~ gente ~






28.2.03
 
Ai, essa minha boca ENOOORME...
Tenho que deixar de ser enxerido, que até quieto eu consigo me meter. Estavam oferecendo chocolate aqui no escritório, em meio a muitos risos, com uma caixinha enfeitada na mão. Já tonto, à beira de um colapso físico e mental, gritei:
- EU QUEROOOO!
Quando mostram, os gaiatos, um pênis de chocolate no pior estilo "sex shop de segunda mão"... Sorri amarelo, enquato o prédio parecia ruir ante o estrondo de risadas do departamento ao lado. Bem podia ter caído mesmo, que assim não renderia assunto pra semana que vem e me pouparia o trabalho de procurar um tanque de guerra que me atropele sem pedir muitas explicações.

 
Meu desconforto com as meias palavras é tanto quanto o prazer que as entrelinhas me dão.

 
Tenho dormido cedo como nunca: o corpo e a mente andam pedindo sossego.
Ontem, deixei a cabeça afundar no travesseiro. Um peso quente, escuro.
Antes de apagar, pensei um teco sobre como sou.
Sobre quem e o que sou.
Você já pensou nisso?

27.2.03
 
Por mais que eu me esforce - e tenho corrido um bocado -, só levo porrada.
Ainda bem que sou muito paciente, na maior parte do tempo. Preciso ser, trabalho com gente, e gente é um troço complicado: exige, (de)manda, depende, supõe, delega...
Mas sou humano, falho, escorrego de vez em quando. E levantar precisando cuidar das esquivas, vou te contar, não tá fácil, não. Ou aprendo a brigar (e já disse: sou péssimo nisso) ou junto meus ca(care)cos e vou-me embora pra Pasárgada. Lá, todo mundo já sabe.

 
Confirmei nesse site que meu orixá é Logun-Edé, como o sujo tinha me dito.
Sobre os arquétipos:

Inconstantes e indecisos, refletem o caráter dualístico da divindade.
Encontram dificuldade em situações onde é preciso se definir. Por isso, além de carinhosos, amorosos e sensuais, são, alternadamente, frios e calculistas. Bonitos, orgulhosos e vaidosos, são ao mesmo tempo reservados e um pouco calados. Ciumentos e um tanto solitários e discretos, são pessoas atraentes e sedutoras.


Não acho que eu seja exatamente "um pouco calado". E "bonito, atraente e sedutor", vamos combinar, é o auge da licença poética. Mas vale visitar, pela curiosidade.

 
SAÍRAM as fotos do aniversário do Marcos!
Preciso dizer que foi uma palhaçada só? Toda sorte de psicopatas reunidos, a caráter, bebendo e fazendo marmota - mas sem links nem identificação, por favor, que já basta a lembrança do evento a quem lá esteve...

26.2.03
 
A pedidos...


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Doida mesmo. Graças a Deus ainda se encontram doidos assim.

 
Lendo o Guiu, lembrei de como eu escrevia com mais paixão no meu primeiro blog. Pensando melhor, vejo que está faltando paixão para quase tudo na minha vida. Triste, isso. Preciso voltar a dançar. Ou mudar de trabalho. Ou de cidade. Ou encontrar um grupo legal de biodança. Ou cruzar, na seção de poesia da Fnac (pode ser no balcão de analgésicos da farmácia, tanto faz), um par de lindos olhos castanhos que me arrebate e arremate o coração.

 
É, de volta ao YACCS. O Haloscan não está dando conta...


 
De volta às aulas, eita. Enquanto falávamos sobre eficiência e aplicabilidade dos grupos de discussão para pesquisas qualitativas, assumi que sou publicitário. Foi esquisito porque até esqueço que essa é minha formação: faz tempo que preencho formulários e me apresento como Relações Públicas. Não me identifico com a Publicidade, não gosto de "ser enquadrado" na categoria. Não mereço o título, acho. Como aposto que deixo de ser Relações Públicas quando engrenar pela vida acadêmica: é tudo circunstância, afinal. Ainda vou rir dessa confabulação, já coroa, vendendo sanduíche natural na praia ou cachaça em colônia de naturismo.

25.2.03
 
Quando eu era pequeno, não comia nada: verdes, legumes, frutas, cebola, sopa, cozidos, ardidos... Peixe, só frito – na praia. Carne tinha que ser esturricada, crocante. O arroz, se tivesse qualquer tempero além de sal, eu nem provava. Minha Vó (ela não era "avó" – era Vó, mesmo, com letra maiúscula e tudo), para não ver o netinho querido e mimado passando fome, preparava tudo separado, do jeito que eu queria: se o cardápio era frango cozido, lá estava, de ladinho, o peito desfiado para a minha omelete; se uma panela de peixada fumegava na mesa, minha Vó me trazia um macarrão com carne moída e um monte de azeitona, sempre gostei, para me ver saciando a fome e o dengo.
Aos oito, nove anos, fui internado com difteria, uma infecção braba na garganta (foi aí que o suplício começou...) que quase me leva. Lembro daqueles dias de quarentena no hospital, isolado das outras crianças, sem poder receber visitas, levando muitas e muitas agulhadas (eu me mexia muito, a veia escapava) para o soro, contando as horas pelos gibis que lia. Esperando, todo dia, a hora em que minha mãe chegava e, pela janela, me tocava os dedos, lágrimas aqui e lá, enquanto a enfermeira trazia um pratinho térmico, de plástico, com o banquete preparado por minha Vó: arroz no sal, batata frita, farofa e bife pretinho, esturricado, como ela sabia que eu adorava. Quase bons tempos.
Minha Vó morreu, fui cedendo nas restrições. Já tomava sopa, caldo de peixe, até descobri que coração de frango era comestível! Aprendi que havia outras frutas no mundo além de banana, laranja e uva, e parei de catar cebolinha e coentro no feijão. O ponto de virada, entretanto foi a mudança para São Paulo: sem Vó, mamãe nem babá, amarguei meses de Miojo e hambúrguer até deixar de frescura (no meu caso, era frescura,sim) e me aventurar pelo encantador mundo gourmand. Hoje, posso dizer que como praticamente tudo, à exceção de jaca, jiló e chuchu, além de umas esquisitices da minha terra que só Deus sabe como é que se ingere (panelada, sarrabulho, sarapatel e congêneres).
Estou sentindo falta do bife da minha Vó. De ouvir mamãe reclamando que sou mimado e me fazendo cafuné. Da minha babá cuidando, dobrando meus lençóis, perguntando se quero um suco. Vontade de casa, muita.

 
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!!

Foi um grito de euforia com a notícia maravilhosa que recebi agora há pouco! Porque, se parece que a gente gosta de reclamar, motivo para comemorar também não falta, felizmente!

24.2.03
 
Acho que todo mundo tem seus dias de pouca conversa, né? Quando não se tem muito o que dizer nem disposição para ouvir - quem não sente isso de vez em quando? -, falta espaço para o diálogo e é melhor ficar quieto.
Hoje eu tô na minha. E fique na sua quem quiser - todos temos esse direito.

 
E só deu Norah Jones no Grammy, hein? Não gosto dela: muito melosa, de uma candura que chega a enjoar. Prefiro a Luciana Souza, sem protecionismo. Ou LaVern Baker: comprei ontem o cd Saved, fantástico! Blues e R&B de primeira!

23.2.03
 
"(...) não sou só eu que não tenho todas as respostas (e que nem precisamos tê-las), que dragões ou leões a gente mata todo dia, lutando consigo mesmo. Que viver é chorar, sentir-se inteiro, ser absurdo. E rir, brincar, amar, sofrer."
(Balla, me fazendo arrepiar nessa tarde estática.)

A saudade não tá cabendo, meu amor...


22.2.03
 
Estou bêbado.
Não canso de Buxtehude (toca agora Ad ubera portabimini), mas hoje chorei ouvindo Byrd.
E também preciso dos "English Madrigals" (The King's Singers).
Na Nati foi ótimo, o Bailão nos aguarda: se a noite é uma criança, a madrugada não quer mais vestir timão... espero pela bagaceira quando acordar.

 
Então chega de trabalhar, né? O dia está lindo, faz um calor danado, vamos comemorar o aniversário de um certo palhaço com espetinhos e cerveja na Nati e, quem sabe, chacoalhar o esqueleto mais tarde.
Hora de findesemanar, babies!

21.2.03
 
É sexta-feira, estou cansado, ainda de ressaca, com fome, carente, atrasado, entupido de trabalho... doido para sair correndo daqui e ver a noite, conversar com a Lua, cantar na rua. Vontade de asas: hoje eu queria, mais do que nunca, voar. Queria subir bem alto lá no céu escuro e ver o mundo aqui em baixo, não com outros olhos, mas sob outra perspectiva. Lá bem do alto, rindo da pequenez dos problemas e das distâncias, por exemplo. Admirando as luzes e cores da cidade, seu ritmo, sua dança desengonçada ou sedutora, sem me preocupar com o tempo nem com a grana, nada. Sem ter que pensar.
Sim, eu estou tão cansado. Não que haja um tormento grande me afligindo, ou dor de qualquer tipo. Há a constância e a saudade, e um vazio que eu não sei o que é. Nada demais: lembro quando um amigo me dizia que felicidade era alienação, um pretenso estado de irresponsabilidade tal que não não cabia reflexão (nem o crescimento que dela advém), sendo a felicidade, assim, um limbo de euforia e negação da realidade. Pois bem, a questão é justamente essa: a realidade não é por demais cruel, o mundo não me odeia e eu não estou reclamando, mesmo que assim pareça. Não reclamo das coisas nem dos outros: aliás, não reclamo. Nem estou aflito, só cansado. Querendo outra pele, outro cheiro, outros olhos, um par de asas. E uma cigana me dizendo os números da sorte na (Mega) Sena, que não seria nada mal elaborar melhor tudo isso às margens do (rio) Sena.

 
Ai. Nunca mais vou beber.

* * * * * * * * * *


Saí do escritório para um evento metido a grã-fino. Chequei decoração, buffet, recepcionistas, som, iluminação, tudo ok. Estava trabalhando, mas nada me impedia de aproveitar a festa: primeira taça de vinho. Papo vai, papo vem, fornecedores, clientes, colegas, cartões de visita, segunda, terceira, sexta taça de vinho. Riso mais solto, uma simpatia só, elogio de diretor, amiga chegando, (muita) descontração com a equipe, um braço bêbado nos peitos da estagiária, parti pro uísque. Dez e meia da noite, um copo de caubói transbordando na mão, saí para encontrar dois psicopatas no Bar da Dida, point das mais recentes bagaceiras. Aí, só Deus. Nem dos flashes eu lembro.

* * * * * * * * * *


Beber é um grande prejuízo no meu bolso. Se muito pelo que gasto com a bebida, tanto mais quando chega a conta do celular: parece que bate uma saudade insuportável de alguns amigos e saio ligando desenfreadamente, à hora que for, sem nem lembrar que as pessoas dormem ou fazem sexo, por exemplo. Já é costume acordar depois de uma noite de bebedeira e descobrir que falei com gente(s) do outro lado do trópico como se estivéssemos juntos na mesa do bar. Ótimo, claro: há quem diga que é quando eu faço as mais lindas (e sinceras) declarações de amor. Só fico meio triste por não ter um gravador na mão, para saber se no próximo encontro vão me cobrar os prazeres lúbricos prometidos, me xingar ou sei lá o quê.

 
Ligo pro outro, querendo descobrir o que aconteceu ontem, deseperado:
- Oi. HAHAHAHAHAHAHA!
- Me conta o que é que a gente fez ontem, pelo amor de Deus!
- Escuta, posso te ligar depois? Meu professor acabou de chegar.
- Tá.

"Tá" quer dizer mais duas horas de angústia total.

20.2.03
 
Ai. Hoje a noite vai ser duas.
Trabalho, porrada, bebedeira, baixaria (vários graus), farra... quero só ver.
Amanhã, relatos. Ou manchetes.

 
Nenhum apostador acerta dezenas da Mega Sena e prêmio acumula.
Antes de ontem estávamos eu e minha homemate discutindo o que faríamos depois de ganhar os seis mlhões de reais. Como não jogamos - e, obviamente, o prêmio não saiu -, agora vamos precisar de porquinhos maiores:
15 MILHÕES DE DINHEIROS PARA QUEM ACERTAR AS DEZENAS!
Que apartamento em Fortaleza, nada! Eu vou é me mudar para um condado bucólico e aprazível nos recônditos da Europa, isso sim! E me entupir de chocolate, queijo, vinho e bacalhau dos bons, lendo e ouvindo música, só com o pezinho na parede embalando a rede pra lá e pra cá...

19.2.03
 
Pois é, mudei o template. Simples, mais limpo, quase minimalista.
Eu gostei.

 
Arre! Isso lá é hora de dar as caras, Blogger?
Eu aqui, cansado de atualizar a porcaria da página e nada... Quando me dá vontade de escrever, o negócio faz birra, é? Pois bem: agora sou eu quem tá de mal.

18.2.03
 
Nossa! O que foi essa profusão de acessos vindos da home do Blogger? Será que travou a página lá? Ou o tio Ev. viu as fotos e se apaixonou pela minha homemate? Ou o Google, que comprou a Pyra Labs, resolveu retribuir a infinidade de resultados ridículos que este blog proporciona a seus usuários?
E tinha que ser justo no dia em que eu publico minha foto mais marmotosa?

 
FOTOS!

Com a botija na boca!
Ela me pegou desprevenido...


Vingança!
Eu dei o troco (olha que linda!).


A coisa gorda! Que sono, meu Deus...
AAAAAAAAAAAHHH!!! Que fofo! É o Gordinho, que vem já passar férias conosco!


 
A lição de ontem foi que não basta carinho. Ou amor.
É preciso empenho, trabalho constante. Coragem também.
Não foi a primeira aula, mas eu sou cabeçudo, turrão. Graças a Deus, tenho professoras pacientes. E amigas de verdade.
Foi uma noite abençoada, e o sono, mais tranquilo.

17.2.03
 
Estou absolutamente encantado pelo cd Motets and Mass for four voices, do Byrd, interpretado pelo grupo americano The Theatre of Voices. Música renascentista, me arrepio só de lembrar, pela beleza e pelo preço: módicas 70 pilas na Fnac.
Preciso de um emprego na madrugada - dormir pra quê, afinal?

 
Pois bem, fiz as contas: eu queria ser nove.
Nove é meu número de sorte, na numerologia, na minha história, no coração. Mas duvido que houvesse espaço ou tempo no mundo para nove vezes a minha loucura, o meu amor, a minha insegurança, tudo o que tenho de bom e de ruim. É demais.

 
Meu firewall bloqueia os comentários do Blogger Brasil, assim como não aparecem os links para comentários de alguns blogs como o da Ju e o Epifanias. O YACCS, historicamente, vive dando pau; e agora é a vez do Haloscan, que sempre foi rápido e seguro, desapontar os entristecidos blogueiros com o impedimento à interação. Enfim, tem sempre o e-mail... mas é chato apertar o F5 e constatar a falta de eco.

UPDATE: Tem também o livro de visitas, né?

 
Tem coisas que um blog não comporta. Coisas que não se comportam, coisas que não se comporta - que eu, pelo menos, não comporto. Que não contenho, que não quero que me contenham, tanto no sentido de "reprimir" quanto no de "englobar". É uma briga que eu perco de novo, porque nunca fui bom de briga, e meu oponente, o tempo, tem a seu favor um trunfo que se me escorre das mãos e do controle. Mas preciso desse adversário tanto quanto declino do embate.

15.2.03
 
Então é hora de acordar, espreguiçar, fazer a barba, botar uma roupinha e cair na gandaia. Vou tomar umas em casa, encontrar uns amigos lá fora e dançar até enquanto as pernas aguentarem: forró, axé, samba, disco music, música lenta, rock, o que tocar... Que eu sou do dia, é fato, mas sempre digo: à noite, todos os gatos são, hum, pares.

14.2.03
 
Stay, little valentine, stay!
Each day is Valentine's Day...
Each day is Valentine's Day...


É hoje. Alguém livre para esta noite? Eu, muito.

 
Acabei de voltar do banheiro, depois de 10 minutos de puro deleite espremendo cravos no meu nariz. Estava precisando dar um tempo, desopilar um pouquinho. Agora, tem um morango transgênico no meio da minha cara, enquanto eu consigo novamente trabalhar, sorrindo satisfeito.
:o]

 
Por e-mail:

Pensamento do dia
"É melhor ser feio como o Belo e comer a Viviane Araújo do que ser bonito como o Gianechinni e comer a Marília Gabriela..."

A mulherada mandou a seguinte resposta:
Versão Feminina
"De que adianta ser bonita e só dar para o Belo?! É melhor ter a cara da Marília Gabriela e dar para o Gianechini."

 
ÔPA! Olha só quem chegou para animar a festa: ela, que fala mais do que a mulher da cobra; ela, que conhece truques de beleza e tabelas de calorias; ela, a única, a diva, a rebolativa...
Nêga do leite!

Acudam, acudam, que eu quero caruru!

 
Salma Hayek não esperava a indicação ao Oscar. Lendo a matéria, lembrei de quando nossa Fernanda Montenegro concorreu à estatueta de Melhor atriz por sua interpretação em Central do Brasil. Na época, fui às lágrimas assistindo à entrega do prêmio (Gwineth Paltrol foi a agraciada, desbancando também Meryl Streep, Emily Watson e Cate Blanchet). Hoje, como sempre, quase chorei lembrando a emoção de ter uma brasileira reconhecida pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences - e não vou entrar no mérito ou desmérito do Oscar, não é isso o que me interessa. Nem sei explicar direito, na verdade: patriotismo alienado ou expectativa dramática, o fato é que se me arrepiam os pelos, o coração bate mais forte e eu vibro, grito, torço e, sinceramente, morro de orgulho!

13.2.03
 
E, de repente, tudo parece claro, óbvio, ridiculamente simples. As pessoas são inteligíveis: não exige esforço presumir seus desejos com o primeiro suspiro, assim como os medos traduzidos em preconceito afloram ao mais tênue toque. O olho não mente, dizem até que é espelho. Da mesma forma que palavras são meras alegorias, acessórios ou máscaras que se vestem ou despem como pede a circunstância ou como ordena a pré-tensão. Então eu falo agora de escrever, e não de ler, que ler é por demais infinito, e a minha literatura de mundo ainda é insuficiente para não mais que conjecturas, "parecências". Falo de escrever porque disso eu entendo, já que escrevo, já que dou ao seu julgo minhas miméticas palavras e assumo minha parte nesse contrato, firmando em loucura o que, são, talvez prendesse por convenção social. O que é essa loucura se não a libertaire de André Breton, ou a nudez de Leila Diniz, ou o meu e o seu e qualquer me-deixa-em-paz-que-hoje-eu-não-tô-a-fim? Escrever a um público é retomada de voz, como bem diria a , e o que se quer quando se escreve é refluxo, do(s) outro(s) ou de si para si, mas constante e incisivo embate, sim. E, nessa tentativa, há o risco da afobação que gera cegueira que gera ilusão que degenera o processo, fazendo que as palavras, primariamente tão modestas, invistam-se de intenções escusas ou matizes turvas, impedindo aquele entendimento construtivo, a troca que deveria ser o objetivo da exposição. As pessoas são inteligíveis, como é evidente o jogo de selecionar o que se quer abrir à crítica ou ao louvor – vontade de rir do estorvo lúdico de Cecília: "O que se diz e o que se entende", arteira poeta, é mais que um punhado de palavras, não é?
Pois bem, essa é a receita. Basta misturar uma porção de bagunça, mais um tanto de emoção e duas pitadinhas de cansaço, temperar a gosto, cozinhar em banho-maria e servir aos convivas glutões, famintos e suscetíveis à saciedade fugaz. Eu, por exemplo, gosto do fogão tanto quanto do prato. E, se não resisto enquanto preparo, muito me deixo deliciar à mesa alheia.


 
Que "ócio criativo", o quê! Prefiro o "ócio investigativo"! Sem saco para o labor, saí fuçando por aí (Google, Cadê?, links, blogs etc. etc.) e encontrei uns sites ótimos:
- Dicionário Libras (a linguagem de sinais desenvolvida para os surdos-mudos);
- A Perfumista (bom de ficar cheirosinho - e haja cartão de crédito!);
- Cliquemusic (será que só eu não conhecia?);
- Casa de Páris ("Dare to be different", diz o banner no alto - precisa de mais?).

 
Minha gente, minha gente... o que é esse Lacraia, hein?

 
Minha homemate linda voltou!
E Balla está de conexão turbinada: finalmente teremos notícias da bagaceira nossa de cada dia...

12.2.03
 
Eu reclamo um bocado, mas estive pensando e me dei conta de que, desde que o meu primeiro namoro acabou, nunca estive realmente sozinho. Sempre houve alguém com quem trocar e-mails, ou para quem ligar deitando charme. Sempre houve jogos de sedução, palavras doces e propostas safadas. Houve outros namoros, até amor. Houve engano também, como houve aposta. Nunca faltou expectativa nem, de alguma forma, envolvimento. Nem carinho faltou, posso dizer. Então, é justo que eu pare de resmungar e aceite os meneios do tempo, ajustando meu ritmo e controlando melhor os impulsos: é que aquela velha conhecida minha, a urgência, perturba os sentidos quando se junta à insegurança...
O fato é que, pela primeira vez em muito tempo, sinto meu coração tranqüilo, confortado e de pé. Não “auto-suficiente”, mas suficiente, sim, se me faço compreender. Agora, o exercício mais difícil é dar um jeito nos hormônios, que, como a Lua, têm fases de candura e outras de quase violência. E, pelos ímpetos e desejos dos últimos dias, parece que é cio de novo. Quero ver o quanto resiste um coração sereno a um mar de testosterona fervendo neste calor dos infernos...

 
Dava um trabalhão de montar, mas eu adorava! Eu tinha vários - eita, que saudade!

Infância nos anos 80 é isso aí: Ferrorama, Aquaplay, Comandos em Ação, Forte Apache, Pogobol, carrinhos de fricção da Glasslite, Fazendinha Gulliver, Atari (ou Odissey, no máximo)...
Bons tempos aqueles.

11.2.03

 
Eu vivo dizendo que não tenho mais idade para certas coisas – de alguma forma, a gente precisa justificar nossa incompetência, insegurança ou falta de determinação. Subterfúgio frágil para não enfrentar os desafios, para escapar dos fantasmas ou, sem complicar muito, manter o estado das coisas. Adoro as histórias de superação que vejo na literatura e as dramatizações no cinema que exultam feitos heróicos ante adversidades quase intransponíveis, aquela coisa toda. Mas, quando vejo isso acontecer de verdade, descontada a parcialidade dos veículos noticiosos, sinto um caroço maior na garganta, e um novo ânimo acende: fé, querência, garra, não sei como chamar. Li na Folha de hoje que
uma mulher de 80 anos passou no vestibular e está empolgadíssima com esse novo estágio de sua vida. Tocante, no mínimo. Inspirador. Me fez lembrar de quando tinha 16 anos e a obrigação de acertar meu futuro com uma tacada única na hora de preencher aquele formulário – "se você estudar Letras, vai morrer de fome" martelava minha cabeça quando escolhi Publicidade. Agora, vejo que sempre "ainda dá tempo" de correr atrás dos sonhos. Ah, se dá.

 
Saiu!
E "Cidade de Deus" saiu também, hunf. Sacanagem.

 
O verbo possuir é ridículo. Em qualquer aplicação.

 
"Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado." (Artur da Távola)

O texto inteiro é contundente. Para ler o resto, vale a visita ao blog da Carol.

10.2.03
 
Arrocha, Lula, arrocha!
E eu que me achava ruim de conta...
"Cortar", "contingenciar", "adequar"... de mágica, que é bom, ninguém fala.

 
furo o dedo,
faz um pacto comigo


(pensei muito nisso depois do show de ontem)

 
RELATO
Nem falo do atraso, da correria, do tanto que reclamei ao descobrir que o ônibus era executivo, e não leito. Começo o diário de viagem com as gaitadas desenfreadas que quase nos expulsaram do ônibus antes de cruzarmos a fronteira da cidade. Chegando ao forno, digo, ao Rio, encontramos a anfitriã já meio bêbada e totalmente defumada, saindo da farra. Soninho depois, uma doida no hotel Debret, duas outras doidas (amigas nossas, essas) e primeiros chopes cariocas da viagem. Prainha de Grumari (acho que é assim), o vulgo paraíso na Terra, emoldurada pelo sorriso global daquele refuguento do Paulo Vilhena e tudo mais. Almoçamos no tal do Bira (duvido que esse link esteja certo – lá não tem nada de "barato"...), ameaçados por centenas de micos (eu queria escrever como a gente chama o bicho lá no Ceará, mas acho que o português não tem representação escrita para tal) assassinos que nos fizeram correr um bocado, apavorados (eu e outras duas destemidas). Com os respectivos buchos entupidos de moquecas de camarão e de robalo, voltamos os seis espremidos no carro, tentando achar lugar para os joelhos, que só cabiam debaixo dos sovacos. Mais soninho para aguentar o tranco, dá-lhe bagaceira no apartamento chiquérrimo em Copacabana, antes de nos jogarmos no Dama de Ferro, aquele lugar com uma pia esquisita no meio da pista cercada de banheiros (???). O povo morgou, mas eu, que sou super da noite (pfff!), fiquei me sacolejando lá até as sete da manhã – confesso, música eletrônica do jeito que eu gosto! Aí já era domingo e só restava morrer de comer (e gastar) no Porcão Rios, olhando a Baía de Guanabara enquanto os botões da calça, um a um, iam-se soltando para permitir a melhor acomodação da pança inchada. Bananas no colo à parte, tem certas coisas que dispensam comentários, em favor da boa e limpa imagem deste blog. E esse povo ainda inventou de tomar sorvete em Ipanema e ver aquele monte de gente linda desfilando...
Para encerrar o espetáculo de fim de semana, show da Adriana Calcanhotto no Canecão, com direito a ela dançando funk e cantando Madonna (gostei do arranjo), sem direito a ar-condicionado (quebrado, delícia), e mais chope depois no Manoel & Joaquim para assegurar a embriaguez leve que garantiria o sono na volta.
Salve, Rio de Janeiro!
DEEEEEZ, NOTA DEEEEEEZ!!!

(post com cara de "meu querido diário" para registrar a descoberta de tantos lugares bacanas na minha futura cidade)

 
O final de semana? Melhor tradução, impossível:

Deeeeez! Nota deeeeeez!!!


A gíria marmotosa do momento!
;-D

7.2.03
 
É como um tratamento homeopático: lá vou eu pro Rio de novo!
Quando me mudar para lá de vez, o trauma (trauma?) vai ser pouquinho...
Que venha um final de semana bom!

 
Sensibilidade assim é bonito de se ver.
Quem precisa da propriedade das palavras se todas elas já foram escritas, cantadas, transformadas? A gente inventa, brinca, mas tanto vale a tentativa do novo quanto o resgate do tesouro, desafio a que poucos escolhidos como a Rosana se dão. Pelo valor e pela poesia, eu digo: ainda bem.

 
panela de pressão
anel de pressão
depressão
pressão!
são?

hum... não.

 
Não falava de gramática, no fim das contas. Muito do que tem aqui não é para ser entendido se não por mim, e eu pensava em pontuação quando escrevi "difícil". Mas a cabeça estava descompassada e descompensada ("sempensada"?), então saiu o que saiu. Aliás, acho que a complicação maior, no fim das contas, é quando simplesmente sai, sem elaboração tanto de conteúdo quanto de forma, valha-me este exercício de escrita, e ora bolas eu rejeito qualquer obrigação quando bem me der na telha e pronto é melhor deixar pra lá que eu sou doido mesmo nunca neguei e não eu não sou fácil. Ponto.

6.2.03
 
Não raro, inocência e ingenuidade se confundem. Me confundem, menos raro ainda. E me deixo fazer de idiota, sem dar conta do quanto acabo sendo ingênuo por não passar de inocente e confuso.
Odeio telefone, cada vez mais, e preciso pensar MUITO antes de escrever certas coisas. "Impulsos no cabresto": vou colar um post-it com essa frase na minha testa.

 
Eu sei o quanto me custou aprender a conjugar verbos regulares, irregulares, defectivos e anômalos. Sei do esforço necessário para decorar as casquentas regras de crase, assimilar as inesgotáveis sutilezas de ortoepia e prosódia, diferenciar termos essenciais, integrantes e acessórios de uma oração coordenada ou subordinada. Como sei que pouca gente sabe o que significam palavras como anáfora, anástrofe, anacoluto ou apóstrofe. Sei de tudo isso, tanto quanto sei da minha infinda ignorância.
Então cadê a explicação para eu não conseguir me libertar da linguagem sofismática ao outro, se a mim ela parece tão solta, dançarina, possível? Por que não escondo minha pretensão atrás da cortina - ou melhor, por que não a amordaço, assassino - e permito a partilha do direito ao lúdico da pena? Que egoísmo ilógico me bloqueia a literatura inocente por causa de um pedante parnasianismo moribundo? E, mais que tudo: se tenho consciência dessa consumição toda, que razão há para não aceitar meus "paradigmas" e conviver com eles? De que serve o embate?
Alguém me ajude a pontuar e pingar os "is", por favor.

(hermético, entupido de conotação)

5.2.03
 
Então o Haloscan naufragou e levou os últimos vários recadinhos embora, foi isso? Teremos que trocar o sistema de comentários de novo? Eita, eita... haja, viu?

 
O subconsciente demarca território de forma muito sutil: não costumo lembrar dos meus (poucos) sonhos quando acordo. E meu cérebro é um bocado limitado, ao que parece: três temas recorrentes, dificilmente foge disso.

1. Sexo. Homens, mulheres, jovens, velhos, estranhos, amigos, parentes, a dois, às dúzias... não é sempre (meus sonhos são raros, esparsos), mas, nesses tempos de desequilíbrio hormonal, venho sendo brindado com imagens oníricas lúbricas e inquietantes. Idéias, idéias...
2. Perseguição. Correndo por túneis escuros, sozinho ou protegendo alguém, um vilão atrás de mim quer me matar. Sou bom de briga, bato, esfaqueio, atiro, mas sempre estou em risco. Muita tensão, barulho, suor. Medo: pulo da cama, acendo a luz, lavo o rosto e demoro para dormir depois.
3. Trabalho. Pesadelo brabo, no cenário tão familiar do escritório, piorado pelas caricaturas: chefes de sobrancelhas arqueadas, lembrando o capeta; pilhas descomunais de relatórios; dias e noites em claro na frente do computador... e carpete por todo lado, até nas paredes, para me fazer espirrar eternamente.

Aos psicólogos de plantão, pergunto: Jung diria que tenho jeito?

 
E ainda perco o sono matutando: sou menino que brinca de ser homem pensando ser menino? Ou sou homem que pensa ser menino brincando de ser homem?

 
FESTA! A Mi passou no vestibular e vai ser minha caloura! Quero só ver o que aquela faculdade reserva pra gente se soltando por lá...
Parabéns, chuchuzinho! E pode pagar minha cerveja!

4.2.03
 
Tum-tum, tum-tum, tum-tum...
"Amar é querer o bem do outro", dizia o bêbado do filme, enquanto eu pensava nos amores e paixões da minha vida. Tantos. Imensuráveis e incomparáveis, os amores, tão sem conta quanto fugazes, as paixões. Olhava o moço do lado e suspirava pelos doze segundos em que estive apaixonado por sua barba desgrenhada ou por seus óculos engraçados. Lembrava do fascínio que tinha pelas pernas daquela menina no colégio, ou pela bunda da outra, ou das tardes desenhando os olhos de um sem-fim de amores, tantos rostos, tantos cheiros, uma sensação mesma. Quanto me consome, meu Deus, a paixão que nasce de um e-mail ou de uma frase dita na hora certa, do jeito certo, por qualquer pessoa incerta? Ou das flores que recebo, e do toque fugidio, inocente, ou da intimidade que mal percebo se transformar de coincidência (e não falo de acaso, mas de ajuste) em mais querer, em desejo. Desejo? O que é o desejo, senão (se não) delírio, alucinação, hipérbole? É, paixão é exagero. É quando os ponteiros quebram recordes, quando a distância não pode ser transposta, quando "muito" deixa de existir para que "tudo" ou "nada" façam mais sentido. A paixão derruba fundo demais, eleva ao cosmo, turgesce e plasmolisa, alimenta e suga, um horror. Um amor. Quem não quer a paixão eterna, constante (se é que dá para chamar constante algo tão profuso), intermitente que tanta gente pensa ser o amor? O amor dos tempos do cólera, o amor que arde sem se ver, o amor, sublime amor, o amor da novela das oito, cafona, de botequim ou de butique, o amor. Do beijo do Mickey na Minie – quem não quer? Acho que amor é, sim, "querer o bem do outro", é comutação sucessiva, crescente. E enxerga bem direitinho: enxerga os caminhos, sabe aonde pretende chegar. Cega é a paixão, essa louca. Ou míope, pelo menos. Cegos estamos todos quando esperamos o telefone tocar, quando achamos que vai ter um carro entupido de lírios parado na porta de casa, quando qualquer aposta com o destino parece deferir ou interdizer a chance única e inestimável do verdadeiro amor. Ou míopes nos fazemos, quando nos deixamos encantar pelo que, muitas vezes, não passa de projeção dos nossos urgentes e trôpegos anseios.
E assim vou eu, building castles in the air a cada olhar cruzado na rua, rabiscando corações no braço se escuto uma música de baile, cedendo à entrega no escuro. Arremedando Florbela Espanca, porque, enfim, "eu quero amar, amar perdidamente! Amar só por amar: aqui... além..."

 
O sentido da vida é simples, muito simples.
É combinar com dois amigos de sair todo mundo bem cedinho dos respectivos escritórios, céu ainda claro, ver um filme legal no cinema e comer pizza e tomar cerveja depois, conversando besteira e rindo.
Só isso.
Tudo isso.
Dois, amo vocês.

3.2.03
 
Horóscopo do dia:
Hoje, se você o decidir, poderá nascer de novo, começar do zero os mesmos assuntos de sempre. Como? Atrevendo-se a pensá-los de uma forma diferente, abstendo-se de acreditar nos conceitos com que você os formatou anteriormente.

Atrevido e abstêmio. Entendi.

 
O ruim de comprar roupas - e eu demoooooro a fazer isso - quando se está mais "cheinho" (lindo eufemismo, hein?) é que, perdendo peso, parece que a calça jeans virou um saco de dormir e que as camisetas são lonas de circo. Mas não vou nem mentir: é ótimo voltar a vestir 38. E tamanho P.

 
Recebi por e-mail, sobre meu signo. Vou imprimir e carregar como cartão de visita.

Como você pode ter esquecido das minúcias, do detalhe tão impactante que deixa a sensação de ter sido atropelado por ele, da única palavra que deveria ter sido dita, ou jamais esquecida, ou eternamente silenciada, mas capaz de ferir profundamente o meigo coração virginiano, tão fácil de ofender? E tão fácil de consolar, pois também bastará qualquer pequeno gesto, um pedido humilde de desculpas num bilhetinho escrito a lápis, ou com batom no espelho do banheiro... uma florzinha catada de passagem num muro eventual e deixada ao lado da colherzinha, no pires do café, ou até mesmo aquela balinha achada no bolso, se re-endereçada com ternura explícita... Delicadezas, aliás, de que só virginianos de fé seriam capazes de lembrar, né? E que só teriam a chance de ser percebidas, para desgraça deles, por um virginiano disciplinadamente estacionado na outra margem.

Pois é.

2.2.03
 
Ontem foi aniversário de Flora*, chance de rever alguns amigos do tempo da faculdade. Goku* inclusive, meu primeiro namorado e amor vivido. Rena* me pegou em casa (acho que nunca falei o quanto sou grato por cada vez que me dão carona - pode parecer um gesto simples, mas é uma demonstração de carinho e cuidado que eu prezo demais), encontramos Goku com seu atual namorado para que eles nos seguissem até a casa de Flora: "Oi, oi" foi sua saudação a todos no nosso carro, sem que me olhasse no rosto. Depois das coordenadas, partimos. Sem disfarçar meu estranhamento e desconforto, perguntei a Rena como deveria me portar para não causar problemas a ninguém, já que as coisas são tão diferentes do que considero ideal para um "pós-namoro".
- Trata ele normal, tenta não tocar muito. É claro que o namorado dele sente ciúmes, é natural. Tenta se colocar no lugar dele.
(…)
"Normal". "Natural". Então deve ser por isso que me acham "esquisito", "sui generis". Quando encontro alguém que não vejo faz tempo e de quem gosto, faço festa, grito, abraço, pulo no pescoço. Não aceno com a cabeça nem dou meio sorriso se tenho qualquer intimidade. Eu não faço isso. Entendo que deva ser difícil para ele lidar com as lembranças do tempo quando estivemos juntos - para mim também é. Entendo que seu namorado não vá com a minha cara, apesar de nunca lhe ter feito nada e nunca ter tomado qualquer liberdade. Mas não entendo a indiferença, o descaso. Só queria poder perguntar se está tudo bem, me sentir à vontade na mesma roda, não ter que controlar cada ato ou escolher cada palavra como se disso dependesse a estabilidade do seu namoro. Quando nós acabamos, fiz algumas escolhas. Uma delas foi me dar tempo para entender meu coração. Outra foi estabelecer melhor os parâmetros das relações que viria a empreender, delimitando melhor o meu espaço e o aceitando mais o meu ritmo. Egoísta? Não, não acho. Acredito na legitimidade e força de um relacionamento quando, sendo natural a adaptação e busca (ou trabalho) constante por uma sintonia que permita a construção da história conjunta, não há anulação das individualidades em função da expectativa do outro, mas, antes, o equilíbrio. Se parece uma teoria bonita, digo que já vivi na prática e não abro mão disso. Mas eu sou "esquisito", não posso pautar o mundo pelas minhas sandices. Só queria poder ser eu mesmo com quem tanto já dividi. E que, tenho certeza, não me reconhece hoje, porque eu não o reconheço também.

* Nomes trocados para preservar o que não sei se há.

1.2.03
 
PLEBISCITO
Quem me encontrar por aí, não se assuste: a moita desgrenhada é só para poder ter mais opções quando for cortar o cabelo, que eu tô a fim de mudar de cara de novo. E vou aproveitar a maravilhosa interatividade que esse negócio de blog proporciona para uma consulta "aos meus três ou quatro leitores", como dizem por aí. Abaixo, alguns momentos capilares da minha vida, em fotos de qualidade sabidamente reprovável mas de alegria inquestionável, então não me encham. Peço encarecidamente sua ajuda, votando pelos comentários na opção menos abominável (não que eu vá ficar igual hoje: talvez, pinte a juba de louro médio escuro acobreado 17, ou qualquer coisa do gênero) ou mandando e-mail, se a jocosidade for demasiado dilacerante.
Vamos ver no que dá.

A. partido de lado, inocente e cândido B. meio cuia, desfiado na frente C. irregular, rebelde, transviado

D. Clark Kent, tô quase lá! E. meu look Vila Olímpia F. vastas madeixas, haja paciência...

 
Não dou conta de uma semana tão agitada como essa.

* * * * * * * * * *


Depois de chover por dias e dias, hoje temos um lindo sábado de sol, claro, quente, praiano. Gente feliz tomando cerveja nas calçadas, fazendo compras pelas ruas burburosas de Pinheiros, aproveitando a trégua de São Pedro para tirar o mofo. E eu aqui, resmungando por o ar-condicionado desse escritório estar desligado.

* * * * * * * * * *


Acordei de ressaca, com os sovacos grudentos e ardendo: usei pasta de dente em vez de desodorante, antes de dormir. Bêbado, assumo, mas cresci ouvindo que "o que vale é a intenção" - pelo menos eu sou limpinho.




~ Cada um escolhe a verdade
em que quer acreditar.
~