonho de desejo, mudanças aqui e além, tudo passa pelo palco do teatro onde alterno muitos papéis: ensaio falas, troco o cenário, experimento figurinos, vejo as luzes, sento na platéia e assisto às cenas. As vidas não são filmes, são peças. Grandes épicos compostos por pequenas tragicomédias em atos irregulares, e nos intervalos é quando fecham-se as cortinas e se pode fugir para outro espaço-tempo, um hiato de delírio fundamental para que alguma interpretação se dê - não aquela dos atores, mas a que pretende enquadrar os estímulos dentro da meia dúzia de armários e suas inúmeras gavetas que reservamos para as coisas de entender e sentir. É nesse momento de inteligência natural (ou reflexão induzida ou ócio sináptico) que as respostas tomam forma, como se surgissem do nada, arroubos de sagacidade ou iluminação divina, tanto faz, o que importa é que finalmente se sabe o que pensar, o que fazer, o que dizer. E de partilhar um insight qualquer aflora o brainstorming salvador que tantas vezes abre as cortinas para revelar mais uma seqüência de diálogos, gestos e música, até que o drama se esgote ou novo obstáculo se imponha, e novo motor seja necessário. Esse motor, eis a grande questão. Eu vejo a minha estória também, mas, por falta de inspiração ou competência, às vezes simplesmente não sei como continuá-la. Aviso aos desavisados: Gizele, a única, a incomparável, a inesquecível, finalmente chegou ao Orkut! Mandou mensagem aos fãs de sua comunidade, e eu até já escrevi para ela! O próximo passo é pedir um autógrafo no meu cd. Fim de semana no cinema: ontem, pré-estréia do israelense (e muito sutil, no melhor do termo) Delicada relação; hoje, depois do esplendoroso Anti-herói americano, não resisiti e fui ver o mundo se acabar. Eu diria que basta trocar as falas dos personagens por pantomima, aí fica tudo ótimo, que os efeitos - obviamente o trunfo da produção - são, de fato, um arraso, e quem vai ver um filme assim tem mais é que abstrair das baboseiras e se deliciar com o espetáculo visual. Nesse espírito, eu confesso que ADOREI ver o sorvete de Nova Iorque e toda aquela catástrofe, vou nem mentir! E viva a sétima arte! Update: E OLHA O QUE EU ACABEI DE CONFIRMAR! A Dra. Lucy, esposa do Dennis Quaid nO dia depois de amanhã, é interpretada pela Sela Ward, que fez a Kim Lacey de Está sobrando uma mulher, cláááássica comédia da minha pré-adolescência! Eu sabia, eu sabia, eu sabia! 29.5.04
Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face. E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus; E arrancarei meus olhos para colocá-los no lugar dos teus; Então ver-te-ei com os teus olhos E tu ver-me-ás com os meus. (Convite ao encontro, Jacob L. Moreno) Para minha estrela. Gripe, alergia, resfriado, não faz diferença. Só quero que, pelamordedeus, alguém faça meu nariz parar de escorrer. Se puder regular o ar-condicionado central de São Paulo na saída, já ajuda. Outra madrugada, outra bebedeira, dessa vez na casa dele, também com ela, o outro e o mais novo agregado. Ella cantando Fever. E esse vinho está ótimo. 28.5.04
Agora acho que dá para desligar o sorriso de canto de boca e lembrar que vi Minha vida sem mim. Muita sugestão, mil reflexões, aperto no peito durante todo o filme... Quando os créditos subiram, eu só queria secar o choro no colo da minha mãe. The end. Recado no espelho: Que tal você parar de brincar e se levar a sério, hein? "A" hora pode nunca chegar, se a porta não estiver aberta, nêgo. Não é preciso tutorial, nem empurrão, bastam vontade e empenho. A idéia do insight arrebatador pode bem ceder espaço a um trabalho constante, mesmo que experimental, pelo menos para delinear um caminho - é com o primeiro passo que se começa uma viagem. Repetindo de novo, para tentar lembrar da próxima: cinco e meia da manhã não é uma boa hora de ir pra cama. Mas o samba foi ótimo, a cachaça também, e daqui a pouco eu não vivo mais sem o cachorro quente da madrugada... 27.5.04
FYI: Tirei 8,2 na prova de Estatística. A média, pelo visto, foi em torno de 5,75. sou um monstro. Tchu-ru-ru... E hoje tem Samba! Confirmados até o momento: eu, Gabby, Vitor, Lau e Teca - diversão garantida ou sua tristeza de volta! Então tá tudo certo pra noitada: os errados somos nós! Olha, já temos uma tequilada de comemoração agendada. E, se o vento mudar pra cá também, vou comprar meia dúzia de cachaças das boas e convidar os iniciados para uma festinha aqui no Solar. Vai ter Espírito de Minas, Gameleira e a edição especial de 150 anos da Ypióca. E eu prometo, Cabs, que vou achar a J&S. É, aquela bidestilada espetacular, ela mesma. Ou seja, mais um motivo para todo mundo torcer! Ah! E eu casava com todas vocês, gatas! Com o Vitor, não: além de menino pequeno, ele é muito galinha. HAHAHAHAHA! Até essa hora acordado, pois nada poderia ser melhor do que conversar simultaneamente com uma baiana fogosa, uma recém-blogueira, a celebridade online e um pretendente mentiroso, HAHAHAHA! O papo foi tão absurdamente diverso que envolveu os ajustes das próximas festas, minhas sungas exóticas, segredos do sucesso da Clau, anéis vaginais e os supostos milhões do Vitor - para não falar das especulações e exaltações mil sobre os atributos físicos dos integrantes do conclave, HAHAHAHA! Minha mandíbula dói, de tanto que eu ri! Caríssimos, viva o MSN! E tem Samba na quinta e comemoração no dia 12 - quem viver, virá! ;-] 24.5.04
A gente era muito grudado, eu e a Nêga: morávamos em quarteirões vizinhos, estudávamos na mesma sala, treinávamos juntos, fazíamos sempre os mesmos programas, com os mesmos amigos. Quando eu saía mais tarde do vôlei, ligava para ela e marcava de encontrá-la no nosso boteco, para tomarmos cerveja, comermos feijão verde e conversarmos as besteiras das últimas horas. Isso foi em 1994, e já éramos amigos há, pelo menos, sete bons anos. Passávamos muito tempo ao telefone, falando sobre tudo e todos, várias vezes ao longo do dia, desde que um acordasse o outro e até que o sono batesse, madrugada alta. Era como falar com o espelho, com o superego, sei nem comparar. Uma cumplicidade que só voltei a encontrar com Balla - entenda-se a preciosidade da coisa. Um dia, discutindo sobre amizade, a Nêga me soltou uma lição que guardo (e comprovo) até hoje: se alguém for seu amigo de verdade, não importa o tempo que vocês fiquem sem se ver ou a distância que os separem, porque o reencontro vai ser como se sempre tivessem estado juntos. E assim acredito, e assim a experiência mostra. Ontem, liguei para outra amiga do tempo de colégio. Ela não estava, falei com sua irmã, também minha amiga. Também minha irmã, aliás. Cinco meses sem dar notícias, e, ainda assim, a mesma alegria de rir das bobagens, o confiança tranqüila para dividir as angústias, aquele velho (mas ainda viçoso) carinho de sempre. Como se ainda corrêssemos na praia todo final de semana. De vez em quando empreendo o "resgate" de algumas pessoas queridas que se afastam devido às circunstâncias. Também fazem isso comigo o tempo todo, felizmente. É muito bom saber que dei laços bem apertados, difíceis de afrouxar. E que plantei boas sementes - só não posso esquecer de regar. FANTAAAAAAAAAAASTIC FANTASIA! Essa nêga é demais! Não sou muito de torcer por nada, mas, se ela não ganhar o American Idol, vou chorar de raiva e indignação. Vai cantar assim lá em casa, viu! Obrigado pela força, meus amigos. Desabafar também é preciso. Vizinhas novas no pedaço. Mais tempero, uma vida mais gostosa assim! Tenho tantos e-mails para responder que nem sei por onde começar. Vou deixando acumular e, quando chega a esse montante, não tenho saco. Para variar. O tal do troço, finalmente, se mostrou útil: venho reencontrando pessoas muito queridas que o tempo e a distância trataram de afastar. Espero que eu faça bom uso da nova chance de mantê-los por perto. Quando a ladainha cansa, a solução é trocar duas ou três palavras e transformá-la em mantra. Preciso ajustar meu sono. Isso de dormir tarde todo dia e perder as manhãs não me faz nada bem. Ou, roubando a fala de um personagem daquela peça do Binho: - Eu só queria descansar no peitoril da janela... 22.5.04
Ela brincava com ossos de animais quando era pequena no sertão do Ceará, porque não havia dinheiro sequer para fazer uma boneca de pano. Já chorei muito pensando nisso. Minha mãe é meu maior modelo, meu primeiro parâmetro, é nela que me espelho e me encontro quando preciso compreender. Mainha é uma mulher muito forte, sabe disso quem a conhece. Brigou para estudar, enfrentou muito preconceito, sustentou uma casa sozinha, levou, rebateu, amou para uma vida, e desse amor eu nasci. Meu pai foi o homem que ela escolheu, que a amou, respeitou e que junto com ela sonhou. Eles se deram as mãos - é o melhor gesto que me vem à cabeça para ilustrar aquela relação. Acho que nunca dei a mão para meu pai, não lembro disso. Nós nos víamos uma vez por semana, sempre aos sábados, para passar o dia na praia, almoçar nos melhores restaurantes da cidade, olhar os aviões no aeroporto - eu adorava! - e contar, pacientemente, luzinhas de Natal quando eu já sabia os números até mais que 100. Ele me provia: pagava meu colégio e os cursos que queria fazer, me dava dinheiro para os gibis, um brinquedo novo em todo aniversário e demonstrações sutis, mas sinceras, de carinho por minha mãe. Ela sorria, e ver aquilo me bastava. Sentir aquela tranqüilidade, quando nem entendia direito o significado de "preocupação", meu deus, hoje sei que muita gente morre sem conhecer. Mas os anos trouxeram as diferenças, e o diálogo que já era quase protocolar tornou-se menos freqüente, mais decupado, eu não sabia como nem sentia falta de conversar com meu pai. E o acordo se estabeleceu na cordialidade circunstancial, tão comum a tantos filhos. Agora, já crescido e feito homem, precisei pedir ajuda ao velho. Foi muito, muito difícil. Meu pai é um grande homem: muito trabalhador, com um senso extremo de responsabilidade e justiça, sábio e ponderado como ninguém que eu jamais tenha conhecido. Líder admirável, filho e irmão aglutinador, profissional reconhecido, amigo leal. Talvez por causa da minha condição filial, sempre levei muito a sério quando ouvia sobre a importância de me esforçar para tirar boas notas, aprender um ofício, me destacar, ser bem sucedido, andar com as minhas próprias pernas. A questão da independência também ressoava na história da minha mãe, e esse princípio (assim como o desejo) se cristalizou ainda muito cedo em mim, eu nem tive tempo de questionar. Lembro bem do dia quando liguei para papai e disse, extasiado, que não precisaria mais receber mesada porque já podia me sustentar com o meu trabalho - vitória! Foi como abrir uma porta que sempre estivera fechada, um cheiro de liberdade novo e bom. Desde então, parece que outro nível de cumplicidade se estabeleceu, pelo menos da minha parte: falávamos de homem para homem, já esmorecia a necessidade de afirmação que eu sentia porque, finalmente, pude me provar capaz, atingindo a suficiência que julgava condição para merecer e honrar a boa educação que recebi e todo o investimento em mim aplicado. Ficar sem emprego foi, de início, bem fácil: recebi uma bolada, zerei as contas, tirei umas férias. Viajei, aproveitei para curtir o dia na cidade em que moro, vi todos os filmes que quis no cinema, dormi o sono dos justos e o dos inustos, apresentei São Paulo à Clara, conterrânea recém-chegada. Demorou a cair a ficha de que o mercado está em crise e emprego virou artigo de luxo. Quando caiu, as reservas estavam chegando ao fim, e não demorou o momento em que as contas exigiam demais. Era inevitável pedir ajuda. Desde que fui demitido, não liguei para meu pai. Não tinha coragem. Sentia medo de ouvir que a situação não está fácil, você tem que trabalhar para ser indispensável na sua equipe, está na hora de tocar a sua vida porque eu não vou estar sempre aqui, sei lá que outras frases de efeito. De repente eu precisava assumir minha fragilidade, coisa que nunca fui ensinado a fazer. O orgulho que cultivava de bancar minhas contas teria que ceder espaço a uma humildade que me incomodava, que ainda me deixa desconfortável, porque eu quero, afinal, ser como minha mãe e meu pai: forte, seguro, competente. Quero não baixar a cabeça e ter peito para enfrentar os problemas. Precisei de muita análise para colocar as idéias no lugar. Três semanas repetindo que, se a dependência pode ser constrangedora, é absolutamente normal contar com o suporte dos pais na hora do aperto. Meu pai mesmo foi o grande arrimo da família toda, sustentando mãe, irmãos, filhos e agregados sempre que necessário. Então deveria ser fácil abrir o jogo e conversar numa boa com ele, explicando a conjuntura e pedindo uma força. Deveria, mas não foi. Ensaiei o assunto, pensei em um texto, chorei por antecipação. Na hora, arrumei sensatez sabe Deus de que bolso e consegui falar da minha inquietação com calma, objetividade e honestidade. E é exatamente isso o que mais me incomoda: quando o filho mais precisava aflorar, foi o relações públicas que resolveu tudo. E meu pai, como era de se esperar, me confortou, aconselhou, prontificou-se a segurar as pontas até que as coisas se ajustem. Ou seja, ficou tudo bem, no final. Mas o nó na goela não desceu depois de desligar o telefone, e não consegui conter o choro. Pela primeira vez na minha vida, acho, senti mesmo a falta de um pai. Que me pusesse no colo, passasse a mão na cabeça e ensinasse, sem ser doutrinário, que o homem pode tirar uma folga e deixar o menino tomando conta às vezes. Você me disse que eu afasto as pessoas, mas eu entendi, talvez mais apropriadamente, que não lhes permito se aproximar de mim. Isso me perturbou, meu querido, você nem imagina o quanto. Só queria que o pedestal fosse de açúcar. Ou de sonho, ao que bastaria acordar para que ele deixasse de existir. Definitivamente, isso não é horário de ir pra cama. Isso não é hora de se chegar da rua, eu sei, mas foi noite de Samba, havia cerveja e cachaça, companhia da melhor, e perdeu quem não foi. Fechamos a noite (e abrimos o dia) com cachorro quente bem vira-lata, batendo os dentes de frio, batendo palmas de alegria! E gata, AGORA eu entendo de onde você tira tanta energia! Porque 15 minutos, vamos combinar, é para viver pulando e festando mesmo! 19.5.04
Ainda não vai ser hoje que vou desabafar sobre meu pai: preferi conversar com alguns amigos e matar saudades em vez de fomentar uma dor de cabeça e outra no peito. Agora bateu o sono, e eu preciso MESMO de dormir cedo. Fica para amanhã, se a programação permitir. Vi Diários de motocicleta. Quanta vontade de se fazer um filme bonito, sensível, arrebatador, não? (...) Pelo menos um Rodrigo e um Gael bonitos. Pelo menos uma trilha sonora sensível. Pelo menos paisagens arrebatadoras. Mas eu prefiro Central do Brasil, de longe. Me pareceu mais autêntico e sincero. Reclame-se Não tenho saco para gente que repete, daquele jeito malicioso de quem pretende instigar, o quanto gosta de sexo. Ora, bolas, essa é a condição da maioria das pessoas saudáveis e aptas, caro(a) deus(a) da luxúria! Digno de nota seria se você não gostasse. A moda de se dizer "bissexual" passou faz tempo - em meados da década de 70, aliás. Muitos dos que assim se definem o fazem por covardia; outros tantos, por pura ignorância (acham que brincam com a vanguarda? têm medo de experimentar seus limites?); uns, ainda, resignam-se ao rótulo. E o resto gosta de chocolate preto e de chocolate branco, tá certo, mas esses são poucos. Não agüento esse povo metido a psicólogo que adora apontar motivações obscuras e explicações supracognitivas para qualquer lapso ou idéia não elaborada à suficiência. Até os macacos menos treinados fazem associações, isso não é sinal de iluminação freudiana: peça-lhes para enfiar linha em agulha, eles não conseguem. Respostas de manual só servem para modelos de gente menos complexos. A discussão sobre preconceito é, no mais das vezes, preconceituosa per se, por carecer de exame crítico. Não custa passar a mão na testa antes de arrotar um discurso bonito. E, como dizia (ou pensava, no mínimo) a minha vó, a sua e todas as outras vós do mundo, "gosto é como cu: cada um tem o seu". É apenas sentimento, nem sempre compreensível - e esse entendimento, quase sempre, sequer importa. Ponto. O Orkut cansa, às vezes. 18.5.04
Hoje a minha fada moura preferida faz anos! Bem enrugadinha, tá ficando! E mais gostosa do que nunca! Beth, amor meu, você é o mulherão mais doce dessa cidade! No sábado a gente toma uma cachacinha juntos, pra comemorar teu brilho! Todo dia de análise é estranho. Ela me dá muita matéria para pensar, desaparece com o chão, me atordoa. Não sei aonde esse processo me leva, mas tô pagando para ver. E há cada vez mais perguntas. Dia inteiro na rua: sacar dinheiro no banco, comprar desodorante, escolher guarda-roupa, sebo, sebo, almoço, entrevista, almoço, sebo, Fnac, sebo, sebo, sebo - UFA! O saldo? Quatro cds novos (Guiomar Novaes, Bethânia, k. d. Lang e uns hits de cinema, êba!), muita dor nas costas, um calo, a raríssima mini-série Blood, do J.M. DeMatteis (Clara me deu de presente! Gata, vai escolhendo o vestido!) e a certeza de que eu nasci para ser herdeiro, meus pais é que não entenderam isso. - E se eu quebrar, você me cola? (Ou - Se eu quebrar, você me assume?) Eu assumo as pessoas que amo. Não falamos de dividir conta, de dizer as palavras certas (duras ou doces), de qualquer liberdade, sentimento ou incondicionalidade: é mais que isso. É quando as pernas fraquejam, e nenhuma muleta sustenta. Ou quando o aperto no peito não se traduz, quando o silêncio é a única resposta possível, quando o choro se faz oceano, quando os horizontes perdem as cores. Nessas horas, a gente quebra. E não há cura (nem cola) milagrosa, mas assunção. Não sou o amigo irretocável, nem o namorado ideal, nem pau para toda obra. Falho, como todo mundo. Dou margem a dúvidas, eu sei. Mas sou leal àqueles que me importam e corro riscos. E os assumo, sim, pelo que são e por tudo que me dão, por quanto me aceitam e porque simplesmente não faz sentido de outro jeito. 15.5.04
Sábado com cara de domingo, passei o dia tentando esquentar os pés com minhas pantufas de abelhas. A casa cheira a macarrão, e eu estou tonto: depois de ler Ana C., ver As horas doeu mais forte. O nó na garganta agora não deixa passar molho nenhum. De você eu retiro a falácia, assim o silêncio silencia. De você eu retiro a vilania, porque esse trabalho não é seu, Nem deveria. D'outro dispenso a soberba, que ele resolveu inventar sem ter. Então retiro de ti o brilho do olho, que me cegou outra vez. E mais para lá retiro suas verdades, são todas como Castelos de areia. Pedindo para serem sempre reconstruídos, mas você só espera A maré subir. Volto a retirar de outra pessoa sua inveja, a respiração fortalece. De você eu retiro a doçura, que demais sempre machuca. E mais pra lá retiro de mim também, que me matou outro dia. Tentei retirar um coração, mas o sangue era muito. Tentei retirar uma alma, mas suas fibras são inenarráveis. Tentei retirar uma ponta de qualquer-coisa e peguei-me No espelho. E depois de muito tempo entendi Que o pacote vem fechado E não se tem como retirar nada Apenas transformar Além do que você é. Além do que eu sou. Impressionante. Precisei surrupiar, sem nem pedir autorização. Aquela casa já guarda muitos momentos nossos, estórias e histórias de riso, lágrimas e alguma confusão. Mas hoje foi mais intenso: a verdade no vinho, homenagens prestadas, confissões mudas. Uma noite de quebrar vidros e colar espelhos, sabendo que os laços se apertam na medida em que a entrega se dá, tão sincera e inevitável, fluida como cachaça, doce feito mousse de chocolate. E assim somos mais amigos, assim nos amamos mais, assim, sempre, mais. Gabby, Guiu, Rô, que bom contar com vocês! 14.5.04
Normalmente eu sou doce, mas não ando muito normal. Posso dar aulas de etiqueta, de tão polido - quando necessário. Fiz curso e tudo, até traduzi livro sobre. E, apesar dos faniquitos, tenho uma paciência de Jó às vezes. Mas não me façam perder a classe, por favor. Estou avisando. Ouvindo Joss Stone, atesto: ela é muito boa MESMO! E o Rô, que me vai gravar o cd dela, é amigão! Pela disposição, pelos papos todos e pelo leito, meu amigo muito mais que querido, e por essa alegria de dividir música madruagada adentro. Eu quase peguei você pelas orelhas e trouxe pra casa. Aí eu ia te mostrar que esses óculos modernos são disfarce, e que prazer é algo muto maior do que essa bobagem metafórica que você define com a sua parca poesia. tou meio bêbado de um monte de cerveja, nem sei direto o que escrever.... eu adoro vocês três, e o cabeção é meu amigo pra caralho, e a MARIE VAI EMBORA e EU VOU MORReR DE saudade, saco! Batata frita é a melhor coisa, quase empata com cerveja! (UPDATE: post loucamente editado para evitar vergonnha posterior) 12.5.04
E eu ando super "discutinte" nas comunidades do Orkut, tô me sentindo O participante! Falo de Bethânia, conto dos meus livros preferidos do João Gilberto Noll, tergiverso sobre poesia essa e aquela de Ana Cristina César, trato de cinematografia diversificada, dos rumos da música brasileira e da obra de Neil Gaiman. Culto, intelectual, quase chique. Admito que talvez não seja lá tão densa nem edificante assim a comunidade dos virginianos psicóticos... Nem a dos fãs de American idol, é verdade. Mas com essas eu também me divirto um bocado, vou nem mentir. P.S.: Abade, eu ainda te amo, viu, fofura? Sobrevivi à prova de Estatística - acho até que fui bem. Obrigado pelas preces, pelas simpatias, por toda sorte de boa vibração nesse momento de agonia. É tanto alívio que vou me dar uma tacinha de vinho (ou uma dose de cachaça) antes de dormir, para espantar pesadelos, sem esquecer de rezar ums três pai-nossos de agradecimento e outros quatro para pedir proteção: do jeito que eu almadiçoei os inventores do Minitab, é capaz de uma alma penada vir puxar meu pé à noite, ui! Faltam 18 horas para a prova de Estatística. Cansei de tentar entender para que servem intervalos interquartis e boxplots. Aprendi que, se o exame fosse composto por 40 testes com 4 opções cada, a probabilidade de eu tirar 5,0 (a média naquela honorável faculdade) chutando é de 0,1%. Considerando que não haverá testes, mas quatro questões abertas com três itens cada, imagino qual é a probabilidade de eu incorporar um cabôco mais sabido (ou menos míope) que me ajude na empreitada... Só imagino, aliás, porque calcular, que é bom, eu não sei. Nesses dias de ansiedade, estou me alimentando basicamente de castanhas de caju, chocolate e sorvete. Em quantidades imorais, dá até vergonha contar. Aí eu lembro do instrutor da cadimia, no diálogo mais ridículo dos últimos supinos: Ele - Que cara de bunda é essa, rapaz? Eu - Detesto isso. Ele - Mas é importante fazer atividade física! Eu - Coletar lixo também é, mas nem por isso sou eu quem vai lá. Ele - Você não gosta de musculação? Eu - Ô! (com cara de muuuuuita ironia) Ele - Mas você tem que fazer alguma coisa que te dê prazer... Eu - Dormir! Ele - Acordado, né, pô? Eu - Beber, pode ser? Ele - Deixa eu ver... você tem tipo físico de ciclista. Eu - HAHAHAHAHAHA! Não sei nem andar de bicicleta! Ele - Sério? Eu - Nem de pai, nem de mãe. É genético. Ele - Mas e a ergométrica ali? Eu - Nunca! Eu caio. Ele - HAHAHAHAHAHA! Eu - ... Do jeito que o cardápio anda, meu "tipo físico" deve se definir rapidinho: vou virar lutador de sumô. Já estou até me vendo na fila da farmácia, tentando explicar para a velhinha da frente que as fraldas descartáveis são todas para mim: - Essa é a indumentária padrão do esporte que eu pratico. Tipo um kimono, sabe como é... Se ela não entender, eu como outro chocolate e dou de ombros. Hunf. 10.5.04
Travesseiro sofria com o fim do namoro, foram quase quatro anos de imensa comunhão que o tempo, a pouca idade e as muitas dúvidas se encarregaram de diluir em dúvidas, trazendo dor, aquela dor seca e pungente que parecia nunca iria passar, mas o jeito era continuar tocando, life goes on etc. etc. Então Travesseiro, que não entendia de paqueras - perdera o traquejo e a confiança -, achou que precisava de um escudo para se defender de dragões e monstros que espreitavam, certamente o espreitavam, ele que era frágil, mal sabia lutar, estava certo de que alguma proteção era imprescindível, fosse ela a indesejada reclusão ou uma traiçoeira tela de computador. No campo de batalha, incansável, nosso herói deparou-se com um lindo Espelho, cheio de predicados, esbanjando adjuntos, sorrindo em sol. Travesseiro encantou-se com os reflexos, que sabia sinceros, que acreditara impossíveis: meros indícios, sonhos inteiros. Investiu, meio sem jeito. Perdeu aquela luta, como todas as outras que se seguiram, sem chance de vitória: Espelho não queria aliados, não estendia a mão. Mudando de guerra, Travesseiro resolveu mostrar a cara, ainda que escondesse o peito, mas era tempo de embates mais reais, menos distantes. Escolheu novo tabuleiro, armou-se de outras peças, repensou sua estratégia e partiu ao ataque. Bateu, desavisado, em um Muro alto, imponente, sólido. Intransponível? Era belo, é certo, e encantador. Nele se podiam ler muitas palavras riscadas a pena e giz - suas pedras frias guardando que segredos, que tesouros? Mas o Muro não se prestava a apoio ou escada, preferia ser obstáculo de si, e assim Travesseiro desistiu da lida novamente. Eis que o mundo dá voltas, disso todos sabem, mas tantos desconsideram. Voltando pelo mesmo caminho, em busca de ver além do já visto, um duplo reencontro acertou Travesseiro em golpe certeiro, como uma flecha a uma mosca: amplo jardim, Muro e Espelho unidos por um fino traço, sem traço de conflito, a contar em prosa e verso das belezas e cruezas que viviam por aí. Perseverar ou aceitar: o que é a paz, enfim? Momento carência: Se esse blog recebe tantas visitas quanto diz meu contador, por que tão poucos comentários? Que tal dar um oizinho só para eu saber que não estou só? Ou será que preciso falar das partes de novo para ouvir a voz de Deus? 9.5.04
Adorei a interface nova do Blogger. Além de ter ficado beeeeem mais clean, foram eliminados alguns passos, agilizando a publicação - e agora dá para saber a quantidade de posts de cada blog (talvez antes já desse, mas não era tão claro), e me assustei ao descobrir que esse vai ser o post número 686 aqui, enquanto no primogênito foram 1269 posts! Como eu escrevia naquela época, como era mais fácil e espontâneo... Talvez eu tivesse mais tempo e disposição. Ou necessidades que perderam o sentido. Não quero pensar nisso, acho que preciso de mais sorvete de flocos. Ou de namorar. Descobri que hoje é Dia das Mães no Brasil, nos EUA e na Bélgica, talvez seja no mundo todo, ou na maior parte dele. Já falei com a minha, a principal, a progenitora, há outras, mas ela é a primeira, é dela que eu sinto mais falta, são dela o cafuné que eu queria receber e o espelho que eu queria riscar com seu batom preferido, apenas para lembrá-la do quanto a amo antes de entregar o presente, um mimo qualquer, um livro ou dois metros de tecido com que fizesse uma roupa bonita - ela é tão linda, minha mãe! Foi rápido, ao telefone, ela trabalhava e eu sentia saudade, ela sentia saudade e eu rezava para que esteja tudo bem do lado de lá da linha e do trópico, pois sei que ela também reza, eu também trabalho, somos tão pares, sou tanto dela, e ela é tão eu, como um espelho riscado de batom apenas em uma imagem, dois reflexos distintos por vincos na cara, maquiagem e alguns quilos, mas iguais no brilho do olho, no riso fácil, na força e na ternura, até quase no dia de anos - eu, de fato, ela, no papel -, até na pouca disposição para exercícios e no grande apreço por farinha. Minha mãe, minha jóia de valor imensurável, meu herói, meu oráculo, meu laço apertado, minha certeza de amor. De cá mando um beijo, trabalho e rezo. Uma hora dessas, gatona, a gente se encontra de novo, então vai ser a minha vez de levantar você nos braços e girá-la no ar. Acabei de chegar do show do Beto Barbosa. Aquele mesmo, o dito "rei da lambada" de quando ainda existia lambada. Foi assim: estava eu em casa, já de cueca e criando coragem para o banho, quando toca o celular, e sou convidado, intimado, chantageado e (con)vencido - repare-se a progressão cronológica e dramática da circunstância - a ir até Santa Cecília, já mais de meia-noite, para o tal evento. O lugar se chamava Bastidores. A parede era cor de rosa, e tinha várias luminárias em forma de larvas andróides. Os ventiladores espalhavam o bafo quente, a fumaça de cigarro e os cheiros de cigarro, suor, cerveja e perfumes doces, muito doces. As "bailarinas" no palco pareciam figurantes de Jumanji. Devia haver quatro não-nordestinos no ambiente. Todos, aliás,na nossa mesa. Só tocaram forró. A noite inteira. E eu a-do-rei! Balance no A, no B, no C Balance com BB! 6.5.04
Aí vem o vento e sopra. Não falo mais de dignidade, que esse assunto já foi: a dúvida era necessária, e tomei a decisão certa. Agora, sorrisos para os planos e as chances - há de ser! 4.5.04
Eu queria rir, juro, me prefiro assim: alto, às gargalhadas, cabeça para trás e mãos na barriga, olhos apertados e úmidos, quase faltando ar para encher o peito de tanta alegria, que pode ser daquela mais besta de piada ou do melhor êxtase carnal, mas que seja riso e puro e sincero - mais do que tudo, sincero. Mas não é sempre, não posso ser tão otimista o tempo todo, quero que a calma, toda ela, aliás, a calma não, quero que todo pedido de calma se exploda, porque é preciso xingar também, é direito o espaço para a negativa, a desesperança e a dúvida, nem que seja mero desabafo, tomara que seja só isso, mas o ar, o ar que volta para encher o peito precisa ser expirado em alívio ou raiva para se renovar, se trocar, transformar. E que me transforme logo por dentro, porque eu tô à beira. 3.5.04
A grande confusão de agora é bastante objetiva: grana. Dinheiro é necessário para morar, comer, comprar cd, fazer análise, engraxar sapato, ser roubado e arrumar assunto para reclamar e beber em bar. Estou tentando fazer de conta, mas começo a ficar monotemático. Então, prefiro ficar na minha. Hoje à noite eu queria mesmo encher a cara, acordar de ressaca e tomar mais cachaça com a terapeuta amanhã. Meu programa favorito na tv perdeu um pouco da graça: a America (sic) votou e eliminou Jennifer Hudson, uma das mais fortes candidatas, de longe, deixando outros queridinhos no páreo. Depois de Bush, mais uma vez os ianques (com)provam que não sabem votar. 1.5.04
Você me disse coisas importantes hoje, das que todo mundo merece ouvir e de que algumas pessoas precisam ser lembradas. Desenvolvemos, inconscientemente ou sem chance de defesa, essa obrigação de humildade auto-infligida para que seja possível e pacífica a vida em sociedade, mas um recurso de identificação assim termina por obnubilar ("obnubilar" soa ridiculamente pedante, eu sei, mas não tinha outra palavra melhor*) nossa capacidade de aceitar elogios - e carinho. É como se fosse "errado" ser bonito, doce, inteligente, por mais que admirar no outro tais qualidades seja um sinal de aceitação, reconhecimento, altruísmo, até. Mas que justiça há em definir parâmetros de retidão para classificar a essência do que se é? Como separar joio de trigo no meio de gente que se conhece através de testes de personalidade ou em perfis gerados a partir de formulários com fins mercadológicos? Somos todos muito mais do que padrões de comportamento, estamos além de tribos ou grupos, a teatralidade cotidiana é metonímica por natureza. E podemos, sim, agradar sem culpa. Faz parte de nossa complexidade ambivalente. Obrigado, querido. Por me fazer pensar, pelo abraço e pela aposta no que vem. * Por que eu me justifico? Se o blog é meu e o que está aqui só interessa a mim, por que preciso de qualquer permissão? É, a terapia tá foda. Aviso: a marida voltou a escrever! De leiaute novo (graças a mim), casa nova, cidade nova e bolsa de mestrado nova, mas com aquele mesmo jeito Balla de pensar e viver o mundo. Morto de feliz porque vou poder saber mais de ti assim, gata! Então me dou conta, meu amigo, de que ainda não desço, que as armas estão altas, que a muralha existe. Como os quereres são opacos e difusos. Percebo a esponjosidade morna do desejo, mas não a entendo. E, acatando essa ignorância, aceito o marasmo dos dias sem escolha ou contrição. Se bonito, espelho. Quando estranho, véus: deixa disso, outros olhos, questão de tempo ou não importa. Vale o que a gente quer ver, certo? ~ início ~ |
~ lendo ~ Alê (BGML) Balu (Sim, eu OdeioSopa!) Beth (E-Beth) Camila (Tapetes de Penélope) Clara (The Clara Beauty Journal) Clau (Lettiânia) Djoh (Caminho Dourado) Ematoma (Objetos de desejo) Gabby (Nêga do leite) Guiu (Perto do coração selvagem) Lola (Escreva Lola Escreva) Marie (Je suis Marie) Phelipe (papel pop) Rafaela (Letra e Música) Renata (o livro de areia) Ronaldo (Satyricon) TDUD? (Te dou um dado?) em que quer acreditar. ~ ~ passado ~ agosto-2009 junho-2009 maio-2009 abril-2009 março-2009 agosto-2008 junho-2008 maio-2008 abril-2008 março-2008 fevereiro-2008 janeiro-2008 dezembro-2007 novembro-2007 outubro-2007 setembro-2007 agosto-2007 março-2007 fevereiro-2007 janeiro-2007 dezembro-2006 novembro-2006 outubro-2006 setembro-2006 agosto-2006 julho-2006 junho-2006 maio-2006 abril-2006 março-2006 fevereiro-2006 janeiro-2006 dezembro-2005 novembro-2005 outubro-2005 setembro-2005 agosto-2005 julho-2005 junho-2005 maio-2005 abril-2005 março-2005 fevereiro-2005 janeiro-2005 dezembro-2004 novembro-2004 outubro-2004 setembro-2004 agosto-2004 julho-2004 junho-2004 maio-2004 abril-2004 março-2004 outubro-2003 setembro-2003 junho-2003 maio-2003 abril-2003 março-2003 fevereiro-2003 janeiro-2003 dezembro-2002 novembro-2002 outubro-2002 setembro-2002 agosto-2002 julho-2002 |
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