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31.1.03
Tenho escrito pouco e rasteiro aqui, notei agora. Mais citações, imagens, corriqueirices, em linhas escassas e despretensiosas (na medida em que meu periclitante Narciso permite, claro). É que falta tempo, mesmo, para a construção textual do pensamento, para a defesa, para o ato honroso do registro. Reflexão não deixo, ela está sempre, mais minha. O exercício de escrever sai aos tratados ou às vírgulas, dou meu jeito. E a vaidade - ah, essa serpente! - a vaidade anda quieta. Deixo estar. Estou sem telefone em casa (não sei porque) e não checo meus e-mails do Yahoo desde domingo. Em caso de urgência ou saudade incontrolável, meu celular está a postos. Para cobrar grana, deixe recado após o bip que eu (faço de conta que) ligo de volta. ![]() Minha querida, imensa vontade dessas asas para ir até aí te dar um beijo e celebrar o novo giro da roda. Meu presente, palavras que me fazem lembrar das nossas conversas tão... bom, você sabe. isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além 30.1.03
Passei o banho da madrugada pensando no conto de ficção que escreveria hoje - sinto falta de me literar do outro lado. Nomeei os personagens, aparei o enredo, corrigi as vírgulas, lapidei o texto na cabeça. Planejei a estréia, sonolento, decidido e ansioso. Ferido, cansado, frustrado, adio a sonhada iniciação. Gosto de vivenciar os ritos de passagem. Não faltassem coragem e grana, eu mandava tudo aos quintos. Está difícil, como nunca esteve. Uma vela acesa para mim: que ilumine. Hei de vender sanduíches na praia. 29.1.03
Do you guess I have some intricate purpose? (...) Do you take it I would astonish? (...) Do I astonish more than they? This hour I tell things in confidence, I might not tell everybody, but I will tell you. (Whitman, Song of Myself) Alguém mais teve problemas para postar hoje de manhã? Fatalista que sou, já fiquei pensando em uma trama cósmica impedindo a gente de blogar. Ou pior: poderia ser só comigo, aí haja descarrego para acabar com a psicose! Nos últimos dias já me chamaram de "figura", "esquisito" e "difícil". Saudade do tempo quando falavam "Que bebê mais fofo!" (licença poética total: minha mãe, arremedo de coruja, quando lhe davam parabéns depois do parto, respondia "Não precisa me agradar, eu sei que ele parece um rato.") 28.1.03
Não é uma terça-feira chuvosa, é um DIA ESCROTO PRA CARALHO! Puta que pariu, viu? (trabalho, garganta, notícias ruins, chefe, tempo - é isso) Ai, meu Deus. Ai. No meio da tarde, uma ligação me acaba. Dor, muita dor, e eu não posso estar do lado para segurar as pontas. Acho que a vida me ensinou a aceitar e entender a perda, a morte. Mas ainda tenho que aprender a lidar com a dor das pessoas que amo e sofrem com isso. Acenderei velas, vou rezar. Por conforto, força, luz. Por favor, peço companhia. Momento horóscopo Tudo o que você começar agora pode dar excelentes resultados. Mas a seriedade de Mercúrio – que é o regente do seu signo e está em Capricórnio – pode deixar você um pouco pessimista. Tente encontrar o equilíbrio entre a desconfiança e o excesso de entusiasmo. Decida o que deve fazer, arregace as mangas e prepare-se para o sucesso. (...) Quando querem, os astros são foda. 27.1.03
Sim, eu instigo, incito, atiço, meto o dedo na ferida. Ou no olho. Queria ser provocante, mas não passo de provocador do pior tipo: incauto e desapercebido. Desafio sem pretender, desarmado, chamo pra briga, quando atino, tarde demais: jogo perigoso. Ao passado, com carinho. Balla deu a dica, fui resgatar lembranças de um tempo feliz. Para lembrar de quando eu morria de rir lendo as besteiras sabidas do Coca gelada, acompanhando a saga gastronômica do Rafael no Diário do Pão com Manteiga na Chapa, além das agruras do Hassen no eu odeio trabalhar aqui. Isso para não falar no impagável (e ainda vivo, descobri ontem!) Guia do Cagão! Boas velhas risadas! 26.1.03
ardil se corre, atrasa adiantando, assusta vontade voa ou voa longe demais me diga se longe não parece sempre demais? (…) e se quer perto e já felicidade urgente fundo da rede, sombra mundo lá fora frio agora calor aqui dentro quem faz as regras do tempo? Hoje vou internet, Callas, almoço, filme, rede, Groo. Depois vou música, trabalho, dor de cabeça, rede. Depois, quem sabe, vou trabalho, banho, cinema, café. Ou não vou nada. Domingo é uma dúvida só.
Sei lá porque, talvez tenha sido a cachaça, no meio do papo lembrei da época quando eu era (MUITO) fã da dupla dinâmica Washington e Roberta, os dois aí do lado, bailarinos-propaganda do Kaoma. Tinha o disco, sabia todas as músicas de cor e ensaiava os passos, não vou nem mentir! E, claro, parava tudo que estivesse fazendo para ver o casal mirim requebrando: loiros cabelos voando ou varrendo o chão, sapatilhas piruetando, corpos expostos, sempre gostei. E quase endoidei hoje enquanto não lembrava o nome da menina - essa é uma das minhas neuroses, não conseguir me concentrar em mais nada quando me bate um lapso de memória, e só sossego quando descubro a informação que falta, de um jeito ou de outro. Mas já nem sei porque falei disso. São quase quatro da manhã e o Kaoma não merece minhas preciosas horas de sono. Não mais, pelo menos. ;-D 25.1.03
Estou atrás do despojamento mais inteiro da simplicidade mais erma da palavra mais recém-nascida do inteiro mais despojado do ermo mais simples do nascimento a mais da palavra. (ACC) Nada no mundo me deixa mais encolerizado que desodorante vagabundo. (frase minha enquanto lavava louça, e o Cabeção me obrigou a postar aqui) De repente bateu a vontade de me cuidar: banho demorado, sabonete afrodisíaco, esfoliante "to reveal clean, fresh, healthy skin", condicionador no cabelo. Escolhi uma roupa diferente, até abdominais eu fiz (cinco, que também não precisa desse exagero todo). Ouvindo Diana King, antes de sair para dar uma volta e tomar um café por aí: hoje quero brincar de me sentir sexy. 24.1.03
Ultimamente só ouço Buxtehude, Bach, Mozart, Mendelssohn e Saint-Saëns, fora um jazzinho aqui, outro ali. Tô me sentindo super sofisticado. Na Fnac, passo reto pelas outras seções e vou me empolar na finesse. Quem vê, pensa. Acho que é deslumbramento de quem está conhecendo música boa. Mas não deixo ninguém se enganar: adoro espraiar umas pérolas de forró, e sou alucinado por Homem de Bem. E por Gipsy Kings também. Cartão postal Pra que sofrer com a despedida? Se quem parte não leva Nem o sol, nem as trevas E quem fica não esquece Tudo o que sonhou, eu sei Tudo é tão simples que cabe Num cartão postal E se a história é de amor Não acaba tão mal O adeus traz a esperança escondida Pra que sofrer com despedida? Se só vai quem chegou E quem vem vai partir Você sofre, se lamenta, depois vai dormir Sabe Alguém quando parte É porque outro alguém vai chegar Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar O adeus traz a esperança escondida Pra quê? Sabe Alguém quando parte É porque outro alguém vai chegar Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar Pra que querer ensinar a vida? Pra que sofrer? Depois de ouvir tanta música erudita nos últimos dias, volto ao pop do pop (Rita Lee e Paulo Coelho) para pontuar ciclos que se fecham. Mesmo que às espirais, vamos em frente. 23.1.03
É cada uma que parece duas... vou te contar, viu? Aprendi na faculdade que o profissional de Relações Públicas deve assessorar a alta administração das instituições no gerenciamento dos processos de comunicação, a fim de manter fiéis e multiplicadores seus diversos públicos, para resumir o falatório. E eu, patético e descrente projeto de executivo que sou, sempre me empenho na árdua tarefa de agradar meus "diversos públicos" com soluções práticas, exequíveis e de benefício mútuo. Tento, pelo menos. Mas tem gente mais doida que eu, ah, se tem... e hoje foi dia de lidar com uma meia dúzia de atacados. Justo hoje, quando eu planejava sair cedo, cozinhar decentemente e, olha que delícia!, ver um filme no escurinho da minha sala, comendo pipoca deitado na rede. Doce ilusão: sem previsão de ir embora daqui, ainda vou ter que levar trabalho pra casa. E a voz que eu não consegui economizar pediu arrego, na marra: estou rouco. Quando as aulas começarem, vou pedir lições de pesca a certos professores. Hoje, idéias dispersas. Cansei das associações em demasia. Penso e falo muito, me atropelo. Meu cérebro corre, mas a boca ainda ganha. Aprendo. Queria viver de escrever o que desse vontade, e só. Por enquanto: valeu, Blogger! Ontem foi triste, mas o sono, bendito sono, trouxe outro ânimo. Piso firme. A garganta vem melhorando gradualmente. Bom Zen. Dia de não xingar, esbravejar nem dizer palavrão. Aliás, economia de voz. 22.1.03
É que eu via muita novela quando era pequeno (tá, mais novo), por isso fiquei dramático assim. E muito filme de terror, e muitas histórias sofridas e finais felizes. Mas também vi musicais de gente dançando na chuva ou passeando pelo céu - só me falta largar dessa mania de perseguição e ensaiar direito as coreografias coloridas. Como aquelas de Fantasia. Eu me entrego, e essa é a questão. Ou nem é: na verdade, a questão mesmo é a que eu me entrego. Às pessoas? Às relações? Aos sonhos? É uma dúvida cruel, shakesperiana, que bate, rebate, volta e revolta, sem que me venha qualquer clareza ou perspectiva de entendimento. Eu sequer sei se há entendimento possível – compreender, no que tange ao coração, me parece sempre passível, para ser sincero. Desde que meu primeiro namoro acabou, tento recuperar a estrutura emocional da adolescência: eu era - porque assim me sentia - bonito, inteligente, sociável, simpático... um mel na boca que só vendo. Não diria que a relação estável minou essa segurança: foi um processo de crescimento e confrontação, quando aprendi a transformar o sólido egocentrismo em construção partilhada, abrindo mão de valores tortos em favor de um aprendizado conjunto, e agradeço por ter vivido uma história tão rica. Mas não nego que me deixei fragilizar, assim. E, agora, busco firmeza para lidar com as inevitáveis frustrações, mas ainda apanho. Ontem, me perguntei a sério onde estava o "problema". Em ter tomado um fora? Em não ter encantado tanto quanto queria poder ou julgava saber? Ou seria orgulho ferido por não ter sido EU a dar o basta, por ter ficado sozinho na expectativa – o que, fatalmente, é natural para alguma das partes, não é? Aí, começo a me cobrar por esse egoísmo estúpido, pelo estoicismo umbilical e imaturo, em um processo de autocomiseração injusto e sem sentido, quero acreditar. Mas não consigo evitar, e me condeno de novo pela fraqueza, pelo fracasso, por perder tal batalha para mim mesmo, como se muito fosse necessário para convencer minha cabeça oca de que o coração está cheio de quimera e delírio, pouco mais do que isso. Então me bombardeio, ainda sem chão, com o golpe fatal: e não é justamente do sonho que minha essência romântica ou lírica mais se deseja alimentar? Não basta? Tantas interrogações, tantas... é por isso que eu cansei de pensar. Procurando respostas, só encontro mais incerteza. Por que por quê? Porque porquê, oras. Ponto. Fodam-se a causalidade e a consecutividade. Foda-se a lógica. Como eu esperava, o e-mail de misericórida veio (não, Fumal, não falo do teu, que foi muito bem-vindo e será respondido com calma). Um pedaco de música, talvez de um poema, não sei. Mas palavras alheias, que caberiam ao contexto em diversas interpretações, ou a vários contextos se a interpretação se deseja una. Sim, eu sou bom entendedor das entrelinhas, mas, para garantir a eficiência da mensagem, preciso confiar na habilidade do emissor, e agora me faltam referências, não sei desse interlocutor o desempenho ou, tanto menos, as intenções. Como saber, então, se não ponho tudo a perder quando pretendo um resgate? Meu texto pode ser preciso às vezes, mas também escorrego nas nuanças, confundo, me engano. Tento, na esperança do acerto, seja ele o que for. Respondi, talvez selando essa história, talvez protegendo o naco que resta da chama quase extinta. Vejamos. 21.1.03
É que me cansa gente "complicada", sabe? Eu era beeeem complicado até pouco tempo atrás, e agora vejo o quanto é difícil lidar com pessoas que vivem na dúvida do que querem, ou que sonham demais, ou que têm medo. Não que eu tenha me transformado em um poço de objetividade e certeza, mas venho me esforçando para ser mais preto no branco, mais e mais sincero, menos caldeirão de talvezes. Em um período da minha vida, a internet pareceu um canal ótimo para fomentar possíveis relacionamentos. As experiências mais recentes, entretanto, me fazem engolir todo aquele discurso tão apologético. Encarnando a Pollyanna, digo que frustrações são importantes para sabermos valorizar as conquistas. Mas tem hora que esse auto-incentivo sai em meio a um bico que mal cabe na cara. Justo hoje, quando meu horóscopo dizia que meu romantismo está "no auge". Então é isso. Ontem, tudo era turvo, incerto: montanha-russa. Hoje, o telefone desfaz o mistério: "quando quiser, me liga". Eu, sinceramente, estou cansando de querer sozinho. Ou de não querer sozinho. Honra e Glória da Nação Mangueirense Sempre gostei de escolas de samba, desde pequeno acompanho os desfiles pela televisão. Também desde pequeno torço pela Estação Primeira - acho que o fascínio começou em 86, ao embalo de "Tem xinxim e acarajé/ Tamborim e samba no pé". Lembro do quase rebaixamento em 89, eu chorando inconsolável durante a apuração, assim como nunca esqueço da apoteose nas vitórias de 98 e no ano passado. Simpatizo com outras escolas também, e Joãosinho Trinta é hors concours onde quer que esteja, mas a Verde-e-rosa tá no meu coração. No sábado, depois de um cochilo mais longo que o planejado, acordei a Ana, apressado, para não perdermos o ensaio da Mangueira. Encontramos um amigo, esquentamos os motores (ela, cerveja; eu, cachaça, em homenagem ao inesquecível Carlos) e pegamos um táxi rumo ao morro. Meu sensorialismo cinematográfico romantizou um tanto da experiência, eu sei, mas a descrição que segue é como vou guardar a noite na memória. Adentrar a quadra da Mangueira foi mágico. A energia do lugar é quente, táctil, não tem como segurar a emoção ao ver a decoração simples, as mesas rodeando o salão, seletos no mezanino, a turistada encantada... e a voz rouca do puxador preenchendo o recinto, enquanto a comunidade ressoa a música ainda sem acompanhamento da bateria, até que um primeiro rompante troveja, fazendo arrepiar a nuca com a eminência da fanfarra grandiosa - e que festa! O corpo responde, mesmo que não saiba os percursos tão óbvios às senhoras de 50, 60 anos que dão show de ritmo e molejo, ao lado dos filhos e netos que respeitam as cãs e perpetuam as tradições familiares e comunitárias. Uma grande celebração, de gente cantando e dançando ao samba. Então surgem as meninas. Aquelas três, duas delas princesas mulatas requebrando com graça e dentes à mostra, cadeiras sacolejando com uma facilidade impensável a muitos de nós, honrando as faixas que, faceiras, ostentam. Na frente delas, uma negra linda, escultural em seus 19, 20 anos, esbanja charme, simpatia e o título de madrinha da bateria. Ela se move com sutil delicadeza, olhando a platéia, levantado as mãos e os olhos ao templo da escola, esperando sem pressa pelo toque diferente que anuncia a hora do pequeno salto, da reverência, de sambar. E seu tronco se firma em postura de diva, e seus braços desenham formas simétricas no ar, e suas pernas fortes sincronizam passos precisos numa coreografia hipnótica que entorpece, deleita. Como se muito simples fosse, como se mais nada houvesse, como se aquela festa não fosse acabar. Acabou, para minha tristeza e saudade. Inesquecível, e eu quero mais. 20.1.03
Ontem à noite encontrei a Claudia. Logo que comecei a escrever, antes ainda de ter um blog só meu, descobri sua página, bem na época em que ela passava férias na minha terra. Talvez por causa do texto, talvez pela referência mitológica, talvez pelo elo de sol comum (eu, saudoso de casa, enquanto ela, bronze nas dunas), criei o hábito de acompanhar esta Afrodite. Meio de longe, uma intervenção aqui, outra acolá, fui-me chegando, até que nos conhecemos num começo de noite na Lagoa, muita gente reunida e papo correndo solto de boca em boca em ouvido em boca em ouvido e barulho e música e cerveja e muvuca e a gente mal interagiu, apesar do meu fascínio por, finalmente, encontrar a mulher das palavras bonitas, da tão boa pontuação (dessa e daquela), dos cremes e do machismo, sim! (piadinha interna, só pra ela) Pois é. Eu queria muito conversar direito com a tal moça, sei lá por quê: sabe quando um zumbido insiste em buzinar à intuição? Eu achava que a gente ia se dar bem, que jogar conversa fora seria divertido, só isso (como se isso fosse só). E ontem, entre risos e histórias, falávamos sobre como construímos imagens e projeções ao ler blogs ou trocar e-mails com desconhecidos, por exemplo. Para mim, é como se montássemos um quebra-cabeça com as peças que se nos dão através desses contatos esporádicos, intermitentes, sempre tão parciais, já que, queiramos ou não, somos todos personagens na virtualidade de um post, permito-me o abuso da metalinguagem. Personagens, muitas vezes, não pretendidos ou sequer compreendidos, mas personagens, sim, visto que nos mostramos às partes, em graus diferentes, mas sempre às partes, sempre aos dias, aos variados humores, às múltiplas intenções, tão difusas e esparsas quantas são as facetas que nos compõem, se assim eu puder tentar arrematar o raciocínio que já peleja a dispersar. O fato é que montamos o quebra-cabeças com as peças que temos à mão, até acreditarmos na figura que se formou (ou que, antes, formamos) como sendo acabada, definitiva, certa, para descobrirmos, atônitos ou afoitos, novas peças que parecem não se encaixar, sendo que estas, sim, ajustam-se com "perfeição" - as aspas vão por minha conta, que não acredito sermos perfeitos ou coerentes, sendo isso a grande dificuldade do jogo - ao retratar os homens e mulheres que são os atores, atrizes, diretores, roteiristas e o que mais se faça urgir na criação dos personagens que, enfim, pululam a internet e, por que não dizer, todas as nossas relações sociais. Ufa! Saiu como um soluço, esperado, inevitável, sem trégua. Eu me empolgo, às vezes, mas sou de me perder mesmo, foi-se o tempo quando me importava ser inteligível. Minha reflexão fica, e merece um chope ou uma pepsi light, mais umas risadas entremeando para descontrair. Aqui no blog, fica o arroubo, que o meu personagem é louco e inconseqüente. Quase tanto quanto eu. 18.1.03
Se eu morasse no Rio de Janeiro: - o torcicolo seria marca registrada, de tanto virar o pescoço pra ver gente bonita; - desfilaria uma pele decentemente dourada o ano todo; - viveria com dor de garganta, porque haja suco gelado para suportar esse calor! - não cansaria de exaltar a beleza da cidade; - dançaria toda sexta na Casa da Matriz (o melhor som!), apesar do público limitado; - cederia à pressão social e cuidava direito da carcaça, porque só eu de ursinho carinhoso, em meio a tantos modelos apolíneos, não ia dar. Quero só ver a bagaça mais tarde, quando a anfitriã me levar ao ensaio da Mangueira... que os deuses do samba nos protejam: hoje eu (subo no) morro! 17.1.03
Barba feita, mochila nas costas e bala de gengibre pra segurar o tranco: Rio de Janeiro, tô chegando! Vou abraçar aquele moço em cima da pedra, já que seus braços estão abertos. E dar um beijo no meu Chuchuzão e na Clau e no Cariuoca e, com sorte, no moço dos desencontros. E vou espairecer, ver gente, me embrenhar de maresia e limpar a vista com paisagem. Hasta! A garganta vem melhorando, e os remédios acabam, graças a Deus. Dormi bem, amanheci sem febre e menos rouco. Progresssos. Na segunda, voltando do Rio, nova consulta com o doutor - vejamos. 15.1.03
Hoje comemoro um ano de blog. Há um ano comecei a escrever no Eu no meio do mundo, ainda sem saber direito para quê. Fui brincando, descobrindo o mundo novo, gente nova, aprendendo mais sobre mim no processo, até chegar aqui. Não foi sempre fácil, nem leve, nem nada: a constância foi só da inconstância, da multiplicidade, do pode ser. Até que o marasmo tomou conta uma vez, depois outra... e isso também foi diverso, também fez parte da mistura que os meus blogs são. Mistura de sensações, intenções, desejos, recados, gritos, esporros, tentativas, mistura de tudo o que eu sou e/ou penso que sou, mais uma ou outra intervenção de gente que se chegou. Falando nessa gente, hoje chequei os contadores. Estou longe dos blogueiros famosos, nem pretendo seus números, mas quase 40 mil visitas, para mim, é muito. Que três quartos disso sejam de buscadores: espero que tenham encontrado algo que valesse o clique. Que metade do resto fossem andarilhos de único pouso, desses que não voltam: foi bom fazer parte da sua estrada. Se metade do resto são os visitantes esporádicos, que voltam de vez em quando porque já leram algo de que gostaram em outro tempo, fico feliz de saber que existe sintonia entre nós, ou que pude proporcionar algum tipo de prazer com o que apresento (de mim) aqui. O que sobra nessa conta louca, meu Deus, torço por serem visitas freqüentes de poucos e preciosos pares, gente que vem cuidar, rir, torcer, apoiar, criticar, buscar respostas e encontrar dúvidas, retornando, ainda assim, pela grandeza do encontro, pela magia da troca, por me considerar, por bem querer, por amor. Quando falei que uma das metas de 2003 era ser mais bonito, falava do espelho. Vou me cuidar mais, ter um corpo mais atraente, cabelos de propaganda, pele bem tratada, sorriso de galã. Porque essa vaidade, essa fútil e ingênua vaidade é muito mais fácil de trabalhar que a outra, cruel, quase mostruosa, que me consumiu no ano passado com esse blog. Falo da vaidade de espírito, de querer ser especial o tempo todo, admirado. Demorei para aprender o quanto isso é nocivo e alienante, o quanto é presunçoso e vazio. Muito mais do que desejar uma aparência mais agradável aos olhos (e não estou questionando quaisquer padrões estéticos, que isso é por demais subjetivo). Essa, talvez, foi a maior lição que tirei do ato de escrever blogs, e fico muito feliz por ter, literalmente, passado de ano. A quem me acompanha desde o primogênito, valeu pela paciência! Nessa comemoração, o primeiro pedaço do bolo é seu. A quem mais ler isso daqui, meu abraço forte, meu beijo sincero, encha o copo e brinde comigo. E vamos em frente, que eu quero mais!
Isso, sim, é o que eu chamo de "um gatão dos olhos verdes". Falando sério, não me basta um par de lindos olhos verdes, nem jeito manso, nem lábios carnudos, nem aquele beijo tão bom. Adoro tudo isso, mas não, não basta. Os e-mails foram ótimos, como foi muito bom conversar pelo telefone (e eu sempre advirto: detesto telefone), mas, no primeiro encontro, faltou aquele romantismo inveterado tão anunciado. Ou sobrou, na expectativa. Aliás, parece que tudo faltou e sobrou: faltaram olhares nos olhos, sobraram ao horizonte ou às paredes; faltaram as palavras certeiras, sobraram daquelas ao léu; faltou o toque suave, como eu gosto, para sobrar afobação que me pareceu tentativa de, sei lá, impressionar? Foi um bom começo, ainda assim, mas faltou a música ao fundo (que tocava, mas não tocava, perceba-se a questão), e o filme que vivo precisa de trilha sonora o tempo todo, daquela canção que marca o beijo e que reaparece a cada novo momento mágico ou no the end, quando sobem os créditos, para ratificar a suposta felicidade infinita encontrada depois do clímax. É, eu quero ouvir essa música, sabe? Não me contento com a que toca na danceteria escura ou piscante, cortando a fumaça: eu quero "Endless love", ou "We've got tonight", pode até ser "Is it ok if I call you mine?", dessas bem bregas e doces, inesquecíveis como o primeiro beijo roubado. Tive um beijo roubado, e foi surpreendente. Me pegou desprevenido, que eu nem queria tanto e muito menos esperava. Mas faltou mais olhar - já disse que gosto dos olhos, de escutar o que eles dizem, de assistir aos sonhos ou histórias que eles contam. E os meus olhos sonham com histórias de surpresas, como flores sem cartão (pra quê? só poderiam ser suas) no escritório, propostas indecentes no meio da tarde, ou mesmo um singelo e-mail logo cedo desejando "bom dia", mas que seja o primeiro, para fazer valer a palpitação no peito. Confesso: quando abri a porta de casa, desejei com força ver a luzinha da secretária avisando de mensagem, mas foi em vão. Quando o telefone tocou tarde da noite, já era óbvio, graça mal teve. É claro que é cedo e tudo isso ainda pode vir. SEMPRE pode vir. Pode até ser amanhã. Mas estou rasgando outra vez meu conto de fadas mais bonito, para guardar os pedaços debaixo do travesseiro até a hora de colar tudo de novo e ficar atento se toca a música, se os figurantes saem de cena ou de foco, se o beijo finalmente esquece de ser técnico para, tão simplesmente, (des)encantar. 14.1.03
Ah! Sexta-feira eu vou ao Rio dar um beijo gigante na Ana, que FAZ MAIS ANOS HOJE!!! Sem aquela pieguice default dos desejos de aniversário: só quero que os sorrisos aí de baixo se repitam por muito, muito tempo. ![]() Notícias do front Estou melhor. A noite ainda foi agitada - uh! falando assim, parece até que aquele suor todo foi fruto de sexo selvagem e alucinante, quando, na verdade, não passou de efeto colateral dos antibióticos... - e ainda parece arame farpado quando bebo água, mas estou mais disposto. Ainda me cuido, pelo menos até segunda-feira próxima. Sabe a grande notícia que eu não pude dar na semana passada? Pois é! Me liberaram: O Mundo Perfeito (repararam no link?) agora está no Portal Terra!!! Não vou contar a história toda (a Rô deve ter feito isso, imagino - se não, tem nota da Dani lá no endereço original), mas o fato é que agora a cobra fuma, o bicho pega e a porca tosse pelo rabo! Trabalho bem feito dá nisso, né? Reconhecimento justo à editora mais desbocada da internet! Atualizem seus links: agora é http://mundoperfeito.terra.com.br. Sucesso, gata! Vamos estourar muito champanhe ainda! 13.1.03
Não dá para trabalhar: dor de ouvido, de garganta, de cabeça. E remédios, remédios e mais remédios. Outro para o ouvido, agora. Mais um. Só digo uma coisa: vaso ruim não quebra, e eu sou o pior que nós temos nesse sentido, certo? Na sexta, estou no Rio. 11.1.03
Mulheres são heroínas, hoje eu confirmei isso com um ato tanto banal quanto custoso. Ontem tomei a primeira aplicação intramuscular (vulgo injeção - tenho HORROR de me furar) de um antibiótico forte para combater a amigdalite e, como de praxe, a moça da farmácia cobriu o furinho com um pedaço de esparadrapo. Minúsculo pedaço, diga-se, um quadradinho de não mais que 4 cm de lado. Hoje, depois do banho, lá fui eu tirar o esparadrapo. PUTA QUE PARIU! (perdão aos mais sensíveis) Essa birosca arrancou os pelinhos (uma penungem, aliás) que cobrem minha bunda num ato tão violentamente doloroso que, quando voltei a respirar, só consegui pensar no quanto sofrem as mulheres quando se depilam as pernas, virilhas, sovacos e o que mais se deseje pelado. Porque dói, porra, como dói. A partir de hoje, quando alguma amiga me chegar dizendo que está muito peluda e que precisa de uma sessão de cera, vou rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria em nome da pobre alma. Todo meu respeito às mulheres que, por um motivo ou por outro, bravamente resistem a tal tortura. 10.1.03
Médico, amigdalite aguda, 130 paus em remédios fortes, 4 injeções, calafrio e muito sono. Fora os dias de molho e o tempo sem álcool ou gelado. Mais o tratamento preventivo depois. Bom começo de fim de semana. Não posso mais beber. Ou, pelo menos, não posso ficar bêbado perto de computador e/ou telefone. Ontem, depois da (in)frustrada tentativa de escrever no blog, acho que respondi um e-mail, e Deus me proteja de não ter escrito nada muito comprometedor, ai. Sei que peguei o telefone, espero não ter deixado recado, voltei ao computador para ler o resto dos e-mails e acordei às seis e tanto, no sofá, para ver o computador ligado E AINDA CONECTADO, o relógio marcando quase seis horas de pulsos na conexão discada, a Telefônica soltando fogos à minha leseira, e a dor de cabeça combinando com a garganta uma revolução no meu dia por começar. E tome remédio! Estou louco para substituir minha alimentação astronáutica de pílulas e cápsulas por um delicioso bifão, mas pelas amígdalas (que palavra linda!) mal passa água, inferno. Mas eu falava do prejuízo que há de me falir, ainda mais quando penso que no Réveillon saí ligando pra Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Angra e mundo afora, sem nem lembrar que um dia a conta do celular chega... O Cabeção adora me encher o saco divulgando uns casos marmotosos da minha História. Como quando morei na folha, ou quando alagou meu apartamento, ou da vez viajei dentro de um freezer, por aí vai. Estou pensando em exercitar a memória e o ”estilo Ju”, rasgando aqui as tragicomédias da minha vida... Estou bênbddo, n˜åo deveria estar escrecnecovm, eu sei. Son o, mas eu enchi a cara de champanhe m , conversei muito sobre pplítica, me exaltei, até - foi bom! O pai da Dani é gente boa, implicane como eu, difícil, o velho.E reecebi z liagção que espeerava. doreto dso frio, ficamos quase 20 minuots conversando miolo de pote. Melho9r coisa! Teca não atndd e telefone, atende, tequinhaaaqaqqaa! Vou dormie, tchau. 9.1.03
Sou virginiano ortodoxo, mas tenho um desvio: cronogramas são uma cruz em chamas para mim. Tento me programar, faço planos, guardo tudo na cabeça, até chego a anotar na agenda... não adianta. É incrível como sempre aparecem incêndios a apagar, como "isso é mais urgente", como parece que o universo conspira para que eu não consiga cumprir algumas tarefas. Meu projeto mais legal nos últimos tempos já foi adiado - por mim, fique claro - um sem número de vezes, simplesmente porque não consigo sequer preparar o material de treinamento. E também não acho justo virar noite em casa, trabalhando: já dou o sangue nesse escritório (hoje, meu nariz levou isso bem a sério), mereço desligar quando saio daqui. Não queria me lamuriar tão no começo do ano, mas passei quatro horas numa sala fria e minha garganta quase sadia se revoltou, me enchendo de dor de cabeça e uma quase-febre chata. Ainda vou beber o champanhe mais tarde, e ouvir meus cds novos quando chegar em casa, deitado na rede. Foi só desabafo necessário a um enfermo dengoso e carente. Minha estagiária disse hoje que a garganta inflamada é reflexo de coisas entaladas que precisariam ser ditas. Eu discordo: é que as circunstâncias vêm-me exigindo falar quando não sinto a menor vontade, quando mais quero o silêncio. Estou quieto, ainda. Ainda. E a divulgação da boa notícia de ontem ainda vai ter que esperar, paciência. O fato é que, com o final de 2002 e a chegada de 2003, vieram excelentes surpresas, e hoje nós vamos celebrar. Eu decidi comemorar mais as conquistas, pequenas que sejam (mas essas são GRANDES!), neste ano - ou no resto da vida. Se a unha encravada perturba, vou lembrar que uma moeda encontrada na rua pode ser a minha nº 1 do Tio Patinhas, né? 8.1.03
Um beijo, anda! Um beijinho, só! Aqui, na boca, na minha boca! Vem, vem! Corre! Na minha boquinha, que hoje eu tô fácil, fácil! Só um bejinho, vai... pequenininho, dengoso, maroto, rindo, um beijinho roubado, emprestado, bom de beijar, beija eu, beija eu, beija eu, me beija! Com direito a abraço, amasso, braço no braço, perna com jeito, mão no cangote - um beijo bonito, de novela das seis, ou das sete (mais gaiato), mas beijo gostoso, sem parar, ouvindo uma coisa feliz tipo "Accidentally Kelly Street", do Frente!, como se fôssemos pré-adolescentes brincando de primeiro amor! Um beijinho, só, me dá! Tô pedindo, e não quero beijo seu, nem seu, é outro beijo! Mas eu quero, quero, quero! Vem! Olha minha cara safada, meus lábios apertados, os olhos brilhando, isso não é todo dia, hein? Anda logo! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHH!!!! (grito histérico de felicidade!) A melhor notícia no meio da tarde! Mas é sigilosa - amanhã eu espalho! E rolhas vão voar! CHIQUÉÉÉÉÉRRIMO!!! Acabei de chegar da rua com a edição histórica do Jornal da Tarde estampando a minha amiga Dani (vou ouvir por causa disso, HAHAHA!)! Chuchuzão do meu coração, astrolábio do meu sem-fim, fofura meiga do circo, ELA saiu linda e serelepe na capa do Caderno de Variedades do jornal! Sucesso absoluto de público e crítica (e bota "crítica" nesse sucesso), arrebatou corações e desafetos com os geradores de letras que arrombam seu servidor e seu orçamento, coitada. A quem não conhece (se é que alguém ainda não conhece), é para visitar já! E comprar o livro dela, que sai no mês que vem, literatura de primeira! (Ainda não li, gata, mas prometo que até o fim de semana eu te mando as loas...) ;-D Azul (Djavan)Eu não sei se vem de Deus o céu ficar azul Ou virá dos olhos teus essa cor que azuleja o dia? Se acaso anoitecer e o céu perder o azul Entre o mar e o entardecer, Alga-marinha vá na maresia buscar ali um cheiro de azul Essa cor não sai de mim, bate e finca pé a sangue de rei... Ilustração: Bill Jaynes No meio do caminho tinha a FNAC… CAUSAS: - dia cansativo no trabalho; - gripe inclemente; - carência; - saudade EFEITO: - ataque de consumismo CONSEQUÊNCIAS: - CD "brazilian duos", da Luciana Souza, indicada ao Grammy de jazz; - CD "Motor da luz", de uma gaja que eu não conhecia, Eugénia Melo e Castro, linda voz; - CD "Membra Jesu nostri", de um compositor barroco chamado Dietrich Buxtehude, fantástico, que eu vinha procurando desde que fui apresentado - difícil de achar, não resisti, apesar do preço… SALDO: - provável dor de cabeça no próximo dia 2, ao abrir a fatura do Visa; - sensação inebriante de alegria com os presentes, feito criança lambuzada de algodão doce CONSIDERAÇÕES: - tinha prometido não comprar mais cds em janeiro, sou um fracasso; - mesmo esgotado e faminto, fiquei uma hora e meia ouvindo música, o que quer dizer que eu posso viver disso e mais nada (ué! se aquele povo que foi na Hebe e no Jô se alimenta de luz, quem disse que eu não posso inventar também?); - a atendente Cláudia não leu "Ensaio sobre a cegueira" antes de escrever a resenha que aparece na prateleira - assim espero, pelo menos, que vai ser muito pior se ela tiver lido e, ainda assim, escreveu aquela atrocidade; - preciso fazer meu cartão de cliente preferencial Fnac, porque gastar tanto dinheiro e não receber nenhum tipo de vantagem por isso está out; - meu novo sonho de consumo é "Luna Clara & Apolo Onze", da Adriana Falcão. Depois de "Mania de explicação", como não? 7.1.03
Um filme que... Surpreendeu: Clube da Luta (Fight club) Decepcionou: Vanilla Sky Fez rir: Quem vai ficar com Mary? (There is something about Mary) Fez chorar: Dançando no escuro (Dancer in the dark) Me deixou com raiva: Calígula Deu medo: Poltergeist (ui!) Fez refletir: Nós que aqui estamos por vós esperamos Fez querer meu dinheiro de volta: O monge e a filha do carrasco, argh! Ninguém mais viu: Xuxa e os Duendes - eu vi! eu vi! Me tornou fã do ator/atriz: Louca obsessão (Misery), Kathy Bates Me tornou fã do diretor: O livro de cabeceira (The pillow book), Peter Greenaway Sei de cor: A pequena sereia (The little mermaid) - foi material de trabalho, vi 17 vezes... É lição de cinema: Um corpo que cai (Vertigo) Me fez comprar a trilha sonora: Mensagem pra você (You’ve got mail) Juntou um elenco excelente: Todos dizem eu te amo (Everyone says I love you) Me fez ver várias vezes no cinema: Cidade dos sonhos (Mulholland Drive) Vi no vídeo, infelizmente: As brumas de Avalon (The mists of Avalon) Me fez voltar a ser criança: qualquer animação da Disney Me fez querer dançar: Ritmo quente (Dirty dancing), claro! Dá vontade de cantar: Laura (Little Voice) Me fez querer viver a mesma história: De volta para o futuro (Back to the future) Revelou um novo símbolo sexual: Orquídea Selvagem (Wild Orchid), Carré Otis Teve as cenas mais inspiradoras: 9 ½ semanas de amor (Nine ½ weeks)... Me deixou mais leve: Cantando na chuva (Singin’ in the rain), né? Me fez suspirar: Escrito nas estrelas (Serendipity), lindo! Me deixou passado: Amnésia (Memento) Recomendo: depende de a quem e para quê Vejo e revejo sempre: O piano (The piano) Nunca vai ser esquecido: Três formas de amar (Threesome) Me fez querer sair na metade: um filme iugoslavo da Mostra Internacional de Cinema – saí mesmo. Valeu pela companhia: vixe! Foram muitos! :-) Me marcou muito: A cor púrpura (The color purple) Totalmente absurdo: Con Air, hahaha! Vi no blog do Azolan, não resisti, incrementei e taí! Cinema para todos os (meus) gostos! Ainda gripe, ainda dor na garganta, ainda devagar. Ainda sem saber o que dizer, ainda sem saber com fazer, ainda na rabeira do tempo que corre. Ainda duro, ainda cansado, ainda sem querer ver muito gente. Ainda esperançoso, ainda sonhando, ainda na aposta. Ainda agora, ainda sempre, ainda ainda. Já o quê? 6.1.03
Fui almoçar no Mc Donald's com duas meninas da minha equipe mais uma que eu só conhecia de vista. Na mesa, o papo era novela. Fiquei ouvindo, sem participar muito - não assisto a novelas há anos, nem sabia o que comentar sobre os planos da fulana ou o casamento dos cronópios... No fim, fiz uma graça (inocente, despretensiosa) com a tal menina que nos acompanhava, ao que ela respondeu com um olhar 43 manco, indiferente, frio. Fiquei meio assim. Borocoxô. Aí lembrei de um texto que recebi tempinho atrás, falando de Deus. Oportunas e coerentes palavras. Deus nos sorri porque é nosso cúmplice. Nem todo mundo é cúmplice. Nem todo mundo nos sorri. Meu sorriso não é pra todo mundo, nem sei se deveria ser. Mas sorrir é bom. Deus é bom. Eu também sou. UM DEUS QUE SORRI (Martha Medeiros, 23.07.2001) Eu acredito em Deus. Mas não sei se o Deus em que eu acredito é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro. O Deus em que acredito não foi globalizado. O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém. É uma idéia, uma energia, uma eminência. Não tem rosto, portanto não tem barba. Não caminha, portanto não carrega um cajado. Não está cansado, portanto não tem trono. O Deus que me acompanha não é bíblico. Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova. O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade. O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos. Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras, e nossa penitência é a reflexão. Ave Maria, Pai Nosso, isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo. Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo. O Deus em que acredito não condena o prazer. Se ele não tem controle sobre enchentes, guerrilhas e violência, se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas, se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que Deus seria ele se ainda por cima condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial, a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem? O Deus em que acredito não é tão bonzinho: me castiga e me deixa uns tempos sozinha. Não me abandona, mas me exije mais do que uma visita à igreja, uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros. A cruz pesa onde tem que pesar: dentro. É onde tudo acontece e tudo se resolve. Este é o Deus que me acompanha. Um Deus simples. Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe-tudo e vê-tudo. Meu Deus é discreto e otimista. Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: um abraço numa amiga, uma música na hora certa, um silêncio. É onipresente, mas não onipotente. Meu Deus é humilde. Não posso imaginar um Deus repressor e um Deus que não sorri. Quem não te sorri não é cúmplice. E tenho arquivos de novo, aí do lado, graças à paciente ajuda desse moço. Se interessar a alguém, é só clicar e ver o que já passou pela minha cabeça e por aqui. Eu juro que vou lá de vez em quando. O que me cansa em São Paulo é a dança do clima. Não só a do tempo, que a essa eu me habituo, por menos que goste: falo da inconstância do clima na cidade, mesmo. Tem dias quando a umidade chicoteia, tem dias secos como Gobi, tem dias gelados e tem dias agradavelmente europeus... Minha garganta, coitada, que se desenvolveu com a pouca variação da costa nordestina ("quente", "pegando fogo", "mormaço" ou "não tem quem aguente", como diria minha mãe), reclama um bocado. Esse solzão lá fora, só porque minha praia está longe... provocação, é? Hunf. A dor na garganta deu uma pequena e bem-vinda trégua. Amanhã chega ilustre visita, preciso estar inteiro. Aliás, preciso mesmo estar inteiro, para uma série de outras coisas também. Falar, principalmente. 5.1.03
Em um domingo nublado, zapeando por canais bestamente parecidos, paro no 12, É para eu me lembrar de que televisão também pode trazer uns momentos mágicos de vez em quando... Pior que ter de me dopar com antibiótico, antigripal e analgésico para conseguir dormir é acordar, depois de uma noite de sono péssimo, e constatar que a melhora foi quase simbólica, só para inglês ver. Na falta de gringo, este cabeça-chata aqui reclama. Hunf. Serendipity não é sessão da tarde, como pensei antes de entrar no cinema. Para românticos inveterados com eu, é pura absolvição do sonho desgarrado, da vontade de amor de filme, do delírio do par perfeito. Nos primeiros cinco minutos, você sabe se vai adorar ou detestar: é tudo extremamente previsível e clichê, seguindo à risca qualquer manual de roteiro mais didático. Mas é lindo. É desses filmes que fazem a gente sorrir, torcer, chorar, sentir raiva... e alívio, quando tudo dá certo no final (não estraguei nenhuma surpresa - é óbvio que vai dar certo). Minha vontade era sair correndo atrás de um par de luvas pretas ou de uma primeira edição de "O amor nos tempos do cólera"... 4.1.03
Apesar da gripe estafante e da chuva chata, o dia-noite-quase está lindo! Acordei cedo com sinais de vida - e ela está caminhando, depois de ter passado um réveillon inesquecível com muitos dos nossos amigos, to whom it may concern. Depois, baixou a Clotilde e promovi uma super faxina em casa: lavei louça, roupa, tirei pó até do ventilador de teto e me livrei de entulhos desnecessários do quarto. Depois, fui à feira comprar azeitonas chilenas gigantes e flores, mas as flores já se tinham ido embora, hunf. Almocei com Teca: fetuccine ao alho e oléo com apetitosos nuggets, regados a vinho bom e com direito a sorvete pra ela e chocolate pra mim, de sobremesa. Depois da buchada, horas no telefone com minha bruxa, atualizando a fofoca. E, quem sabe, mais tarde rola um cineminha, apesar do nariz escorrente e da garganta farpada... Tudo facinho, bonzinho - pra quê mais? ;-) 3.1.03
Em 2003 eu vou ser bonito e inteligente. E difícil. Assumo o pedestal de fato, mas explico direito depois. MUITO bem escrito. Adoro! Divertidíssimo! Poesia pura. Brilho. Lindo, lindo. (...) É, hoje eu tô cocota total. Em um país desigual como o nosso, gostei de ver o senhor Ministro de Estado da Cultura assinando a posse com uma caneta Bic. Mas acho que, em razão da mesma desigualdade, um discurso mais acessível, sem "estandartes bélicos se ouriçando planetariamente" ou "disposições permanentemente sincréticas e transculturativas", ficaria mais bonito nos anais da titia História, hein, Gil? 2.1.03
Muita chuva em São Paulo, muito barulho, água caindo, aquelas luzes estranhas rasgando o céu no meio. Não saio de casa - no caso, do escritório. Não gosto de chuva, tenho medo. Mas vou preferir acreditar que é para lavar, que a enxurrada leva o que não merece ficar, e que a bonança vem. Mas que dá medo, dá. Nessas horas, a saudade da minha terra quente aperta grande. Na noite do dia 31, fui andando até a casa onde passaria a virada de ano. Uma meia horinha de chão até lá, chance de pensar no que foi e no que eu quero que venha. Decidi que 2003 é o turning point de algumas coisas que sempre almejei, mas nem tanto me esforcei para conquistar - agora vou mudar isso. Quando antes pensava em "seduzir", vou me lembrar de "encantar" - diferença sutil, mas fundamental. Ler, estimular meu cérebro, exigir dele. Otimizar. Usar minha inteligência mais para construir que para criticar. Vou ser mais bonito, me cuidar mais. Gostar mais de mim. Quero me reaproximar da minha família e resgatar velhos laços. E, mais do que tudo, dar às coisas o valor que elas, de fato, têm, nem mais nem menos. Este ano vai ser mais tranquilo, consequente, pensado. Luz, é isso o que desejo. Para iluminar os caminhos. ~ início ~ |
~ lendo ~ Alê (BGML) Balu (Sim, eu OdeioSopa!) Beth (E-Beth) Camila (Tapetes de Penélope) Clara (The Clara Beauty Journal) Clau (Lettiânia) Djoh (Caminho Dourado) Ematoma (Objetos de desejo) Gabby (Nêga do leite) Guiu (Perto do coração selvagem) Lola (Escreva Lola Escreva) Marie (Je suis Marie) Phelipe (papel pop) Rafaela (Letra e Música) Renata (o livro de areia) Ronaldo (Satyricon) TDUD? (Te dou um dado?) em que quer acreditar. ~ ~ passado ~ agosto-2009 junho-2009 maio-2009 abril-2009 março-2009 agosto-2008 junho-2008 maio-2008 abril-2008 março-2008 fevereiro-2008 janeiro-2008 dezembro-2007 novembro-2007 outubro-2007 setembro-2007 agosto-2007 março-2007 fevereiro-2007 janeiro-2007 dezembro-2006 novembro-2006 outubro-2006 setembro-2006 agosto-2006 julho-2006 junho-2006 maio-2006 abril-2006 março-2006 fevereiro-2006 janeiro-2006 dezembro-2005 novembro-2005 outubro-2005 setembro-2005 agosto-2005 julho-2005 junho-2005 maio-2005 abril-2005 março-2005 fevereiro-2005 janeiro-2005 dezembro-2004 novembro-2004 outubro-2004 setembro-2004 agosto-2004 julho-2004 junho-2004 maio-2004 abril-2004 março-2004 outubro-2003 setembro-2003 junho-2003 maio-2003 abril-2003 março-2003 fevereiro-2003 janeiro-2003 dezembro-2002 novembro-2002 outubro-2002 setembro-2002 agosto-2002 julho-2002 |
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